À procura da Felicidade


 
 

 O que é a sorte? O que é a felicidade? Uma esperança, um estado de espírito ou literalmente, ganhar na loteria? Milhares de pessoas buscam respostas para estas perguntas e procuram a sorte, pois acham que através dela é que serão felizes. Mas ninguém tem a resposta. Pode haver um rico infeliz e um pobre feliz? Claro. Acontece. Então riqueza não é felicidade. Felicidade é um estado de espírito. Será?

 É muito difícil um pobre miserável, vendo um filho passar fome, ter espírito para ser feliz; ou um rico, vendo seu filho morrendo com uma doença incurável, ficar impotente, malgrado toda sua fortuna. Então a felicidade está aonde? É falta de sorte. Se aquele pobre tivesse a sorte de conseguir um bom emprego, se aquele rico tivesse a sorte de encontrar uma cura para seu filho, aí sim, eles seriam felizes!

 É preciso sorte então. Mas, onde achá-la? Nos astros, nas cartas, nos patuás, com os gnomos ou na religião? Descubra sua sorte através dos horóscopos... Não, ela está nas cartas de tarô. Que nada! Se você usar um amuleto... E os gnomos? E os duendes? Eles dão uma sorte! Não, tudo é besteira! A sorte está na religião. Vá à igreja, consulte os horóscopos, compre uns bonequinhos, use um amuleto e não esqueça de ter pensamento positivo!

 Aliás, você já notou que, quantos maiores os problemas, a miséria, as pessoas tendem a ficar místicas? Quanto mais problemas existem num país, principalmente os financeiros, como no Brasil, mais as editoras vendem livros de pensamento positivo, sucesso rápido, felicidade a seu alcance e outras baboseiras. Isso sem falar das raspadinhas, lotecas e baús da vida, que só deixam ricos os seus inventores.

 E as migrações religiosas então, nem se fala. Pessoas viram “crentes” de repente, em busca da felicidade e do sucesso; religiosos deixam suas igrejas em busca de “terreiros”, pois acham que a igreja não irá resolver os seus problemas; as peregrinações em terras de “santos” milagreiros aumentam e assim por diante.
Algumas religiões acenam com curas milagrosas e enriquecem seus líderes, outras prometem uma futura terra paradisíaca, se esquecendo que quem está passando fome precisa de solução aqui e agora, e não no porvir. 

 Ah, você se curou? Resolveu seus problemas? Milagre! No meio de tantos infortunados, só você alcançou a bênção. Então outra pessoa pode pensar: “Deus é injusto” Nada disso. É um problema de fé. A fé move montanhas! E você é um privilegiado, pois entre tantas pessoas, tem tamanha fé. Mas fé em quê ou em quem? Em Deus? Nos gnomos? Em horóscopos? Na Aparecida?...

 Daí voltamos ao ponto inicial. Para ter felicidade é preciso ter sorte. Pra ter sorte é preciso ter fé. Mas, e a fé? É a igreja que dá pra gente? São isotéricos? Ou é uma coisa que vem de dentro da gente? Bem, se vem de dentro, voltamos ao estado de espírito. Mas, gozado... Você já viu alguém bem de vida, rico e feliz, falar em fé? Eu conheço muitos caras com “o burro na sombra” e ateus! Então prefiro mesmo é pensar naquele velho ditado que diz que quem nasceu pra vintém, não chega a tostão.

 Além do mais, se você vai à igreja e adora à Deus, apenas pensando em ter sorte, melhorar de vida, não está tendo uma atitude um tanto hipócrita? Deus é o criador, o Senhor do Universo e tem direito à nossa adoração, independente do nosso estado emocional ou financeiro.

 No livro de Gênesis, na Bíblia Sagrada, quando Deus expulsa Adão e Eva do Paraíso, colocou um anjo impedindo-os de voltar. Isso quer dizer que lá dentro é realmente o Paraíso, sem doenças e sem lágrimas. Aqui fora, no nosso mundo sem eira nem beira, a coisa é diferente.

 É como uma pessoa mergulhar no poluído rio Tietê, lá pras bandas da capital. Pode não lhe acontecer nada; pode morrer afogado; pode pegar uma pá de doenças e corre até o risco de ser comido por um jacaré. Assim também acontece com nós, além do Paraíso. Podemos ser felizes hoje e chorar amanhã; podemos ficar doentes; podemos viver até os 90 ou morrer aos 30; podemos ter sorte hoje e azar amanhã. Então, no meio de tudo isso, vivendo nesse chamado Vale de Lágrimas, vale pensar no que diz o sábio Salomão: “Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena”.

 Sendo assim, nada nos resta senão viver até e como Deus estipular. E viver implica em ter uma certa dose de sorte, para não sucumbir ao azar; a ter um pouco de humor para poder rir entre tantas tristezas; a ter um tanto de pensamento positivo - não o dos livros, mas o seu mesmo, real, que busca as coisas boas, que sabe que elas vão acontecer um dia, pois como as desgraças, as coisas boas também fazem parte da vida. Existem gafanhotos, seca e inverno, mas as flores desabrocham lindas na primavera.

 Independente de sua sorte, ame a Deus sobre todas as coisas e a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao homem o que não quer que o homem lhe faça. Trabalhe e não dê seu suor para os discípulos da miséria. Não se maravilhe com o milionário e nem se assuste com o miserável. Seja você mesmo. Forte, confiante, trabalhador e temente a Deus. Aí estará a sua sorte e a sua felicidade!
 


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