A
mãe das crianças do Holocausto
Tradução
do Espanhol por Manuel Franco del Castillo - manuelfc2@hotmail.com
Enquanto a figura
de Oscar Schindler era aclamada por meio mundo, graças a Steven
Spielberg, que nele se inspirou para fazer o filme que conseguiu 7 Oscars
em 1993 (A lista de Schindler), narrando a vida desse industrial alemão
que evitou a morte de 1.000 judeus nos campos de concentração,
Irena Sendler era uma heroína desconhecida fora do seu país,
a Polônia, e apenas reconhecida por alguns historiadores, já
que os anos de obscurantismo comunista havia apagado a sua façanha
dos livros de história oficiais. Ela nunca contou a ninguém
nada da sua vida durante aqueles anos.
Em 1999 a sua história
começou a ser conhecida, e foi graças a um grupo de alunos
de um Instituto do Kansas, EUA, e ao seu trabalho de final de curso sobre
os heróis do Holocausto. Na investigação deram com
poucas referências sobre Irena e somente existia um dado surpreendente:
tinha salvado a vida de 2.500 meninos!
Como é possivel
que existisse tão pouca informação sobre uma pessoa
assim?
Mas a maior surpresa
chegou quando após buscar o lugar da tumba de Irena, descobriram
que não existia porque ela ainda vivia, e de fato ainda vive. (Esta
matéria foi feita em 2005, e Irena já contava com 97 anos
de idade - NE).
Hoje é uma
anciã de 97 anos que reside num asilo do centro de Varsóvia,
Polônia, num quarto onde nunca faltam flores e cartões de
agradecimento do mundo inteiro.
Quando a Alemanha
invadiu a Polônia em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de
Bem-estar Social de Varsóvia, no qual cuidava das salas de
jantar comunitárias da cidade.
Em 1942 os nazistas criaram
um gueto em Varsóvia e Irena, horrorizada pelas condições
como se vivia naquele lugar, uniu-se ao Conselho para Ajuda aos Judeus.
Conseguiu identificações
da oficina sanitária, sendo que uma das tarefas era a luta contra
as doenças contagiosas. Como os alemães invasores tinham
medo de que se desencadeasse uma epidemia, aceitavam que os poloneses controlassem
o lugar. Logo ela entrou em contato com famílias às quais
se oferecia para levar os filhos com ela para fora do gueto.
Mas não podia
dar garantias de sucesso. Era um momento horroroso, tinha de convencer
os pais de que lhe entregassem seus filhos e eles perguntavam-lhe:
"Pode prometer que meu filho viverá"?...
O que poderia prometer
quando nem podia saber se poderiam sair do Gueto? E a única
coisa certa era que os meninos morreriam se permanecessem ali. As mães
e as avós não queriam separar-se de filhos e netos. Irena
as entendia perfeitamente e, naquele então, ela era mãe.
De todo o processo que ela levava a cabo com os meninos, o mais duro era
o momento da separação.
Algumas vezes, quando
Irena ou suas companheiras tornavam a visitar as famílias
para tentar fazê-las mudar de opinião, ficava sabendo que
todos tinham sido levados ao trem que os conduziria aos campos de
extermínio. Cada vez que isso acontecia, ela lutava com mais força
para salvar as crianças. Começou a tirá-las em ambulâncias
como vítimas da tifus, mas logo a seguir se valeu de tudo
o que estivesse ao seu alcance para escondê-las e tirá-las
dali: cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias,
sacos de batatas, ataúdes... Nas suas mãos, qualquer coisa
se transformava numa via de escape.
Conseguiu recrutar
ao menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar
Social. Com a ajuda dessas pessoas elaborou centros de documentos falsos,
com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária aos meninos
judeus.
Irena vivia os tempos
da guerra pensando nos tempos da paz. Por isso não se cansava de
manter com vida esses meninos. Queria que um dia pudessem recuperar seus
verdadeiros nomes, sua identidade, suas histórias pessoais, suas
famílias. Foi quando criou um arquivo que registrava os nomes dos
meninos e as suas novas identidades.
Anotava os dados em
pedaços pequenos de papel que enterrava dentro de potes de conserva,
debaixo de uma macieira, no jardim do seu vizinho. Guardou, sem que ninguém
suspeitasse, o passado de 2.500 meninos... até que os nazistas foram
embora.
Mas um dia os nazistas
souberam das suas atividades. Em 20 de Outubro de 1943, Irena foi detida
pela Gestapo e levada à prisão de Pawiak onde foi brutalmente
torturada. No colchão de palha da sua cela, encontrou uma estampa
de Jesus Cristo. E ficou com ela como resultado de uma casualidade miraculosa
naqueles duros momentos da sua vida, até o ano de 1979, em que
se desfez dela dando-a de presente a João Paulo II.
Irena era a única
que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que albergaram
os meninos judeus. Suportou a tortura e se recusou a trair seus colaboradores
ou a qualquer dos meninos ocultos. Quebraram-lhe os pés e as pernas,
além de outras inúmeras torturas. Mas ninguém
conseguiu romper a sua vontade. Foi sentenciada à morte. Uma sentença
que nunca chegou a se cumprir, porque a caminho do local da execução,
o soldado que a levava a deixou escapar. A Resistência o tinha subornado
por que não queriam que Irena morresse com o segredo da localização
dos meninos.
Mas, oficialmente,
ela constava das listas dos executados. A partir de então, continuou
trabalhando, mas com uma identidade falsa. No final da guerra, ela mesmo
desenterrou os vidros de conserva e fez uso das anotações
para encontrar as 2.500 crianças que colocou
com familias adotivas. Ajuntou
muitas delas aos seus parentes, ainda vivos, espalhados por toda Europa,
mas a maioria tinha perdido as suas famílias nos campos de concentração.
Os meninos só a conheciam pelo apelido: JOLANTA.
Anos mais tarde,
quando a sua história saiu num jornal, junto com fotos suas
da época da guerra, diversas pessoas começaram a contactá-la
para dizer: "Lembro de seu rosto... sou um daqueles meninos, lhe devo a
minha vida, meu futuro, e gostaria de vê-la"!
Irena tinha no seu
quarto fotos com alguns daqueles meninos sobreviventes ou com filhos deles.
Seu pai, um médico que faleceu quando ela ainda era pequena, lhe
fez memorizar o seguinte: "Sempre ajude a quem estiver se afogando, sem
levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia
a alguém, tem que ser uma necessidade que saia do coração"!
De acordo com a matéria
e o PPS desenvolvido por causa dela, Irena vive há anos numa cadeira
de rodas, por causa das lesões causadas pelas torturas dos monstros
da Gestapo.
Ela não se
considera uma heroína e nunca reinvidicou crédito algum pelas
suas ações. "Poderia ter feito mais",
responde, sempre que se lhe pergunta sobre o tema. E conclui:
"Este lamento me acompanhará
até o dia de minha morte!"
Não se planta
sementes de comida. Planta-se sementes de bondade. Tratem de fazer um círculo
de bondade, pois ele os rodeará e os fará crescer mais e
mais!
Irena Sendler
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