Tudo começou numa reunião de amigos, com Cristiano fazendo
a primeira voz, e a segunda voz, a cargo de Carlos César e, em dado
momento, espontaneamente, eles inverteram os papéis, dentro da mesma
música, sem interrupção! Um "entendimento perfeito",
sem combinação prévia, intuitivo, por assim dizer!
Tal entrosamento animou Carlos César e Cristiano a formarem a dupla!
Ambos
já lutavam bastante por uma carreira artística: Carlos César
como Cantor, Compositor, Letrista, Instrumentista e Produtor, com brilhantes
participações em festivais diversos, tanto na MPB como também
na Música Sertaneja. Carlos César conseguia compor com incrível
facilidade, chegando inclusive a musicar os versos ao mesmo tempo em que
lia a letra da música.
Juntamente
com José Fortuna, Carlos César compôs mais de uma centena
de belíssimas páginas, gravadas por diversos e excelentes
intérpretes. A consagração de Carlos César
como compositor e parceiro de José Fortuna aconteceu por ocasião
do II Festival Record (em 1979, apresentado por Geraldo Meirelles), no
qual os dois compositores conquistaram três primeiros lugares, com
todos os méritos!
Dois
anos depois, em 1981, Carlos César e José Fortuna voltaram
a conquistar o primeiro lugar no mesmo Festival com a composição
"O Vai e Vem do Carreiro" que foi gravada também por Carlos
César e Cristiano.
O
jovem Cristiano, por outro lado, com sua voz excepcional e vibrante, além
de bastante sensibilidade, também desenvolveu de forma brilhante
a arte da oratória. E, segundo alguns apreciadores, parecia que
ele se transportava para outras esferas quando cantava!
Desiludido,
após tantas diferentes tentativas, já quase desistindo de
tudo, Cristiano acabou "tendo a intuição" de procurar por
Carlos César, que já vinha se tornando famoso por suas já
bastante requisitadas composições, inclusive em parceria
com José Fortuna, que, por sinal, também foi um grande incentivador
e "padrinho" da nova dupla que se formava, após ter testemunhado
o maravilhoso entrosamento musical de ambos!
Ambos
de origem urbana, utilizavam a voz ao natural, sem forçar sotaques
nem dialetos (achavam desnecessário os "nóis vai, nóis
vem", tão descabidos na música sertaneja já no início
da década de 1980). Em diversas interpretações podemos
também ouvir um belíssimo "vibratto" a cargo do Cristiano,
em sua belíssima voz, perfeitamente harmonizada com a voz do Carlos
César!
A
dupla chegou a ser conhecida na época como "A Nova Maravilha Sertaneja",
com o modo de interpretar, a instrumentação, o repertório
e o visual bastante original e inovador, sem no entanto ferir o velho estilo
caipira raiz.
No
início da década de 1980, antes mesmo de gravar o primeiro
disco, a dupla já havia conquistado um enorme sucesso, de modo que
havia feito um contrato com o Governo do Estado de São Paulo (até
1982), pelo qual percorreram o Interior Paulista em caravanas diversas,
nas quais eram bastante aplaudidos. Em Novo Horizonte,SP, por exemplo,
a tourneé se prolongou por quase uma semana!
Após
1989, porém, pouco se sabe sobre essa dupla tão harmoniosa
e original e de tão pouca duração, mas que também
ajudou a escrever mais uma página na longa História
da Música Caipira. Carlos César faleceu no ano de 2002. São
desconhecidos até então os rumos tomados pelo Cristiano após
o período de atividade da excelente dupla aqui homenageada. Mas
em 2008 ele voltou com um excelente CD solo, com destaque para Carreiro
Vai e Saudade Vem, em homenagem ao amigo, entre outras belas canções.
Como
curiosidade, vale citar que Cristiano é irmão de Getulio
(Andaraí), cantor sertanejo quase que desconhecido, mas que, pela
história, tem uma importante marca: ele foi o último parceiro
a cantar com Belmonte em show ao vivo. Segundo a família de Belmonte,
ele pretendia formar dupla com Getúlio, ideía que o acidente
na volta do show em Itápolis pôs um trágico fim.
Getulio também já faleceu. Ele formava a dupla Juracy e Marcito
e trabalhava com o apresentador Raul Gil.
(Baseado em dados
do Site A Boa Música, do meu amigo Ricardinho
e informações
do sobrinho de Getulio e Cristiano)
Visual arrojado...
vozes vibrantes...
surge uma nova dupla.
Batalhando o começo...
através de vários
shows.
Momento para relaxar...
e até tirar foto caseira.
Mas na hora do ensaio, toda
seriedade.
Mostrando o trabalho na TV,
com Marcelo Costa...
e no Clube do Bolinha.
E eles se transformam...
nos Cowboys Andarilhos.
A mídia abre todo
espaço...
para Carlos César
e Cristiano.
Dai foi só manter
o sucesso...
soltando a garganta em shows
pelo Brasil...
e também na TV.
Ao visual e às vozes
bonitas...
juntavam-se sucessos e mais
sucessos...
até que, sem ninguém
esperar, muito menos Cristiano, o adeus de
Carlos César em 2002.
Carlos César e
Cristiano – Moça do Carro de Boi e Vai e Vem do Carreiro. Programa Inezita Barroso
– Viola, minha Viola – Cultura – postado por Wilson148148. Presenças da filha
e esposa de Carlos César, Pedro Bento e Zé da Estrada e Mococa
e Paraíso. Revival após morte
de Carlos César em 2002, da apresentação da dupla
no Viola em 92.