Civismo e Revolucionários
Os símbolos da Pátria 
A Bandeira, o selo e o brasão das Armas Nacionais

      Dia 18 de setembro é comemorado o Dia dos Símbolos Nacionais, que oficialmente são a Bandeira, o Selo, as Armas e as Cores (verde, amarelo, azul e branco). É claro, que, mesmo não oficialmente, o Hino Nacional também é um símbolo da Pátria. Historicamente, como não podia deixar de ser, a Bandeira é o maior símbolo de um país.
  Hoje a maioria das escolas já não hasteiam a bandeira e ninguém canta ( grande parte nem sabe de cor) o Hino nacional e nem qualquer outro hino cívico, pois a palavra Civismo parece ter sido extirpada do nosso País. Colonizado e dominado por Portugal, até a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, o Brasil viveu sob a sombra das bandeiras imperiais. Somente em 19 de novembro, quatro dias após a proclamação, é que surgiria nosso maior símbolo: a Bandeira ou o Pavilhão nacional, que ainda hoje tremula orgulhosa, lançando sua sombra de glória por todo o País. Ela foi criada a pedido de vários intelectuais da época da proclamação,  entre eles o grande poeta Olavo Bilac.
   A nossa Bandeira surgiu de um projeto de Raimundo Teixeira Mendes, desenvolvido pelo artista plástico Decio Vilares. O lema Ordem e Progresso foi inspirado no trabalho do filósofo positivista Augusto Comte, e as estrelas, que hoje simbolizam os estados da União, representavam na época, o céu da madrugada de 15 de novembro. Para isso foi consultado o astrônomo Manuel Pereira.

                        Os símbolos nacionais e suas disposições 

BANDEIRA NACIONAL
      O uso da Bandeira é regulado pela Lei Nº 5.700, de 1º de setembro de 1971. A posição da bandeira em eventos deve ser à direita do observador ou no centro, quando forem colocadas outras bandeiras. Com número par de bandeiras,  à direita também. Em recinto fechado em mastro, ela fica também à direita, e desfraldada, acima da cabeça do  presidente da sessão ou evento.  Em funeral e luto oficial, colocada sobre ataúdes. A meio-mastro, quando hasteada.  Em desfiles civis:  desfraldada ou em mastro,destacada à frente das demais. Nas saudações civis, o ato deve ser de pé, descoberto, ou seja, sem chapéu ou boné, em silêncio e com respeito. Desfraldada ao ar-livre, ela deve estar iluminada à noite.  Nas escolas, públicas ou particulares, é obrigatório o hasteamento  solene  da Bandeira Nacional, durante o ano letivo, pelo menos uma vez por semana.

ARMAS NACIONAIS
      É obrigatório o uso das Armas Nacionais no Palácio da Presidência da República e na residência do  presidente da  República; como também nos edifícios-sede dos Ministérios; nas Casas do Congresso   Nacional; no Supremo Tribunal Federal, nos Tribunais Superiores e nos   Tribunais Federais de Recursos; nos edifícios-sede dos poderes executivo,   legislativo e judiciário dos Estados, Territórios e Distrito Federal;  nas  Prefeituras e Câmaras Municipais; na frontaria dos edifícios das  repartições públicas federais; nos quartéis das forças federais de  terra,  mar e ar e das polícias militares e corpos de bombeiros militares, nos seus armamentos, bem como nas fortalezas e nos navios de guerra; na  frontaria ou no salão principal das escolas públicas; nos papéis de  expediente, nos convites e nas publicações oficiais dos órgãos federais.

O SELO NACIONAL
      O Selo Nacional será usado para autenticar os atos de governo, bem como os  diplomas e certificados emitidos pelos estabelecimentos de ensino oficiais  ou reconhecidos.

AS CORES NACIONAIS
      Considera-se cores nacionais o verde e o amarelo. As cores nacionais podem   ser usadas sem quaisquer restrições, inclusive associadas a azul  e branco.  O verde, presente no escudo imperial brasileiro, vem simbolizar nossas  extensas florestas; o amarelo representa, num losango,  as fartas riquezas minerais, a presença do dourado sol da vida e  o símbolo  do poder e da autoridade; o azul é um firmamento resplendente  de estrelas  iluminadoras, as mesmas do céu da proclamação da República, luzes de democracia, de cidadania, de ordem, de progresso, de respeito e de  soberania; e o branco é a paz que prezamos e realça o permanente  anseio que  nutrimos pela concórdia e a disposição para o convívio pacífico.
 E já que enfocamos aqui os ideiais patrióticos que nortearam os grandes nomes do passado, vem a calhar o recente manifesto feito pela Maçonaria do Estado de São Paulo, e que segue abaixo, na íntegra.

Os heróicos revolucionários 

   No entanto, para se chegar à gloriosa madrugada de 15 de novembro de 1889, quando Deodoro da Fonseca foi imortalizado cavalgando seu cavalo branco e proclamando o fim da monarquia, muitos heróis que queriam um Brasil realmente livre de Portugal, foram sacrificados.
  Manoel Beckman e Felipe dos Santos, seriam os primeiros a serem executados por levantarem a voz contra o domínio português, e depois, aquele que se tornaria o maior herói nacional, Tiradentes, verteria também seu sangue por uma pátria livre, se tornando o Mártir da Independência. Mas simbolicamente, a independência do Brasil só aconteceu em 07 de setembro de  1822, quando obteve autonomia política de Portugal. Mas assim mesmo a Pátria brasileira continuou sendo subjugada pela realeza portuguesa, através do regime monárquico.
   Antes da "independência", além de Tiradentes e Felipe dos Santos, outros heróis também derramaram seu sangue por um Brasil livre. Em 1682, Manuel Beckman se revoltou contra a Companhia de Jesus, comandada por padres jesuitas, que monopolizavam o comércio no Brasil. O movimento liderado por Beckman ficou conhecido como a Rebelião do Monopólio. Beckman foi enforcado. Em 1798, o tenente Hermógenes liderava uma revolução baiana contra a monarquia, chamada Revolta dos Alfaiates. Sucumbindo ante o poderio português, morreram os heróis Lucas Dantas de Amorim Torres, João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira e Luiz Gonzaga das Virgens. Todos foram enforcados e esquartejados. Em 1817, acontecia a Revolta dos Mascates. Nesse movimento, foram assassinados Padre Roma das Alagoas e André de Albuquerque Maranhão. Todos os outros líderes do movimento foram enforcados ou fuzilados pelo governo português.
  



 
 

    Mas, mesmo após a independência política de Portugal, o ideal de ver a Pátria livre de vez da realeza portuguesa, continuou a bater forte no coração dos brasileiros, e as revoltas se sucediam - e também as execuções. Assim, em 1823, os irmãos Vinagre e Eduardo Angelim morreram liderando a Cabanagem no Pará; em 1825, Frei Caneca foi fuzilado em Pernambuco por liderar a revolução que ficou conhecida por Confederação do Equador. No Ceará, a revolta era liderada por João de Andrade Pessoa e padre Gonçalves de Albuquerque. Por estarem ao lado deles, também foram executados nessa revolta, os heróis Lázaro de Souza Fontes, Antonio Macário, Agostinho Bezerra Cavalcanti, que era major da chamada Tropa de Negros, Antonio do Monte Oliveira, Nicolau Martins Pereira, James Rodgers, João Gulherme Ratcliff, João Metrowitch e Joaquim Loureiro.
 
 


 
 

   Em 1835, Bento Gonçalves liderava a Revolução Farroupilha, da qual participaram Giuzeppe Garibaldi e a heroina Anita Garibaldi. Dois anos depois, em 1837, acontecia na Bahia o movimento revoltoso conhecido como Sabinada, liderado por Francisco Sabino da Rocha Vieira e Sérgio Veloso. Eles só escaparam da execução porque D. Pedro II estava assumindo o poder. Pouco depois de 1840 era a vez dos revoltosos contra a monarquia começarem um movimento no Maranhão, conhecido como Balaiada, liderado por Raimundo Gomes, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira e o Preto Cosme. Em 1842, os dois primeiros líderes foram presos e somente Preto Cosme foi enforcado.  Finalmente, em 1849, foi a vez da Insurreição Praieira em Pernambuco. Baseados na insurreição operária de 1848, na França, e em artigos do jornalista Luis Inácio Ribeiro Roma, acontecia mais uma revolução contra a monarquia, liderada por Nunes Machado, Pedro Ivo, Borges da Fonseca e João Roma. 
 
 

    Mas, mesmo após a queda da monarquia, o ideal da liberdade total do homem ainda mantinha-se vivo, e em 1893, quatro anos após a proclamação da República, Antonio Conselheiro lidera o movimento chamado de Guerra dos Canudos. O governo federal autorizou os municípios a cobrarem impostos dos cidadãos e os editais da cobrança foram afixados em portas de Câmaras e Prefeituras. Antonio Conselheiro, revoltado, arrancou os editais e os queimou. Muitas pessoas, tanto de um lado, quanto do outro,  perderam a vida nessa revolta  que permanece, ao lado do massacre dos seguidores do beato Lourenço, no Ceará, como um dos episódios mais vergonhosos de nossa história republicana.
   Sem os grandes homens, nada representariam os símbolos. Uns justificam os outros. Temos que respeitar nossos símbolos, pois eles foram erigidos sobre o sangue dos heróis da Pátria. Nesta matéria, além daqueles que deram a vida pelo sonho de liberdade, destacamos outros grandes nomes também, que de uma forma ou outra, devem ser respeitados também como símbolos nacionais: Alberto Santos-Dumont, o pai da aviação, Ruy Barbosa, o Aguia de Haia, pela sua luta contra a escravidão, Zumbi dos Palmares, Silva Jardim,  professor e jornalista, que aos 15 anos de idade escrevia um artigo em prol da liberdade, Castro Alves, Olavo Bilac, Antonio Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, deputado Afonso Arinos, autor da lei aprovada em 1951, contra o preconceito racial, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, comandante João Ribeiro de Barros e Chico Mendes. Todos estes deixaram marcados seus nomes na História, lutando pela Liberdade ou contra as Injustiças praticadas pelos dominadores.
 
Marechal Deodoro, o herói da República e primeiro presidente dela. Chico Mendes, o último herói? 
Desenhos acima, na sequência. Frei Caneca, Bento Gonçalves e Preto Cosme. (Autoria desconhecida)

Fontes: Abril Cultural -  Jornal dos Amigos - Jornal da Barra - site do Governo
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