Ambição,
Injustiça, Violência, Traição e Morte...

Azulão (óculos)
e Enedina e Dadá e Sabonete.
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Corisco, o diabo loiro, amigo
fiel de Lampião.
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(Da esq. para a dir.), Maria
Bonita, Ezequiel, Passarinho e Lampião
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Lampião e Maria Bonita
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Maria Bonita
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Capitão Virgulino Ferreira,
o Lampião
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Lampião, Maria Bonita
e à direita, Abraão Benjamim, nosso primeiro "repórter
de guerra". Mais dados abaixo.
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Com a presença de Maria
Bonita e outras mulheres, o bando de Lampião tornou-se um pequeno
núcleo familiar.
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Lampião, verificando
seu cinturão...
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De onde pendia a famosa Lugger
Parabellum
usada por ele.
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O cartaz, espalhado por toda
a Bahia,
com a cabeça de Lampião
à prêmio.
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A Gruta de Anjicos, onde hoje
tem a simples cruz
de madeira e uma placa com
os nomes de
Lampião, Maria Bonita
e todos os cangaçeiros assassinados pela Volante no local.
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Cangaçeiros de Lampião
- Ele chegou a ter um
pequeno exército
de mais de 150 homens
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Na foto acima, Jovina Maria
da Conceição, a última cangaçeira do grupo
de Lampião, morreu em 2008 em Belo Horizonte, MG, aos 93 anos de
idade. Conhecida também como Durvalina Gomes de Sá ou Durvinha,
ela foi casada com Virgínio e depois, com Moreno, ambos cangaçeiros
do bando de Lampião.
Infame exposição
Após
o assassinato de emboscada
de
Lampião e seu bando, as cabeças do líder,
de
Maria Bonita e dos principais homens
do
bando, junto com seus pertences,
foram
expostas ao público em várias
feiras
nos estados da Bahia,
Sergipe
e outros do Nordeste. |
* Lampião teve um
processo tramitando na justiça de Pernambuco por quase 70 anos,
onde ele e seu bando eram acusados da morte de 3 pessoas em 1925. O processo
foi instaurado em 1928 e, mesmo após a morte do Rei do Cangaço,
não foi julgado, extinto ou arquivado. E o processo, por mais incrível
que possa parecer, mostrando o quanto é complicado o labirinto do
nosso Judiciário, continuou aberto no fórum de Flores, cidade
próxima a Serra Talhada, onde nasceu Lampião. De acordo com
o juiz da cidade, na época, não foram apresentados os atestados
de óbito dos réus, como exige a lei. (Isso é que é
seguir um manual! - NE).
Somente em 1997, 69
anos após a abertura do processo, o juiz Clóvis Mendes, de
Serra Talhada, julgou a prescrição da ação
com base no fim do prazo legal de 20 anos...Então, finalmente, o
processo contra Lampião e seu bando foi arquivado! Se estive vivo,
o capitão Virgulino certamente diria: " A justiça (dos homens)
tarda...e falha!"
* Lampião e Maria
Bonita tiveram uma filha, Expedita, que lhes deu 3 netos: Cleyse Mary,
Djair e Vera Lucia, a jornalista que já há anos vem lutando
para preservar a memória dos avós e corrigir algumas injustiças
feitas aos dois, diante de tantas lendas surgidas sobre os dois, sobrepujando
os fatos. Os dados e fotos dos netos (ainda crianças), constam do
livro Lampião, Rei do Cangaço, de Eduardo Barbosa, de onde
foram extraidas algumas das fotos acima.

Dona Expedita Ferreira
Primeira filha de Lampião
e Maria Bonita
* Lampião teve três
irmãos ao lado dele no cangaço: Antonio, Livino e Ezequiel,
de apelido Pente Fino. Todos os três morreram antes de Lampião,
em combate com as volantes.
* O primeiro a rotular Maria
Bonita como a Rainha do Cangaço, foi o cangaceiro e cantador Zabelê,
do bando de Lampião, claro. Zabelê sobreviveu à emboscada
de Angicos (veja abaixo porque) e ainda escreveu um livro sobre Lampião.
* Como escrevi acima, as
lendas sobrepujaram até o próprio Rei do Cangaço.
Verdade ou não, elas ficaram, recheando a verdadeira história
de Lampião com fatos engraçados e muitas versam também
sobre o lado justiceiro de Lampião. Além da história
da cabra da velhinha, na página anterior, tem também a do
sal, que é meio semelhante: Lampião e seu bando foram acolhidos
por uma senhora, também de idade avançada, e ele pediu a
ela para preparar um jantar para o bando. A velhinha, não tendo
quase nada em casa, teve que fazer um caldeirão de sopa às
pressas para os famintos cangaçeiros. Com a pressa e o medo, ela
acabou esquecendo de colocar sal na sopa...
A sopa foi servida
e todos começaram a sorvê-la, sem problemas, mas um dos cabras,
novato no bando, para talvez fazer bonito diante de Lampião ou por
idiotice mesmo, começou a gritar com a pobre velha sobre a falta
de sal. Lampião terminou sua sopa sem nada dizer. Depois, tranquilamente,
perguntou ao bando se alguém sentiu falta de sal. Exceto o tal reclamante,
o restante, que não era besta, disse que não, que a sopa
estava ótima! Então Lampião perguntou à velhinha
se tinha mais sal em casa. Ela disse que sim e ele então
mandou ela trazer um quilo! Ela correu a obedecer. Quando veio com o sal,
Lampião mandou ela despejá-lo no prato do sujeito que havia
reclamado, e ordenou: - Você reclamou da falta de sal, cabra, pois
agora tem aí bastante sal, e você vai comê-lo até
limpar o prato!
Apesar dos lamentos
do homem, Lampião o obrigou a comer todo o sal do prato e, quando
ele pedia água, Lampião não deixava que ele bebesse.
E assim foi. Quando o cangaçeiro, até verde de tanto comer
sal, sentindo suas entranhas em brasa, terminou, Lampião o expulsou,
mandando que o mesmo sumisse de sua frente, ameaçando que, se o
encontrasse novamente, iria sangrá-lo. É claro que o tal
sumiu até hoje...Saindo da casa, já um pouco distante, Lampião
parou, olhou para trás, coçou a cabeça e comentou
com um cangaçeiro próximo a ele: - E num é que aquela
sopa tava uma disgraçeira de insôssa? - E o cabra ao seu lado,
concordou imediatamente: - Tumém achei, capitão. Tumém
achei...
* Já do apelido Lampião,
tem a lenda narrada na página anterior e uma outra que é
sobre uma noite em que Virgulino (que ainda não era Lampião)
e seu bando estavam numa bodega (tipo de hospedaria à beira da estrada),
e um dos homens deixou cair o cigarro. O vento havia apagado o candieiro,
então Virgulino falou que ia disparar seu fuzil para fazer um clarão,
até o sujeito achar o cigarro. E a cada tiro que dava, ele gritava:
acende, lampião! Acende, lampião! E assim surgiu o famoso
e temido apelido.
* Os grandes chefes de cangaceiros,
antes de Virgulino entrar no cangaço, eram: Antonio Quelé,
Casemiro Honório, Né Pereira e Antonio Silvino, foi nos bandos
destes últimos que Virgulino iniciou-se na senda de crimes.
* Abraão Benjamim,
judeu ou árabe naturalizado brasileiro, o autor Eduardo Barbosa
não especifica. No livro ele é chamado de Turcão,
o que torna mais difícil saber sua descendência. Ele foi o
primeiro e último homem a filmar Lampião. Ele acompanhou
os cangaceiros durante 6 meses, nos acampamentos e nas batalhas com as
volantes, e são da autoria dele o filme real sobre Lampião
e centenas de fotos do cangaçeiro, de Maria Bonita e do bando. Benjamim
foi assassinado logo após esse trabalho de grande valor jornalístico,
com 52 facadas em Vila Bela, por desafetos de Lampião.
* Zabelê, sanfoneiro
e repentista oficial do bando, disse em depoimento que foi o próprio
Lampião quem fez a letra e música de Mulher Rendeira.
* Lampião reinou absoluto
no cangaço nordestino por 20 anos. E mesmo antes de ser enganado
pelas autoridades, recebendo a patente de capitão e a garantia de
anistia para ele e todo o bando, para enfrentar a Coluna Prestes, fato
que foi testemunhado pelo seu próprio padrinho o Padre Cícero
Romão, outra lenda do Nordeste, sempre manteve um status quo de
comandante de um exército. Seu bando, composto por mais de 100 homens,
tinha um tipo de “estado-maior”, formado pelos homens de mais confiança.
Então, normalmente, para confundir as volantes, Lampião dividia
o bando em 3 grupos, sendo um liderado por ele próprio e os outros
2, pelos seus “lugares-tenentes”. Foi por causa dessa estratégia
que alguns do bando escaparam à emboscada em Angicos, como Zabelê
e Corisco, chamado também de Diabo Loiro, que segundo autores de
relatos sobre o cangaço, foi quem vingou a morte de Lampião.
Corisco foi morto pelas volantes 2 anos depois.
Mas, assim como Napoleão,
que errou na estratégia da guerra por não contar com os elementos
da natureza e Hitler, que sacrificou boa parte de seus homens por não
contar em sua estratégia de dominação, com as geladas
estepes russas, Lampião também, apesar de usar estratégias
de guerrilha, errou ao armar acampamento numa ravina e sem colocar sentinelas.
Esse foi seu grande erro em Angicos.
Também, ao que parece
uma sina de todo grande guerreiro, o fator traição pesou
mais que tudo. Zumbi foi traido e morto; Tiradentes foi traido e morto,
Beckman foi traido e morto; Zapata, herói mexicano, foi traido e
morto; o rei Leônidas, de Esparta, foi traido e morto; Jesse James,
traido e morto; e Lampião, como que fechando a sina, em 1938, é
traido e morto.
* Nos registros sobre os
pertences de Lampião, feitos pela polícia militar de Alagoas,
consta a famigerada pistola Parabellum, alemã, 9mm, fabricada em
1918, número de série 97.
* Através de um exame
de DNA realizado nos EUA, foi descoberto em 1994 o segundo filho de Lampião
e Maria Bonita. Trata-se de João Ferreira da Silva, conhecido por
João Peitudo, 62 anos, que morreu de morte natural no dia 26 de
junho de 2000, em Juazeiro do Norte, a 563 quilômetros de Fortaleza.
O filho de Lampião
deixa cinco filhos, mas apenas um (Francisco Ferreira da Silva), morava
com ele no bairro Pirajá, em Juazeiro. Os outros quatro residem
em São Paulo.
Nascido em 1938, segundo
a mídia, João Peitudo foi deixado com 42 dias de vida na
casa de dona Aurora da Conceição, em Juazeiro, durante a
passagem do bando de Lampião pela região do Cariri. Lampião
furou as orelhas do filho com um punhal com o objetivo de deixar uma marca
para reconhecê-lo quando voltasse para pegar. Nunca retornou. João
Peitudo era funcionário aposentado da Prefeitura de Juazeiro. Com
a morte de João Peitudo, a única herdeira viva de Lampião
é Expedita Ferreira Nunes, filha do casal de cangaceiros, e que
mora em Sergipe.

João Ferreira da Silva,
segundo filho de Lampião
* Mais
trabalhos sobre Lampião:
Lampião, Rei do
Cangaço, de Eduardo Barbosa
Almas de Lama e Aço,
de Gustavo Barroso
Bandoleiros das Caatingas,
de Melchíades da Rocha
Lampião em Mossoró,
de Raimundo Nonato
Na Terra de Lampião,
de Alexandre Zabelê – O sanfoneiro, testemunha viva da história
de Lampião.
Lampião, de
Ranulfo Prata
Heróis e Bandidos,
de Gustavo Barroso
Lampião, de
Optato Gueirós – Major da polícia pernambucana e ex-comandante
das volantes – Também testemunha viva.
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