Edelweiss
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Os
horrores
do
Holocausto
através
dos
olhos
de uma
criança
e
do
som de
uma
linda
canção...
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Gentilmente cedido ao
Gente da Nossa Terra por Edison Piazza
Nossa história inicia no
ano de 1939, pouco antes do começo da Segunda Guerra Mundial...
Vivíamos na Áustria, um país coberto por flores, eu,
meus pais e meu irmão. Éramos a imagem da família
feliz e unida e entre nós reinava a certeza que nada na vida conseguiria
nos separar. Mas não foi bem assim...
Meu pai era um cirurgião
de renome, minha mãe professora daquelas dedicadas, que lecionava
por puro amor aos seus alunos... |
Eu tinha então dez anos
e meu irmão quinze. Nossos dias e nossas noites eram muito alegres.
Meus pais tinham o hábito de nos levarem até a varanda de
nossa casa após o jantar para vermos as estrelas e enquanto fazíamos
isso, cada um ia contando as coisas boas que havia acontecido no seu dia...
Não que não pudéssemos
contar as ruins, mas é que naquela época das nossas vidas
só aconteciam coisas boas. Não me recordo de algum dia ter
visto um deles triste...
Depois que contávamos tudo
e que admirávamos bastante as estrelas, cantávamos ao som
do violão do meu irmão. A primeira música sempre era
Edelweiss, linda, sonora, trazia paz aos nossos corações... |
Ah! como era bom cantar Edelweiss
junto da minha família e debaixo das estrelas, eu tinha a sensação
que poderia fazer aquilo a vida toda sem jamais enjoar...
Mas, enfim, o tempo foi passando e veio
a guerra e só se ouvia falar em Hitler e eu não entendia
bem que homem era aquele, nem o que ele representava e então eu
continuava todas as noites olhando para as estrelas junto das pessoas que
eu mais amava...
Um dia, um terrível dia de dezembro
que jamais esquecerei, tivemos que partir. Me lembro que meu pai veio até
nós e nos disse delicadamente:
"Vamos ter que passar algum tempo sem
ver as estrelas no céu“...
Fomos covardemente arrancados de nossa
casa por soldados, fomos levados a um local que viria a ser a nossa nova
casa, chamava-se Campo de Concentração... |
Auschwitz - Alemanha
- Entrada da câmara de gás
Lá não fomos felizes
e lá eu pude ver pela primeira vez o semblante da minha família
triste, nem pareciam aquelas pessoas adoráveis que conviviam comigo
naquela varanda...
Todas as noites eu dizia à minha
mãe que queria ver as estrelas, cantar sob elas e ela me respondia
com lágrimas nos olhos que durante um pequeno período a única
estrela que eu poderia ver era a que eu trazia pendurada no pescoço,
de seis pontas, tão linda quanto as que brilhavam no céu...
Acontece que minha mãe se enganou,
não foi um período tão curto assim que ficamos por
lá e com o tempo foram me levando muito mais coisas além
das estrelas do céu; foram me levando tudo...
Levaram-me a estrela do pescoço
também, levaram meus pais para um banho do qual eles nunca mais
voltaram...
Levaram meu irmão dentro
de um trem que eu nunca soube para onde foi, levaram o meu sorriso, a minha
alegria de viver, levaram a minha infância...
Só não levaram a minha
voz e por isso, todas as noites ao deitar, eu fechava os olhos e cantava
baixinho Edelweiss e aí eu podia ver as estrelas, o meu pai, a minha
mãe, o meu irmão, a varanda da nossa casa. A minha imaginação
eles também não conseguiram levar... |
Auschwitz - Interior
da câmara de gás e parte do pátio do campo de concentração
Hoje eu tenho a absoluta certeza
que realmente eu nunca teria me cansado de cantar na varanda com a minha
família, que eu, de forma alguma, abandonaria o meu país,
que minha mãe foi a pessoa mais doce que eu conheci, que meu pai
foi a imagem da dignidade, que meu irmão foi o meu grande companheiro
e que tocava violão como ninguém...
Hoje eu sei a verdadeira razão
das lágrimas de meus pais ao se despedirem de mim, apenas porque
iriam tomar um banho e o motivo do abraço tão apertado que
meu irmão me deu naquela tarde em que foi colocado dentro daquele
trem... |

Hoje eu sei de tantas coisas que
eu não queria saber, sei que os homens podem agir como animais ferozes.
Sei que raças, credos, religiões, são apenas subterfúgios
que os homens usam para deixar o leão que existe dentro deles despertar...
Hoje eu sei que o tempo é
poderoso, mas não tão poderoso a ponto de apagar qualquer
coisa que tenha sido muito boa ou muito ruim...
Hoje eu sei finalmente, que a “saudade”
é o Campo de Concentração do coração...
Hoje eu sei que o maior tesouro
que existe na vida é a PAZ! |
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A
estrela de 6 pontas
a
que a narrativa se refere,
é
a Estrela de Davi,
símbolo
nacional de Israel.
(Nota
do editor)
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Música
Edelweiss
- Kolonel e coral
Produção
e Imagens
Edison
Piazza - Piracicaba Brasil
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