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O
Irresistível Studebaker

Em 64, quando ainda vivia no Orfanato
Nosso Lar, em Rio Claro, SP, no caminho da escola eu via uma caminhonete
Studebaker azul e branca estacionada na rua 6, se não me falha a
memória. E eu ficava minutos ali, babando literalmente sobre o carro.
Me apaixonei por ele. Nem me passava pela cabeça em ter um daqueles.
Eu apenas gostava de ficar olhando-o. Mais tarde eu iria me apaixonar pelo
Interlagos e depois pelo Sinca. Dai eu queria ter um, mas eles não
esperaram eu crescer para isso...Bem, esta introdução é
apenas para voltar ao Studebaker, que descobri, tem muita gente apaixonado
por ele até hoje, e a marca tem uma história tão bonita
quanto a "minha" caminhonete azul e branca.
Ferretti Studebaker, como é
conhecido, conta que aprendeu a gostar desde criança, por volta
dos anos 50, e sua paixão explodiu quando começou a descobrir
e ficou surpreso pelas linhas arredondadas desta marca. Hoje possui alguns
tipos diferentes como passeio e Pick-up.
Procurou manter originalidade em seu Studebaker
1948 Starligh (foto acima), a nível de zero kilometro, impecável,
como faz com os outros. Os demais carros foram transformados em Hot, modificando
a parte mecânica para atual, mas preservado a maior parte de sua
estrutura original.
Ferretti passou a ser o maior incentivador
da marca Studebaker no Brasil através do seu trabalho de recuperação,
restauração e divulgação da marca, incentivando
outros a restaurar e levar seus carros nos encontros a nível Brasil,
que até então estavam escondidos. (www.studebaker.com.br).
A foto do Studebaker do senhor Ferretti
foi feita no Encontro de Carros Antigos 2010, em Águas de Lindóia,
SP. A obra é do blogspot Palace Garage V8.
Mas não é somente
o senhor Ferretti o fascinado pelo Studebaker. No 3o Encontro dos Amigos
do Carro Antigo, em Jaguariúna, SP, apareceu também o senhor
Araripe Braga, de Amparo, que achou que o encontro foi bem interessante.
“Como eu restauro carros, comecei a me interessar por veículos antigos
há quatro anos. A caminhonete Studebaker tem toda uma história,
pois estava abandonada, eu restaurei, e passou então a ter um grande
valor sentimental”, explica. O evento contou com a presença de Carlos
Miranda, o famoso ator da série de TV Vigilante Rodoviário
- e que acabou se transformando num policial rodoviário de verdade,
que trouxe o carro da série. Ele pousou para fotos e deu muitos
autógrafos. O encontro teve apoio da prefeitura. (www.jaguariunaonline.com.br) |
A
história do Studebaker

Studebaker light six - 1921
|

Studebaker-r-series - 1950
|

Studebaker Transtar - 1957
|

Studebaker Avanti - 1961
|
Os irmãos Studebaker fabricavam
carruagens, carroças e equipamentos desde 1852. Meio século
depois passaram a produzir automóveis elétricos, que logo
ganhariam motor a combustão. Em seu tempo áureo, nos anos
30 e 40, a marca foi a mais dinâmica dos Estados Unidos. Fez sucesso
com o Champion de 1939 e introduziu um dos primeiros carros americanos
do pós-guerra, em 1946: o Champion desenhado por Raymond Loewy e
Virgil Exner.
Considerado um dos 100 Americanos
Mais Influentes do século XX, Loewy fora responsável, entre
outros projetos, por uma reestilização (em 1954) da garrafa
de Coca-Cola que ganhou o mundo, e pelo interior do Air Force One, o avião
dos presidentes dos Estados Unidos. Em parceria com Bob Bourke, desenhou
para a Studebaker os modelos Starliner e Starlight 1953, tidos como dois
dos mais belos carros que o país já produziu.
Na metade da década, porém,
a empresa de South Bend, estado do Indiana, ia mal. O compacto Lark lançado
em 1959 trouxe certo alívio, mas o mercado saturado de opções
logo freou as vendas. A empresa sabia que precisava diversificar sua oferta
para se reerguer. Um novo presidente, Sherwood Egbert, foi trazido de fora
da indústria automobilística para conduzir o processo.
Egbert gostava de carros e acreditava
que a marca deveria produzir um modelo esportivo e de estilo europeu. Depois
de folhear revistas importadas em um aeroporto de Chicago e rabiscar alguns
esboços, em 9 de março de 1961 ele contatou Loewy para que
executasse o projeto.
Duas semanas depois saía
dali um modelo em clay (argila), em escala 1:8. Egbert aprovou-o e teve
início a elaboração da base para um protótipo
de clay em escala natural e outra para o interior. Até então
o carro não tinha nome: alguns se referiam a ele como "carro Q"
ou "modelo X", e o próprio Loewy usara logotipos do Lark em seus
desenhos. E entre várias sugestões, o carro acabou sendo
batizado de Avanti, nome italiano que instiga a avançar...para frente!...E
era isso que a empresa precisava.
O modelo em escala natural foi terminado
em 27 de abril -- cerca de 40 dias depois do primeiro contato com Loewy!
No mesmo dia foi apresentado à diretoria e aprovado - fosse pela
qualidade do trabalho, fosse pelo entusiasmo com que Egbert via no Avanti
a solução para a crise da Studebaker.
O Avanti nas pistas, mesmo com compressor,
não servia para as corridas - mas seu formato aerodinâmico
era adequado a recordes de velocidade, devidamente repotenciado. Andy Granatelli,
presidente da Paxton e entusiasta do carro, e seus irmãos Vince
e Joe prepararam um para correr nos famosos lagos salgados de Bonneville,
em Utah. Com cilindrada aumentada para 4,9 litros, o Avanti estabeleceu
dois recordes: 270,5 km/h na milha lançada, em dois sentidos, e
148 km/h na aceleração de 0 a 1.609 metros (uma milha).
Para chamar atenção
ao lançamento da linha 1964, a Studebaker preparou novo espetáculo
de velocidade, e o carro conseguiu nada menos que 315 km/h no quilômetro
lançado. Outro Avanti, com o motor 289 e compressor, que havia realizado
duas viagens muito rápidas de costa a costa dos Estados Unidos,
foi aos lagos salgados de Bonneville e chegou a 235 km/h com os mesmos
motor e pneus. A Studebaker obteve 72 recordes de velocidade com 12 carros
em cinco dias.
A empresa também ofereceu
o Avanti como prêmio em um popular programa de TV, The Price Is Right,
mas nada disso ergueu as vendas do modelo e a situação da
Studebaker. Aos 3.834 exemplares da linha 1963 somaram-se apenas 809 do
modelo 64. Egbert, com câncer, deixou a empresa em outubro de 1963
e em dezembro a produção do Lark foi transferida para Hamilton,
Ontário, no Canadá - e a do Avanti descontinuada.
A empresa foi vendida, passando
por várias mãos, até ser adquirida em abril de 1986,
por Mike Kelly, que após 350 exemplares do Avanti produzidos,
vendia a empresa a seu sócio John J. Cafaro, que desenvolvia shopping-centers.
Ela agora se chamava Avanti Automotive Corporation. Mas, vitimado pelas
exigências governamentais de testes de impacto (crash-tests) e de
emissões, que custavam muito para uma empresa tão pequena,
o novo Avanti durou até 1991, quando teve a produção
interrompida. Com as 297 unidades feitas por Cafaro, o total chegava a
8.120 automóveis.
Quando o projeto de Loewy, criado
para a Studebaker, parecia ter mesmo passado à história,
surgiu um novo aficionado interessado em ressuscitá-lo. Em 1995,
Jim Bunting convidou Tom Kellogg, que participara do projeto inicial, para
reestilizar o Avanti. Tentou aplicar a carroceria do clássico modelo
a chassis de cupês tão variados quanto Cadillac Eldorado,
Acura Legend, Lexus SC 400, Pontiac Firebird, Chevrolet Corvette e Camaro.
O Firebird foi escolhido pelas dimensões e formato mais adequados.
Unidades de pré-série foram apresentadas nos Salões
de Los Angeles e Chicago de 2000.
Assim, 98 anos depois que os irmãos
Studebaker produziram seu primeiro automóvel e quarenta anos depois
que Loewy e seus assistentes reuniram-se para o acelerado projeto do Avanti,
o espírito e os desenhos desses clássicos norte-americanos
permanecem vivos, passando de mão em mão entre entusiastas
que não querem vê-los, jamais, como meros ícones
do passado, como demonstrado em 2000. E a Studebaker marcou para sempre
seu nome nos anais da história do automobilismo. |
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