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Antonio Carlos 
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O Irresistível Studebaker


  Em 64, quando ainda vivia no Orfanato Nosso Lar, em Rio Claro, SP, no caminho da escola eu via uma caminhonete Studebaker azul e branca estacionada na rua 6, se não me falha a memória. E eu ficava minutos ali, babando literalmente sobre o carro. Me apaixonei por ele. Nem me passava pela cabeça em ter um daqueles. Eu apenas gostava de ficar olhando-o. Mais tarde eu iria me apaixonar pelo Interlagos e depois pelo Sinca. Dai eu queria ter um, mas eles não esperaram eu crescer para isso...Bem, esta introdução é apenas para voltar ao Studebaker, que descobri, tem muita gente apaixonado por ele até hoje, e a marca tem uma história tão bonita quanto a "minha" caminhonete azul e branca.
 Ferretti Studebaker, como é conhecido, conta que aprendeu a gostar desde criança, por volta dos anos 50, e sua paixão explodiu quando começou a descobrir e ficou surpreso pelas linhas arredondadas desta marca. Hoje possui alguns tipos diferentes como passeio e Pick-up.
Procurou manter originalidade em seu Studebaker 1948 Starligh (foto acima), a nível de zero kilometro, impecável, como faz com os outros. Os demais carros foram transformados em Hot, modificando a parte mecânica para atual, mas preservado a maior parte de sua estrutura original.
 Ferretti passou a ser o maior incentivador da marca Studebaker no Brasil através do seu trabalho de recuperação, restauração e divulgação da marca, incentivando outros a restaurar e levar seus carros nos encontros a nível Brasil, que até então estavam escondidos. (www.studebaker.com.br).
 A foto do Studebaker do senhor Ferretti foi feita no Encontro de Carros Antigos 2010, em Águas de Lindóia, SP. A obra é do blogspot Palace Garage V8. 
 Mas não é somente o senhor Ferretti o fascinado pelo Studebaker. No 3o Encontro dos Amigos do Carro Antigo, em Jaguariúna, SP, apareceu também o senhor Araripe Braga, de Amparo, que achou que o encontro foi bem interessante. “Como eu restauro carros, comecei a me interessar por veículos antigos há quatro anos. A caminhonete Studebaker tem toda uma história, pois estava abandonada, eu restaurei, e passou então a ter um grande valor sentimental”, explica. O evento contou com a presença de Carlos Miranda, o famoso ator da série de TV Vigilante Rodoviário - e que acabou se transformando num policial rodoviário de verdade, que trouxe o carro da série. Ele pousou para fotos e deu muitos autógrafos. O encontro teve apoio da prefeitura. (www.jaguariunaonline.com.br)

A história do Studebaker


Studebaker light six - 1921

Studebaker-r-series - 1950

Studebaker Transtar - 1957

Studebaker Avanti - 1961
  Os irmãos Studebaker fabricavam carruagens, carroças e equipamentos desde 1852. Meio século depois passaram a produzir automóveis elétricos, que logo ganhariam motor a combustão. Em seu tempo áureo, nos anos 30 e 40, a marca foi a mais dinâmica dos Estados Unidos. Fez sucesso com o Champion de 1939 e introduziu um dos primeiros carros americanos do pós-guerra, em 1946: o Champion desenhado por Raymond Loewy e Virgil Exner.
 Considerado um dos 100 Americanos Mais Influentes do século XX, Loewy fora responsável, entre outros projetos, por uma reestilização (em 1954) da garrafa de Coca-Cola que ganhou o mundo, e pelo interior do Air Force One, o avião dos presidentes dos Estados Unidos. Em parceria com Bob Bourke, desenhou para a Studebaker os modelos Starliner e Starlight 1953, tidos como dois dos mais belos carros que o país já produziu.
 Na metade da década, porém, a empresa de South Bend, estado do Indiana, ia mal. O compacto Lark lançado em 1959 trouxe certo alívio, mas o mercado saturado de opções logo freou as vendas. A empresa sabia que precisava diversificar sua oferta para se reerguer. Um novo presidente, Sherwood Egbert, foi trazido de fora da indústria automobilística para conduzir o processo.
 Egbert gostava de carros e acreditava que a marca deveria produzir um modelo esportivo e de estilo europeu. Depois de folhear revistas importadas em um aeroporto de Chicago e rabiscar alguns esboços, em 9 de março de 1961 ele contatou Loewy para que executasse o projeto.
 Duas semanas depois saía dali um modelo em clay (argila), em escala 1:8. Egbert aprovou-o e teve início a elaboração da base para um protótipo de clay em escala natural e outra para o interior. Até então o carro não tinha nome: alguns se referiam a ele como "carro Q" ou "modelo X", e o próprio Loewy usara logotipos do Lark em seus desenhos. E entre várias sugestões, o carro acabou sendo batizado de Avanti, nome italiano que instiga a avançar...para frente!...E era isso que a empresa precisava.
 O modelo em escala natural foi terminado em 27 de abril -- cerca de 40 dias depois do primeiro contato com Loewy! No mesmo dia foi apresentado à diretoria e aprovado - fosse pela qualidade do trabalho, fosse pelo entusiasmo com que Egbert via no Avanti a solução para a crise da Studebaker.
 O Avanti nas pistas, mesmo com compressor, não servia para as corridas - mas seu formato aerodinâmico era adequado a recordes de velocidade, devidamente repotenciado. Andy Granatelli, presidente da Paxton e entusiasta do carro, e seus irmãos Vince e Joe prepararam um para correr nos famosos lagos salgados de Bonneville, em Utah. Com cilindrada aumentada para 4,9 litros, o Avanti estabeleceu dois recordes: 270,5 km/h na milha lançada, em dois sentidos, e 148 km/h na aceleração de 0 a 1.609 metros (uma milha).
 Para chamar atenção ao lançamento da linha 1964, a Studebaker preparou novo espetáculo de velocidade, e o carro conseguiu nada menos que 315 km/h no quilômetro lançado. Outro Avanti, com o motor 289 e compressor, que havia realizado duas viagens muito rápidas de costa a costa dos Estados Unidos, foi aos lagos salgados de Bonneville e chegou a 235 km/h com os mesmos motor e pneus. A Studebaker obteve 72 recordes de velocidade com 12 carros em cinco dias.
 A empresa também ofereceu o Avanti como prêmio em um popular programa de TV, The Price Is Right, mas nada disso ergueu as vendas do modelo e a situação da Studebaker. Aos 3.834 exemplares da linha 1963 somaram-se apenas 809 do modelo 64. Egbert, com câncer, deixou a empresa em outubro de 1963 e em dezembro a produção do Lark foi transferida para Hamilton, Ontário, no Canadá - e a do Avanti descontinuada.
 A empresa foi vendida, passando por várias mãos, até ser adquirida em abril de 1986, por Mike Kelly, que após 350 exemplares do Avanti produzidos,  vendia a empresa a seu sócio John J. Cafaro, que desenvolvia shopping-centers. Ela agora se chamava Avanti Automotive Corporation. Mas, vitimado pelas exigências governamentais de testes de impacto (crash-tests) e de emissões, que custavam muito para uma empresa tão pequena, o novo Avanti durou até 1991, quando teve a produção interrompida. Com as 297 unidades feitas por Cafaro, o total chegava a 8.120 automóveis.
 Quando o projeto de Loewy, criado para a Studebaker, parecia ter mesmo passado à história, surgiu um novo aficionado interessado em ressuscitá-lo. Em 1995, Jim Bunting convidou Tom Kellogg, que participara do projeto inicial, para reestilizar o Avanti. Tentou aplicar a carroceria do clássico modelo a chassis de cupês tão variados quanto Cadillac Eldorado, Acura Legend, Lexus SC 400, Pontiac Firebird, Chevrolet Corvette e Camaro. O Firebird foi escolhido pelas dimensões e formato mais adequados. Unidades de pré-série foram apresentadas nos Salões de Los Angeles e Chicago de 2000.
 Assim, 98 anos depois que os irmãos Studebaker produziram seu primeiro automóvel e quarenta anos depois que Loewy e seus assistentes reuniram-se para o acelerado projeto do Avanti, o espírito e os desenhos desses clássicos norte-americanos permanecem vivos, passando de mão em mão entre entusiastas que não querem vê-los, jamais, como  meros ícones do passado, como demonstrado em 2000. E a Studebaker marcou para sempre seu nome nos anais da história do automobilismo.

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