O
Gestor Público
Criada
na França pós-guerra pelo general Charles De Gaulle,
a Escola Nacional de Administração (ENA), desde 1945 tem
uma finalidade específica: formar funcionários públicos
para o bom desempenho dos seus trabalhos na esfera governamental, nos serviços
de atendimento ao cidadão e no próprio andamento da economia.
O general criou a escola para capacitar funcionários capazes de
reconstruir o Estado após a destruição da guerra,
e recuperar para a França a condição de potência
mundial. E eles conseguiram! E a ENA tornou-se modelo e padrão de
eficiência administrativa em toda a Europa.
Pela ENA passaram, só para citar alguns exemplos, Jacques Chirac,
ex-presidente francês, Helmut Kohl, premiê alemão, Pascal
Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio
e Ségolene Royal, candidata derrotada na mais recente eleição
presidencial na França.
Outra escola de administração para pessoas ligadas ao poder
público, é a Kennedy School of Government (KSG), dos EUA.
A escola, ligada à famosa Universidade Harvard, foi fundada em 1936,
e quanto à sua eficiência, desnecessário é fazer
qualquer comentário.
Mas, por incrível que possa parecer, já que até matéria
publicada pela revista Exame na edição 910, de 30 de janeiro
de 2008, ela era pouco conhecida dos brasileiros, nosso País também
tem sua escola de formação de gestores públicos. Trata-se
da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP),
fundada em 1986 no governo José Sarney.
Diferente das escolas da França e EUA, que aceitam como alunos até
cidadãos comuns, a ENAP apenas serve aos funcionários dos
ministérios e também a estados e municípios que enviarem
seus alunos para ela. A ENAP quase desapareceu no governo Collor, só
resistindo graças à garra da sua diretora nos anos 1995 a
2003, Regina Silvia Pacheco, que aceitou o desafio após um convite
feito pelo então ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.
No quadro abaixo, com uma foto de Ségolene Royal, veja o investimento
feito pela França, EUA e Brasil em suas escolas de administração
pública. O trabalho é da revista Exame, assim como esta matéria
é baseada nas informações da própria revista.
A ENAP, que chega a ter em média 16 mil alunos por ano, reconhece
que boa parte dos gestores públicos, formados em Faculdades pelo
Brasil, são prejudicados pelo aparelhamento do Estado, que coloca
em lugar de pessoas preparadas tecnicamente para o trabalho de gestão
municipal, dirigentes apadrinhados por partidos ou caciques políticos.
Segundo estimado pela ENAP, cerca de 20 mil hoje estão na administração
federal, sem nenhum preparo, a não ser o de se manter fisicamente
bem para ficar pendurado nos cabides. O que num País cheio de mazelas
históricas de inépcia, corrupção e dos famosos
“cabides de empregos”, não é de se admirar.
O
gestor público municipal
“Se
você não sabe o que falar, é melhor ficar quieto, para
não pensarem
que
é idiota, do que falar e acabar com a dúvida! - Abraão
Lincoln”

Diante da seriedade desta matéria e dos problemas em estados e municípios,
o gestor público tornou-se uma necessidade no Brasil. Como relatado,
apesar de escolas de fama mundial nessa área, como a da França
e a dos EUA, a ENAP, além de receber pouca verba em relação
às outras escolas, parece ser algo ainda desconhecido dos dirigentes
municipais, o que vem consolidar a idéia da falta de vontade e de
visão dos nossos administradores públicos, sejam eles do
Executivo ou Legislativo.
E, pegando o gancho da Exame, em Barra Bonita, um exemplo de que o gestor
é desconhecido, por ignorância ou por má-fé
política, é o vereador Gervásio da Silva. Já
em seu primeiro mandato (1992) ele foi o principal e único defensor
da necessidade de um funcionário altamente qualificado e preparado
para ajudar na administração municipal. Ele chegou a esboçar
indicações e projetos, mas foi ignorado na época,
tanto pelos políticos, quanto pela mídia.
Nascido em Saloá, Pernambuco, Gervásio da Silva está
em Barra Bonita a cerca de 30 anos. Empresário do ramo de supermercados,
ele ingressou como vereador na política barra-bonitense em 1992,
já mostrando muita boa vontade e trabalho. Ele apresentou vários
projetos para o turismo na cidade – todos rejeitados e alguns até
ridicularizados, mas que anos depois acabaram sendo adotados por outras
cidades. Um exemplo é a idéia dele e de Marcio Galli, um
barra-bonitense que foi tentar a sorte como ator no Rio de Janeiro, de
mostrar para o núcleo de novelas da Globo que Barra Bonita poderia
ser palco de uma novela. Houve contatos com a Globo, que mostrou interesse,
mas o poder público não apoiou. Mais tarde Dois Córregos
acabou virando filme, graças ao apoio do jornalista Carlos Nascimento,
filho daquela cidade.
E são incontáveis as chances que Barra Bonita teve de se
sobressair no turismo. Fora dessa área, Gervásio da Silva
também foi o responsável por evitar um grande prejuízo
ao município, quando o Executivo quis doar uma grande extensão
de terras a uma empresa de São Paulo. O vereador, às suas
próprias custas, foi à capital investigar a empresa e constatou
que a mesma era fantasma. A doação foi cancelada e Barra
Bonita não foi prejudicada.
Somente pelos poucos fatos acima narrados, Gervásio da Silva deveria
ter sido ouvido quando falou, pela primeira vez em Gestor municipal. Mas
não foi. Falaram que ele era um sonhador e que o Gestor não
era necessário. Daí, já em seu segundo mandato de
vereador, ele concluiu a Faculdade de Administração de Empresas,
pela FunBBE e foi fazer pós-graduação na Unesp-Bauru
na área de Gestão Municipal!
Hoje, Gervásio da Silva e Miguel André Claro Luís
(foto acima), que ora presta serviços no Banco do Povo, em Barra
Bonita, são as duas únicas pessoas com formação
universitária em Gestão municipal. Para Miguel André,
descendente de espanhóis, o objetivo do Gestor depende em quase
tudo da visão do Executivo. De acordo com ele, um Gestor público,
honesto e competente, irá tirar praticamente 80% do peso administrativo
das costas de um prefeito, além de seu trabalho ser todo focado
no progresso do município.
Mas
o cargo, que deveria ser criado para a própria eficácia da
administração municipal e para o bem da comunidade, jamais
o foi. Como na maioria dos municípios brasileiros, os guarda-roupas
devem ser muito grandes para caber tantos cabides ou “aspones” (assessores
de merda nenhuma). E assim, a França voltou a ser potência
mundial através da sua Escola de Administração; os
Estados Unidos continuam potência, apesar dos problemas econômicos;
e o Brasil continua o mesmo, já que dos 16 mil que a Exame diz,
frequentam a ENAP, não se sabe quantos estão lá com
a finalidade de transformar o Brasil (como o general De Gaulle quis para
a França), ou apenas fazendo um “cursozinho” para manter a “boquinha”.
Barra Bonita não atrairá indústrias para cá,
não tem mais para onde crescer territorialmente e não tem
outra saída, a não ser o turismo. Mas se não tiver
a figura de um Gestor municipal, honesto e competente, trabalhando em sintonia
com o próximo prefeito, a tendência será de mais e
mais anos de marasmo administrativo.
Barra
Bonita tem duas saídas, que dando ou não resultado, é
necessário tentar. O que não se pode é ficar de braços
cruzados, vivendo de impostos das empresas e dos cidadãos, que nada
recebem em troca. Ou voltamos 30 anos atrás, como disse o empresário
Edson
Torres, da Indústria Ciclotron, quando nossa população
ainda tinha sonhos, voltando para retomar a estrada do progresso, da qual
perdemos o rumo, ou investimos na qualidade e competência de funcionários
e administradores públicos. E que me perdoem as pessoas que amam
esta cidade e muitos que contribuiram com seu crescimento até a
década de 80: a terceira saída, infelizmente, lembrando Raul
Seixas, seria alugar, não o Brasil, mas alguns municípios
brasileiros que têm a síndrome de Gabriela, onde parece que
o que mais se canta é: "Eu nasci assim, eu cresci assim...
Gervásio
Aristides da Silva é empresário e pós-graduado em
Administração - Gerenciamento
de municípios - Vereador
por 2 mandatos e sendo reeleito em 2008 para seu terceiro mandato.
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