O maior frio não
vem de fora, mas de dentro das almas
Colab.
De Ana Lúcia Alasmar
Anciã catadora de
papéis
Foto: jornal Estadão
Conta-se
que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche
de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro.
Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao
redor da qual eles se aqueciam.
Eles
sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou
a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira
de poderem sobreviver.
O
primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco
e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então, raciocinou
consigo mesmo: "Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um
negro". E assim guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.
O
segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber
os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha
que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas
e remendadas. Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com
o seu lucro, pensou: "Eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?
Nem pensar".
O
terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não
havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que
o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático: "É
bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além
disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem".
E guardou suas lenhas com cuidado.
O
quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros
os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Este pensou: "Esta nevasca
pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha.”
O
quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente
para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que
carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões
(ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O
último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das
mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era
curto e rápido. "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho.
Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos gravetos".
Com
estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última
brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente, apagou.
No
alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna,
encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe
de lenha.
Olhando
para aquele triste quadro, o chefe da equipe de resgate disse: "O frio
que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro.”
Portanto,
meu amigo, não deixe que a friagem que vem de dentro mate você.
Abra o seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam.
Não permita que as brasas da esperança se apaguem nem que
a fogueira do otimismo vire cinzas. Contribua com seu graveto de amor e
aumente a chama da vida onde quer que você esteja.
E
não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos,
se não desfalecermos. (Carta do apóstolo Paulo aos Gálatas
6.9).
Portanto
aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está
pecando.
(Carta
do apóstolo Tiago 4.17).
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