Um dos maiores vultos
da história latino-americana, Simón Bolivar comandou as revoluções
que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador,
Peru e Bolívia. Nunca um homem fez tanto pela América Latina
e nem em tão pouco tempo, pois morreria com apenas 47 anos, como
Simón Bolívar.
De descendência
aristocrática, Simón José Antonio de la Santísima
Trinidad Bolívar Palacios y Blanco nasceu em 1783. Recebeu excelente
educação de seus tutores e conheceu obras filosóficas
greco-romanas e iluministas. Aos nove anos perdeu os pais e ficou
sob a tutela de um tio, que o enviou à Espanha, aos 15 anos, para
continuar os estudos.
Na Espanha ele conheceu
e se enamorou de María Teresa Rodríguez del Toro y Alayza,
com qual se casaria em 1802. Mas, para a tristeza do jovem, que até
então nem imaginava sua grande missão na Terra, pouco depois
do casal voltar para a Venezuela, Maria Teresa morreu de febre amarela.
Com a perda de seu grande amor, Bolívar então jurou nunca
mais casar.
Ele voltou à
Espanha em 1804 e, viajando pela Europa, presenciou a proclamação
de Napoleão Bonaparte como imperador da França. Mas o jovem
Bolívar, que o admirava até então, perdeu o respeito
por ele, considerando-o traidor das idéias republicanas. Da Europa
Simón foi para os EUA, onde ficou por pouco tempo, e regressou para
a Venezuela em 1807.
No ano seguinte, Napoleão
provocou uma grande revolução popular na Espanha, conhecida
como Guerra Peninsular. Na América, organizações regionais
se formaram para lutar contra o novo rei, irmão de Napoleão.
Toda a península se contorcia como um vulcão prestes a entrar
em erupção. Caracas declarou a independência, e Bolívar
participou de uma missão diplomática à Inglaterra.
O jovem que mais tarde
seria chamado O Libertador, já estava, talvez sem saber, começando
a trilhar a estrada dos grandes revolucionários da História.
Voltando da Inglaterra, fez um discurso em favor da independência
da América espanhola. Em 13 de agosto de 1811, forças patriotas,
sob o comando de Francisco de Miranda, venceram em Valência. Mas,
no ano seguinte, depois de vários desastres militares, os dirigentes
revolucionários entregaram Miranda às tropas espanholas.
Então Bolívar
escreveu o famoso "Manifesto de Cartagena", sustentando que Nova Granada
deveria apoiar a libertação da Venezuela. Em 1813, aos 30
anos de idade e já comandando forças militares, Bolívar
invadiu a Venezuela e foi aclamado Libertador. Em junho do mesmo ano, tomou
Caracas e, em agosto, proclamou a segunda república venezuelana.
Simón Bolívar e seu exército eram como um furacão
devastador, vencendo o dominador batalha por batalha e livrando países
latino-americanos de suas mãos.
Em 1819, Bolívar
organizou o Congresso de Angostura, quando foi então fundada a Grande
Colômbia (federação que abrangia os atuais territórios
da Colômbia, Venezuela, Panamá e Equador), a qual nomeou Bolívar
presidente. Após a vitória de Antonio José de Sucre
sobre as forças espanholas em 1822, o norte da América do
Sul foi libertado do domínio espanhol que perdurou por cerca de
4 séculos.
Em julho de 1822,
Bolívar planejou com José de San Martín a estratégia
para libertar o Peru, mais ao sul. Em setembro de 1823, ele e Antonio José
de Sucre chegaram a Lima para planejar o ataque. Em agosto de 1824, derrotaram
o exército espanhol. Em 1825 Sucre criou o Congresso do Alto Peru
e a República da Bolívia, que recebeu o nome em homenagem
a Bolívar. Um ano depois acontecia o famoso Congresso do Panamá,
a primeira conferência hemisférica, concebida pelo Libertador.
Mas, a partir do ano
seguinte, houve uma reviravolta não esperada, com guerras entre
os próprios países recém-libertados, tudo devido a
rivalidades pessoais entre os generais da revolução. A revelia
de Bolívar e Antonio José de Sucre, responsáveis pelas
derrotas dos espanhóis, eclodiram guerras civis na Grande Colômbia.
E, não bastasse isso, em 25 de setembro de 1828, em Bogotá,
Bolívar sofre um atentado, que ficou conhecido como "Conspiração
Setembrina". Bolívar saiu ileso graças à ajuda de
sua companheira, Manuela Sáenz. E as coisas pioraram ainda mais
no ano seguinte, com a declarada guerra civil entre os povos libertados,
o que, certamente, jamais deve ter passado pela cabeça de Bolívar
e de Sucre. Seu sonho da Grande Colômbia se desfacelou, com cada
país querendo sua própria independência. Venezuela
e Colômbia se separaram; o Peru aboliu a Constituição
bolivariana; e a província de Quito tornou-se independente, adotando
o nome de Equador.
Simón Bolívar
teve um sonho de ver a América livre do jugo espanhol e unida. Lutou
por isso e conseguiu concretizar seu sonho. Mas ele acabou tão rápido
como rápida foi sua existência. Desanimado, acuado e tuberculoso,
o Libertador morreu em 1830, aos 47 anos de idade.
NE - No dia 14 de
Agosto de 1805, no Monte Sacro, em Roma, Simón Bolívar proclamou
diante de Simón Rodríguez e do seu amigo Francisco Rodríguez
del Toro que não descansaria enquanto não libertasse toda
a América do domínio espanhol. Este juramento de El Libertador,
ficou conhecido como o Juramento do Monte Sacro.
Simón Bolívar
também foi um grande defensor da separação dos poderes
entre Estado e religião, posição fortemente influenciada
pelos princípios maçônicos que professava ao lado de
outros libertadores americanos, como Miranda, Santa Cruz e San Martín,
conforme pode se notar no manifesto que lançou em 1824, perante
o Congresso Constituinte da Bolívia. Segue seu histórico
discurso: "Legisladores! Farei agora menção de um artigo
que, segundo a minha consciência, devia omitir. Numa Constituição
política não deverá prescrever-se uma profissão
religiosa, porque segundo as melhores doutrinas sobre as leis fundamentais
estas são as garantias dos direitos políticos e civis, mas
a religião não se integra em nenhum destes direitos, é
de natureza indefinível na ordem social e pertence à moral
intelectual. A religião governa o homem em casa, no gabinete, dentro
de si próprio: ela apenas tem o direito de examinar a sua consciência
íntima. As leis, pelo contrário, têm em vista a superfície
das coisas: governam fora da casa dos cidadãos. Aplicando estas
considerações, poderá um Estado reger a canso ciência
dos seus súditos, velar pelo cumprimento das leis religiosas e atribuir
prêmio ou castigo, quando os tribunas estão no céu
e quando Deus é o juiz? Só a Inquisição seria
capaz de substituí-los neste mundo. Voltará ainda a Inquisição
com os seus archotes incendiários? A religião é a
lei da consciência. Toda a lei sobre ela a anula, porque impondo
a necessidade tira mérito à fé, que é a base
da religião. Os preceitos e dogmas sagrados são úteis,
luminosos e de evidência metafísica; todos devemos professá-los,
mas este dever é moral, não é político"
Acima, tela de Simón
Bolívar - Autoria desconhecida
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