A
Prostituição Infantil
A prostituição
infantil, que caminha lado a lado com a pedofilia, existe em todo o mundo
e há milhares de anos. Não é, portanto, um assunto
novo, mas pelas dimensões que a prostituição infantil,
que podemos chamar de ‘anomalia social’ , vem tomando em países
de Terceiro Mundo, e aqui em questão, no Brasil, o assunto se polemiza
e ultrapassa níveis maiores de preocupação.
A prostituição
infantil, infelizmente, acontece em todo o país, sendo que tristemente,
por causa dela, foi até criada a ‘indústria do turismo sexual’,
com estrangeiros vindo ao país apenas para satisfazer suas nada
dígnas vontades sexuais, aqui no caso, com crianças e adolescentes
se oferecendo e sendo oferecidas aos mesmos por míseros dólares
ou pesos.
Já na região
Norte-Nordeste, a proporção das notícias da prostituição
infantil atinge porcentagens aflitivas, já que as próprias
distorções sociais do país levam a esse triste e infame
‘meio de vida’. Em muitos e muitos trechos da Transamazônica já
é visto como ‘normal’ crianças de 10, 12 e 14 anos se oferecendo
aos caminhoneiros que por lá transitam e muitos satisfazem seus
bestiais desejos, sem o mínimo peso de consciência, pagando
pelo vil ato míseros 5 reais. Mas o preocupante não é
a falta de caráter, dignidade e mesmo humanidade das pessoas que
se aproveitam dessas crianças; o preocupante realmente é
que, com aqueles 5 reais elas vão contribuir para a alimentação,
ou seja, para a sobrevivência de suas famílias.
Dentro dessa distorção
social, gerada pela má distribuição de renda, falta
de cultura, corrupção e insensibilidade política,
alguns pais chegam a estimular suas filhas a realizarem tal ‘trabalho’.
Já no caso de prostitutas adultas, também levadas a esse
caminho 90% por problemas sociais, os pais e parentes chegam a desconhecer
seu ‘trabalho’ ou fingem desconhecê-lo, pois ela passa a ser peça
fundamental no sustento da família. Para explicar de onde vem o
dinheiro, normalmente elas ‘estão trabalhando num bom emprego na
cidade grande’...
Voltando à
questão em foco, que é a prostituição infantil,
é bom lembrar que ela não ocorre somente com crianças
do sexo feminino, mas a pedofilia ocorre também com as do sexo masculino,
e essas crianças ou adolescentes acabam se transformando em ‘garotos
de programa’, também com a única finalidade de sobrevivência.
E, se não for pela sobrevivência, tais crianças serão
de uma maneira ou outra prejudicadas, pois o trauma a que são submetidas
as seguirá pelo resto de suas vidas.
Não bastasse
o ítem sobrevivência, ainda existe toda uma ‘indústria’
do sexo para levarem essas crianças cada vez para um caminho de
perdição, de onde dificilmente há retorno, pois outra
praga dos tempos modernos, que são as drogas, também caminha
lado a lado com o submundo do sexo. Na tal ‘indústria’ do sexo,
crianças e adultos, geralmente as do sexo feminino, são atraidas
por anúncios em jornais para trabalhosos rendosos em outros países,
sem saber que aquilo é uma armadilha. Assim, em busca de uma vida
melhor, elas acabam indo ao encontro do pior e se transformam no que se
chama de ‘escravas brancas’. Dentro da sórdida ‘indústria’
ainda tem a área de acompanhantes e filmes pornôs. E o que
é mais incrível, com excessão do tráfico de
escravas brancas, é que as demais atuações da ‘indústria’
são todas legalizadas!
Além da apavorante
constatação que existe a prostituição infantil
em todo o país e até em nosso quintal, ou seja, em nossa
cidade, pois é fato noticiado que meninas vindas de Igaraçu
do Tietê vendem seu corpo e sua inocência por 5, 10 ou 15 reais
pelas noites e madrugadas de Barra Bonita, podemos antever que essa distorção
social e cultural que permeia nosso país vai deixando um alarmante
saldo de pessoas contaminadas com as chamadas Doenças Sexualmente
Transmissíveis e tudo isso, apesar da consciente ignorância
do governo, redunda em gastos hospitalares com doenças e ou com
partos, além de colaborar para um aumento populacional inconsequente.
Isso, é claro, leva ao enfraquecimento da saúde e do
caráter de toda uma geração. E outro dado comprovado
pelos médicos, é que uma adolescente não tem seu corpo
preparado para uma gravidez, e tal mais tarde será nociva à
sua saúde, causando problemas ao corpo e envelhecimento precoce.
Agora, além
do governo e as distorções sociais causadas por ele, quem
são os culpados? Todos nós. Pois a falta de uma conscientização
no lar, nas igrejas e nas escolas, a desestruturação dos
lares após a entrada da lei criada pelo deputado Nelson Carneiro,
instituindo o divórcio, a cumplicidade de adultos sem o mínimo
de moral, que se aproveitam dessas crianças que são levadas
pela miséria econômica a esse miserável modo de vida
e por fim, a mídia, principalmente a televisão, que salvo
raras excessões, faz diariamente a apologia do sexo.
A pouca saída
está justamente na reversão dessa inversão de valores.
Empresas hoje, felizmente, estão investindo mais em projetos sociais
e organizações como o Projeto Degrau, apoiado por empresários
e que pretende tirar as crianças das ruas, oferecendo-lhes vagas
em empresas onde irão aprender trabalhando – e terão um salário
por isso, são ações meritórias que vão
ajudar a minimizar os efeitos da miséria e suas consequências.
Também acredito que o investimento governamental na educação
é meritório, mas que tal deveria ser adequado a cada região
do país, já que cada uma delas tem seus problemas e peculariedades.
Uma política de educação que se aplica em São
Paulo não será adequada numa cidade nordestina, e vice-versa.
E finalizando,
já que todos somos responsáveis, vamos dar as mãos,
povo, políticos locais, profissionais liberais, comunicadores, mídia,
religiosos e educadores e vamos cobrar ações sólidas
do governo contra a prostituição infantil, mas não
basta cobrar e ficar esperando que o governo possa resolver um problema
que já se tornou crônico e contra o qual o governo pouco fez,
além do especificado pela lei. Vamos nós também entrar
em ação e conscientizar adultos e crianças a dizer
não à prostituição infantil. Esta é
uma maneira das crianças e adolescentes também dizerem não
às drogas. Se podemos fazer algo, devemos fazer. Que vantagem teremos,
humana e religiosamente, em ficarmos de braços cruzados e assistirmos
tudo como meros espectadores?
Enquanto assistimos
a tudo de camarote, a miséria vai aumentando, e com ela, a prostituição
e a violência. O mal vai aumentando, e se não lutarmos contra
ele, dia mais, dia menos, ele estará ao nosso lado, no camarote.
E aí então será tarde...
Mais dados
sobre Gervásio nas páginas Memória Viva
Gervásio Aristides
da Silva é empresário e pós-graduado em Administração
- Gerenciamento
de municípios - Vereador
por 2 mandatos e sendo reeleito em 2008 para seu terceiro mandato.
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