Guerra biológica
Um inimigo invisível e letal
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  Em 16 de março de 1988, Saddam Hussein mandou lançar agentes químicos neurotóxicos e vesicantes contra os curdos em Halabja que, em menos de uma hora matou cerca de 5 mil civis.
  Acredita-se que o Egito também tenha usado gases químicos contra os partidários do rei na Guerra Civil do Yémen, assim como existem suspeitas de que, depois de 1970, países africanos utilizaram gases químicos. A Rússia admitiu o uso de gases no Afeganistão. 
 Desde Caim, que matou seu irmão Abel, o homem sobre a face da Terra adquiriu o ódio, gerado pela intolerância, preconceito, ganância e por pura estupidez.
  Assim, reinos lutavam contra reinos, um procurando dominar o outro, até chegarmos à Idade Média, quando a guerra, de estúpida e odiosa, passou a ser chamada de “santa”, já que era promovida pela Igreja Católica contra todos os não cristãos.
  E todos os processos da maldade, acima citados, foram se agigantando, até chegarmos à I Guerra Mundial!
 A partir daí, as guerras que eram feitas a paus e pedras, espadas e flechas, lanças e aríetes, foram ganhando maiores status de destruição, até o homem chegar à sua derradeira criação: a arma nuclear, que se não exterminar a Humanidade, levará o remanescente humano de volta às cavernas e às brigas com paus e pedras, como disse Einstein.
 A matéria desta página mostra que não  há parâmetros para a loucura do homem, pois enquanto  procura destruir seu semelhante, ele, cego pela sua insanidade, não percebe que também será destruído. 
 E se os caros leitores e leitoras acham que isso é coisa do passado, enganam-se, pois a maldade do homem não tem fim, assim como sua busca pelo poder absoluto. 
 Uma pessoa pode ter contraído uma doença e não tendo conhecimento do contágio, fazer uma viagem para outro país e levar consigo o agente infeccioso. Inocente ou não? Não sabemos, mas com excessão das armas nucleares, o apogeu  da destruição, o terrorismo e seu parceiro, o bio-terrorismo, é a forma mais covarde de destruição em massa. Só como exemplo, podemos citar o envio de cartas contaminadas, como aconteceu após o 11 de setembro nos Estados Unidos.

Resident Evil

  Existem vários agentes infecciosos como bactérias e vírus que podem ser disseminados com facilidade, como por exemplo, a bactéria s (bacilo) anthrax, e o vírus da varíola, este apesar ser uma doença erradicada no mundo e sua manipulação ser restrita a centros de pesquisa como o CDC em Atlanta/USA, ainda é manipulado em laboratórios não oficiais de países que se dedicam à guerra biológica. 
 Existem microrganismos causadores de doenças que ainda estão em estudo e que podem ser utilizados com fins não pacíficos. Hoje, as condições para diagnosticar uma epidemia, e as condições de controlar a disseminação dos diversos agentes infecciosos torna-se bastante complexo, visto que as aglomerações urbanas, pobreza e outros fatores sociais e econômicos são empecilhos graves para contenção de epidemias.

 

A terrível sigla NBC

 Um tipo especial de guerra, abrangido no conceito NBC (Nuclear, Biological and Chemical) voltou, há não muito tempo, a ocupar as manchetes dos principais jornais deste Planeta: a guerra biológica, com toda a sua sutileza de atuação e seus muito letais efeitos imediatos e posteriores.
 Apesar de haver vários métodos de prevenção contra essa terrível guerra de infiltração, onde o exército que a utiliza quase nunca está presente ao teatro de batalha, o elemento surpresa, sob a terrível máscara de invisibilidade que o caracteriza, faz suas vítimas de modo silencioso e traiçoeiro.
 Em um contexto como o apresentado, não há discernimento entre o elemento civil e o militar, pois ambos tombam sob os estranhos efeitos das armas biológicas, seja de maneira direta ou indireta (contaminação das lavouras, de resultados previsíveis apenas para aqueles que utilizam tal tecnologia, pois os antídotos, quando possíveis, levam algum tempo a ser pesquisados e desenvolvidos).
 Para que se entenda a terrível atuação de uma arma de contaminação, deve-se aceitar a idéia de que ela é parte integrante de um contexto bioquímico
de desenvolvimento constante desde seus primórdios, não tão antigos, pois quase todos os ataques conhecidos datam do século passado.
 Hoje em dia, todos os carros de combate de última geração, assim como a maioria dos blindados, contam com o que se convencionou chamar de proteção NBC, constante de elementos que proporcionam vedação, estanqueidade e filtração totais. Além disso, os chamados abrigos antiatômicos também têm recebido proteção semelhante.
 Apesar de guerra biológica e química serem diferentes, é importante que as
duas sejam comparadas dentro do mesmo prisma de observação já que, não raro, as substâncias químicas representam um papel preponderante como veículo de disseminação dos micro-organismos nelas contidos.
 Não nos deteremos em profundas explicações técnicas sobre alguns fatores, tais como proporções, pH, densidades ou vida útil do material em questão. Ênfase será apenas dada aos tipos de substâncias envolvidas e sua ação danosa sobre os seres vivos, sejam eles animais ou vegetais. Além disso, o fator histórico, muito importante, representará importante papel no decorrer desta matéria.
 A guerra biológica propriamente dita se baseia no emprego de micro-organismos ou de seus produtos nocivos para provocar em homens, animais e plantas, diversas lesões, enfermidades ou a morte. Junto a eles e suas toxinas se encontram também as substâncias químicas, principalmente hormonais, para atuar sobre vegetais.
 As denominações "bacteriológicas" ou "biopatogênicas" são incorretas por serem incompletas pois, ainda que os agentes bacterianos constituem na prática as armas mais interessantes deste tipo de guerra, não são os únicos utilizados ou que sejam os únicos suscetíveis de emprego.

De nada servem os organismos internacionais dentro da política da insanidade e maldade

 Como anteriormente descrito sob a sigla "NBC", esta arma de efeitos massivos integra, com a nuclear, a radiológica e a química, o símbolo da guerra moderna.
Desde a convenção de Haia de 1907, proibindo o emprego de venenos e de armas envenenadas, e a de Washington (1922), que repudiavam a utilização de substâncias asfixiantes, venenosas e similares, além da de Genebra, de 1925, que decidiu pela proibição da guerra bacteriológica (confirmada na Conferência Mundial de Desarmamento de 1932), o Direito Internacional tem, em vão, tentado impor seus preceitos. A "guerra total", constituída, "por atos irremediáveis, definitivos e fatais, que abrangem todo o território", estendeu as guerras modernas a essa "terceira dimensão praticista", cita Sherman Miles, ao declarar que: - Quando o principal obstáculo que encaramos é a firme vontade do inimigo nos parece lógico que cuide-se de destruí-la pelo caminho mais rápido e direto, atacando o moral e a vontade das multidões e também os esforços de produção, não só de material bélico como também aqueles referentes aos meio de vida da retaguarda".
 Nem com a Conferência de Genebra de 1949 nem o Comitê da Cruz Vermelha de 1950, declarando que havia a necessidade de abolir as armas de destruição em massa (corroborando as condenações estabelecidas pelo Congresso Internacional de Microbiologia reunido em Kopenhagen, 1947) logramos poder evitar as acusações de um dos beligerantes na Guerra da Coréia, referentes ao emprego, por seu oponente, de armas químicas e nem dos indícios apontados de guerra bacteriológica.
 A análise das características marcantes dos últimos dois conflitos mundiais e de algumas guerras subseqüentes onde foram empregadas armas biológicas, nos conduz a pensar que tais armas deverão ter papel preponderante em alguns dos futuros embates entre nações, devido às considerações que se seguem:
1) A vitória não dependeria exclusivamente do gênio ou capacidade estratégica do chefe de uma nação nem da potência bélica dos exércitos que ele usaria.
2) O êxito se derivaria da somatória dos fatores anteriores, do rendimento de uma ciência poderosa e também de uma indústria em franco desenvolvimento, capaz de produzir em quantidade e qualidade os elementos que a arte militar exige em tão críticas circunstâncias.
3) A intervenção da população civil na retaguarda, indispensável ao bom resultado e êxito da empresa que o combatente desenvolve: sua desmoralização e paralisação, ao se reduzir ou limitar o abastecimento de tais elementos fundamentais, repercutiria ostensivamente na eficiência que se procura no comando das zonas de operação.
 Tudo isso nos leva a crer que surgiria então a necessidade de desencadear uma guerra-surpresa e de efeitos rápidos, recorrendo-se a uma ação total sobre o país agredido, de modo a ocasionar um brusco colapso em suas principais fontes de riqueza e de produção.
 A possibilidade de atacar insidiosamente zonas vitais previamente, sem que tal ação seja considerada como desencadeadora de uma guerra, assumiu ares de naturalidade após a publicação, nos Estados Unidos, de um manual entitulado "Serviço Sanitário e Defesa Contra Armas Especiais" pelo "Executive Office of the President", em dezembro de 1950. Esta brochura advertia quanto a um inimigo poder empregar a guerra bacteriológica.
 Contudo, a arma em questão não representa nada de novo. Nossa pesquisa indica que seus antecedentes históricos remontam aos tempos faraônicos. Nessa linha de raciocínio, pode-se até pensar que o surgimento de epidemias altamente mortíferas em muitas das guerras antigas não tenha sido apenas obra do acaso, principalmente no que se refere àquelas desencadeadas durante as Idades Média e Moderna, por decisão expressa do adversário: o ataque de peste entre os Cruzados, junto a Jerusalém, tifo durante a reconquista da Espanha; disenteria entre as tropas de Napoleão, frente a Moscou; contágio por cobertores pertencentes a doentes de varíola, como na colonização inglesa da Nova Escócia ou na guerra Franco-Indiana.  Ainda pertencem a esse campo as diversas tentativas para contaminar as águas de rios e fontes com animais mortos. Durante a I Guerra Mundial, sabotadores alemães untaram as fossas nasais dos cavalos dos Aliados com culturas de bacilos, ainda que com pequena eficácia.

I Guerra Mundial


A pintura do artista (desconhecido), mostra soldados e cavalos 
na I Guerra Mundial já usando máscaras contra gases nocivos...

 Foi na I Guerra Mundial que efetivamente começou uma sistematização técnica da guerra biológica. No princípio, eram precárias a eficiência, a regularidade, sendo grande a variação dos efeitos, que diferiam de acordo com o período de incubação do causador de cada enfermidade, a dispersão sobre a população civil e sobre as próprias tropas, além da dificuldade em manter secretos o preparo e a imunização, por vacinas, da massa nacional. Estes fatores faziam com que se tornasse improvável o sucesso de tão grotesca arma, opinião sustentada posteriormente também por vários cientistas.
 Nos anos 50, ocorreu o Processo de Kabarovsk, onde os chineses acusaram os japoneses da utilização de ensaios científicos nesse campo. Na mesma época, os chineses também lançaram acusações aos americanos quanto à Guerra da Coréia.
 Em 1947 foi provado que a União Soviética havia utilizado tais artifícios, provocando a última epidemia de cólera no Egito, causando 20.000 casos com 10.000 mortes.
Em 1952, os Estados Unidos foram denunciados pela China Comunista quanto a uma violação do espaço aéreo com conseqüente agressão biológica que se estendeu até Tsingtao e outras regiões, sob a forma de lançamento de ratos e pulgas com peste, assim como de produtos contaminados por cólera e salmonelas de grande poder epizoótico.
 Convém lembrar que os Estados Unidos não ratificaram o tratado do protocolo de Genebra, assim como os russos, sob a alegação de que se reservam o direito de responder a uma eventual guerra biológica, no caso do inimigo utilizar tais métodos em primeiro lugar...
 Na atualidade temos vários exemplos do uso de tais artifícios, como por exemplo, o desfolhamento amarelo aplicado pelos Estados Unidos no Vietnã, algumas tentativas russas no Afeganistão e, mais recentemente, ataques biológicos na conturbada e arrastada guerra Irã-Iraque, comprovados por observadores internacionais.
 É claro que o poder da imprensa e das comunicações nos dias de hoje faz com que se preste mais atenção através da mobilização da opinião pública mundial, o que nos leva a crer que no passado muitos outros casos, não relatados, tenham feitos mais vítimas do que se pode imaginar.

A inteligência do homem 
a serviço da destruição

 Todos os seres vivos microscópicos, em geral, possuem certa capacidade de modificar comportamentos, bioquímicos ou não, do hospedeiro. Alguns desses micro-organismos possuem características agressivas ou infectantes, tais como bactérias, vírus, protozoários, fungos, toxinas e similares, assim como insetos e pequenos animais veiculadores específicos.
 As bases da guerra biológica estão fundamentadas nos princípios que foram estabelecidos desde Pasteur. Contudo, no que se refere ao homem, a experiência prática é, na maior parte das vezes, nula: antecedentes laboratoriais, sem que se pudesse recorrer a "ensaios de polígono" ou a "campos de tiro", como se faz com armas convencionais, são os únicos meios de testar os componentes biológicos, o que faz com que a experimentação seja muito limitada.
 Os alemães efetuaram ensaios de dispersão atmosférica de bactérias antes da guerra, nos subterrâneos do metrô de Paris, valendo-se de suspensões do bacilo "prodigiosos", totalmente inofensivo, tanto para o homem como para os animais.
 O resultado é que as experiências de laboratório efetuadas sobre animais em uma atmosfera confinada, não têm nenhuma comparação com o que poderia ser feito em grande escala ao ar livre, onde existem várias causas de destruição, e sobre seres humanos acostumados a lutar contra a enfermidade com todos os recursos da higiene, da profilaxia e da terapêutica medicamentosa.
 Os agentes biológicos são muito numerosos. Os micro-organismos, normalmente unicelulares, duram pouco mas, apesar de suas vidas curtas, apresentam uma grande capacidade de proliferação. Dentre eles podemos citar alguns exemplos: as amebas provocam disenteria, doença do sono e malária; os fungos são muito perigosos para a vegetação e até mesmo para o homem e animais em algumas de suas formas mais comuns (como a aftosa); as bactérias, em suas diferentes configurações (bacilos, rickettsias, vírus), provocam a gonorréia, a meningite, a escarlatina, a tuberculose, tétano, paralisia infantil, febre amarela e gripe, entre outras moléstias.
 As toxinas, por outro lado, são secretadas, em alguns casos, por micro-organismos durante seu crescimento, sendo causa direta de enfermidades ao atuar sobre os sistemas muscular e nervoso. Um dos exemplos mais perigosos é o da botulina da carne. As endotoxinas, liberadas quando da morte de alguns micro-organismos, não apresentam tanto perigo.
 Certas substâncias sintéticas podem produzir plantas anãs parasitas, provocar deformações ou destruição de cultivos vegetais. Os hormônios, por sua presença no solo, podem impedir a germinação de sementes ou provocar uma ação desfolhante. Não se trata de processo contagioso e, por isso, demanda pulverização da zona que se deseje atacar.

Guerra biológica ou nuclear...
qual é a mais devastadora?

 Nesse ponto, o leitor já deve estar se perguntando se a guerra biológica é tão ou mais perigosa que a nuclear...Tanto uma como a outra têm poder de extermínio em massa, só diferenciando no tempo de ação e alcance. A biológica leva mais tempo para um extermínio e tem alcance limitado, e a nuclear tem alcance ilimitado e extermínio imediato. Portanto, a nuclear é mais letal - O adendo é do GNT.
 O que se sabe é que, até os anos 50, as enfermidades produziram mais baixas entre combatentes do que as devidas a ferimentos por armas brancas, flechas, projéteis de fuzis e de canhões e granadas.
 A guerra biológica moderna apresenta, teoricamente, a possibilidade de provocar uma "reação em cadeia" em forma de epidemias, seja nas tropas combatentes ou na população em geral, devido às suas características de destruição em massa, ainda que na prática não seja assim tão simples provocar tais epidemias: médicos, veterinários e biólogos consideram necessário para isso que haja um certo número de condições, algumas pouco conhecidas, de ordem climática, higiênica, social e racial, além de variações insólitas e imprevisíveis dos germes.
 O desenvolvimento geográfico de uma epidemia é, comprovadamente, muito heterogêneo, pois certas regiões sucumbem muito antes de outras pelos motivos já mencionados. Tal fato, militarmente, é de grande importância, pois não se pode precisar com toda certeza quando algumas das áreas cairão, fator estrategicamente negativo, isso sem falar na possibilidade de retorno de uma epidemia ao território do país que a teria iniciado, a menos que esse último pudesse fazer uso de medidas profiláticas (o que nesse caso invalidaria todo um processo tático por vazamento de informações, mobilização de massas com intuito de vacinação e cuidados referentes a animais domésticos, freqüentemente vetores de transmissão das moléstias em questão). Resta, portanto, a possibilidade de atacar pessoas, animais ou plantas por via direta, porém com poucos resultados em centros industriais ou em populações civis, ainda que se conservasse o efeito psicológico. Contra tal sistema trabalhariam fatores atenuantes, tais como a provocação de antitoxinas protetoras pela mesma enfermidade ou ainda a resistência orgânica do corpo humano, congênita ou adquirida.
 A grosso modo, pode-se dividir os agentes biológicos de aplicação militar em quatro grupos e dois sub-grupos conhecidos (é claro que deve-se levar em conta que há, em todo o mundo, centenas de cientistas e milhares de técnicos empenhados na produção em massa de novos "bichinhos", tudo sob um manto indevassável de segredo político-militar... ), cujo objetivo é o ser humano:

1) É aquele que emprega como veículo a água ou os alimentos. Neste grupo, contra a cólera e a febre tifóide, basta a esterilização; o cozimento é o suficiente contra a toxina botulínica. Deve-se descartar a disenteria, salmonelas e estéreo-estafilococos devido a problemas relacionados com sua preparação em quantidade, em parte resolvidos, porém sempre passíveis de ocorrer.
2)Grupo de contato direto, como no tipo venéreo, ou indireto, sob a forma de infecções de feridas, carbúnculo, tétano, gangrena gasosa, erisipela, estafilococos, ou ainda por mordedura, como a raiva, tularemia ou meloidiose. As elostrídias patogênicas esporuladas seriam eficazes com lesões teciduais, em forma de feridas de estilhaços contaminados, pois os esporos resistem a altas temperaturas, pressões e detonações se a ação for instantânea. O tétano fica eliminado pela vacinação sistemática das tropas.
3)Grupo transmissível por ar, muito extenso e efetivo: pneumonia epidêmica, gripes, psitacose e tuberculose não necessitam de contato direto. Contra tais agentes podem ser eficientes as barreiras de radiação ultra-violeta e aerosóis germicidas. Aeronaves se prestam bem a esse tipo de disseminação de bactérias desta classe, onde sua associação a nuvens químicas e de fumaça lhes aumenta a eficácia.
4) Grupo transmitido por outros vetores, em ação mecânica como a das moscas (um exemplo é a disenteria), porém são raros os agentes deste grupo que podem ser úteis devido aos requisitos necessários.
 Passemos agora aos sub-grupos, de certo modo comprometidos pelas condições de higiene reinantes na atualidade, muito melhores do que as encontradas nas trincheiras da I Guerra Mundial, porém ainda passíveis de se instalarem em teatros de guerra do terceiro mundo (florestas tropicais, regiões desérticas, condições de pobreza ambiental e velhos costumes e tradições religiosas atravancam, de certa maneira, os processos referentes a socorro imediato e involução de lesões infecciosas). Mesmo assim, analisemo-los: o primeiro diz respeito às pulgas e piolhos, tão comuns em grandes centros urbanos. Compõe este grupo a peste bubônica e o tifo murino (pulga), o exantemático, a antiga "febre de Wolhinia e a "febre de trincheira" (piolho). A não ser pelo murino, os demais são altamente epidêmicos em casos de desnutrição, falta de higiene e abundância de parasitos vetores. Contudo, apresentam baixa eficácia, a não ser em concentrações de tropas.
 O segundo e último sub-grupo é o do pernilongo e do carrapato, que permite estabelecer o impaludismo na zona em questão, o mesmo ocorrendo com a febre espiroquetósica recorrente e com as rickettsias, em determinadas circunstâncias favoráveis.
 Além do até agora descrito, é importante lembrar que existem outros métodos, que apresentam como características os problemas de abastecimento alimentício e industrial e até mesmo de transporte (zooinfecções) e também de processos venenosos ou de intoxicações graves (fito infecções).

Emprego estratégico e tático

 Um agente biológico precisa cumprir certas condições: causar lesões, enfermidades ou a morte em homens, animais ou colheitas; permitir uma produção econômica e em quantidade suficiente; ser estável, tanto durante a produção como na armazenagem e na difusão; apresentar dificuldades na detecção; ter natureza epidêmica; ser de difícil eliminação pelos meios habituais de proteção ou imunização; apresentar diversas vias de acesso ao organismo-alvo; ser de ação rápida e não apresentar efeitos retroativos sobre os que o utilizam.
 Os meios clássicos de lançamento, como bombas, projéteis, granadas, foguetes, campos de minas e reservatórios de dispersão, e os meios não-clássicos como lança-fumígenos ou o emprego de animais ou insetos como portadores não alcançam a eficácia que se consegue através de novos métodos de que podem dispor os responsáveis por ações de sabotagem...
 No campo estratégico, o emprego de agentes biológicos é indicado antes da declaração oficial de guerra, atuando sobre centros militares ou civis; contra a indústria, visando destruir ou diminuir o ritmo de produção, paralisando assim o de guerra; por contaminação do solo; envenenamento da água potável e dos alimentos, mediante atos de sabotagem; destruição de animais domésticos e agrícolas; provocar o pânico e a desmoralização e, finalmente, bloquear os serviços médicos e sanitários.
 Ao se levar a coisa para o campo tático, o emprego de tais agentes torna-se mais difícil pela retroatividade e também pelos períodos quase sempre necessários à incubação. Contudo, o uso é amplamente indicado nas grandes retiradas, nas ações ofensivas na linha de contato quando as tropas agressoras se encontram imunizadas e a incubação é fraca, na ultrapassagem de obstáculos, proteção de flancos, assim como contra ilhas, bases marítimas, posições isoladas do inimigo ou contra seus depósitos ou centros de abastecimento.
 Os procedimentos de proteção contra os agentes biológicos envolvem uma série de medidas a serem tomadas com presteza. Existe uma diferença de tais procedimentos entre os que se devem utilizar nas zonas ditas de operações e aqueles a empregar na retaguarda ou zona do interior.
 As proteções que dizem respeito às zonas do interior requererão cuidados como medidas de previsão (especialmente vigilância), controle dos efeitos e organização do serviço de guerra biológica, com estudos quanto à infectividade, emprego, resistência, sobrevivência, disseminação, transmissão e detecção.
 De tudo que foi dito, depreende-se que o perigo de uma guerra biológica estará sempre presente, malgrado os esforços humanitários praticados por várias entidades ecológicas e internacionais.
 Se a guerra convencional já é algo de assustador, a biológica traz consigo um estigma de destruição com comprometimento de uma e até mesmo de várias gerações posteriores aos conflitos nos quais tais métodos sejam utilizados. Como diria qualquer dos redatores da revista Commando, é preferível estar sob a mira de um fuzil do que à mercê de um inimigo invisível e desconhecido, que ataca sob as mais variadas formas e que não dá chance de defesa nem àqueles acostumados à violência do campo de batalha.

 Texto de Lincoln J. Tendler - Além de apaixonado por assuntos militares, Armas Leves e Pesadas, o autor é doutor em Neurofisiologia - Texto de introdução da redação do GNT
Revista Commando - 1989

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