A dupla que
melhor reviveu
Belmonte e Amarai
Como jornalista amarelecido, escritor
desconhecido e poeta indefinido, o que eu mais gosto é de falar
de gente. De gente da nossa terra. De gente que faz. De gente que dia ou
outro acaba virando história, e aqui ou em outra dimensão,
tem sua memória eternizada através daquilo a que se dedicou
com amor. E que são justamente as pessoas que estão aqui,
no Memória Viva.
Eu ia escrever agora sobre meu
amigo Joilton, mas vou deixar a palavra com aquele que foi seu parceiro
por rápidos 4 anos, mas que, mesmo em tão pouco tempo, via
em Joilton muito mais que um amigo ou parceiro. Ele via - e sempre irá
ver em Joilton um verdadeiro irmão. Então deixo com vocês
o próprio João Paulo (Oscar), falando sobre o inesquecível
Joilton...
" Caro amigo Sérgio, conforme
combinamos estou enviando em anexo, fotos dos troféus que ganhei
junto com o Joilton (como a dupla Joilton & João Paulo) nas
cidades de Bocaina, Avaré, Jaú, Bariri, Itapuí, Lucianópolis,
Botucatu entre outras, onde em algumas, embora nossa dupla ganhasse
em 1º lugar, somente foi oferecido prêmio em dinheiro, e não
troféus.
A dupla "Joilton & João
Paulo", surgiu em meados de 1998, quando nos conhecemos em um churrasco
de aniversário de um amigo, cantamos uma música juntos e
alguns amigos que estavam ali gostaram muito e nos incentivaram. Passamos
a cantar em um programa de rádio em Igaraçú do Tietê,
transmitido pela Radio Emissora da Barra ao vivo todos os domingos, que
tinha o nome de "Fumaça na Varanda" apresentado pelo amigo "Fumaça"
e, através deste programa, recebemos convite para participar em
um festival na cidade de Jaú, concorrendo em três eliminatórias
com mais de 60 duplas de toda a região e tivemos a felicidade de
ganhar o 1º lugar com a música Mercedita gravada por Belmonte
e Amaraí (coincidência ou não foi a primeira música
que cantei com Joilton naquele churrasco).
Depois fomos convidados a participar
de um programa de rádio (Parada Sertaneja) transmitido pela rádio
Jauense apresentado até hoje pelo conhecido locutor sertanejo "Parada",
também fizemos apresentações na rádio Piratininga
com o locutor Zé Lira (que ainda toca até hoje uma música
gravada por mim e Joilton - "Rio Bonito" - defendida em vários festivais.
Quando recebemos um convite para
participar de um programa de televisão transmitido pelo SBT, que
na época era apresentado pelo Elias Matogrosso, uma semana antes
de gravarmos o programa, quis a fatalidade separar a dupla, e Joilton foi
convocado para cantar no Céu, junto com grandes nomes da música
sertaneja que já nos deixaram.
Joilton nasceu em Presidente Epitácio,
no dia 07 de outubro de 1967, e faleceu aqui em Barra Bonita dia 30 de
junho de 2002 e, por essas ironias do Universo, com apenas 34 anos, mesma
idade que Belmonte se foi, e de quem ele cantava praticamente todas as
músicas, com muita paixão.
Sempre brincávamos dizendo
que só morria o parceiro da dupla sertaneja que fazia a 2ª
voz, e ele sempre falava que eu teria que começar a fazer 2ª
porque ele não queria morrer cedo... Infelizmente, em 2002, enquanto
todos comemoravam a vitória do Brasil em mais uma Copa do Mundo,
no mesmo momento nós chorávamos a morte de mais do que um
amigo, um verdadeiro irmão, nosso saudoso Joilton.
Sem querer comparar sentimentos
com ninguém, eu e o Camilo lamentamos até hoje essa cruel
separação. Como você bem sabe, logo no início
da formação da dupla, o Camilo começou a nos acompanhar
como instrumentista. Em 2003, um ano depois, como uma forma de consolo,
se é que isso realmente existe, eu e Camilo formamos nova dupla
e estamos caminhando até hoje a mesma estrada começada pela
dupla "Joilton e João Paulo".
Um grande abraço de seu
eterno e grato amigo Oscar."
Oscar, eu devia esta página ao Joilton
e a você, e agradeço-o por ter me ajudado a fazê-la.
Aliás, você a fez sozinho! A tristeza se nos torna companheira
quando perdemos alguém querido, mas, felizmente, as boas lembranças
também ficam ao nosso lado, amenizando um pouco. Dia desses estava
vendo o DVD da inauguração da Praça Belmonte, em 2001,
pela qual tanto batalhamos e vi, emocionado, mas feliz, o Joilton e você
cantando em homenagem a Belmonte, como tinham feito no Ideal Ponte Clube,
na festa em Tributo a Belmonte e, em dado momento, já no final,
o Joilton canta Saudade de Minha Terra, junto com Amarai. Dá pra
ver sua felicidade e eu fiquei me perguntando se não foi um presente
de Belmonte a vocês - mas principalmente a ele, que logo nos deixaria,
por tantas vezes que vocês, cantando suas canções e
ganhando festivais, tanto fizeram pela memória dele. |