Lampião,
o Rei do Cangaço Filme
de Oswaldo Massaini - Clipe abaixo
OSWALDO MASSAINI,
O HOMEM DOS CEM FILMES Por
Maurício Kus
Nascido em São
Paulo, capital, em 03 de abril de 1920, e falecido também em São
Pauo, em 25 de maio de 1994, Oswaldo Massaini foi o maior produtor nacional
da história do cinema brasileiro. Além dele, apenas Amacio
Mazzaropi, com a diferença que Mazzaropi produzia seus próprios
filmes, e Massaini abriu as portas da oportunidade no cinema para muitos
artistas, tantos veteranos, como novatos e também para jovens cineastas.
Enquanto todos os
produtores do cinema brasileiro mamavam nas tetas da Embrafilme, Oswaldo
Massaini produzia seus filmes com capital próprio.
Ele produziu 62 filmes
e distribuiu dezenas de filmes de outros produtores, superando o número
de 100 produções sob o sinete da Cinedistri, empresa por
ele fundada nos anos 50.
Nesse período
praticamente não se fazia cinema em São Paulo e o Rio de
Janeiro reinava absoluto com as produções carnavalescas da
Atlântida, de Luiz Severiano Ribeiro, as chamadas chanchadas, cujo
trunfo era mostrar os grandes cantores do rádio para os fãs
de todo o Brasil, que não cabiam no auditório da Radio Nacional.
Comandados por Watson Macedo, as chanchadas mostravam as estrepolias de
Oscarito e Grande Otelo, ao lado da mocinha Eliana Macedo, o vilão
José Lewgoy e os galãs Anselmo Duarte e Cyll Farney.
Em verdade, eram escada para as apresentações de Francisco
Alves, Camélia Alves, as Irmãs Batista, Nelson Gonçalves,
Carlos Galhardo, Francisco Carlos, Emilinha Borba e sua grande rival Marlene,
e muitos outros. Não havia televisão e o cinema era
o único veículo onde podiam ser vistos “ao vivo”, cantando
as músicas que esgotavam as bolachas de 78 rotações
nas casas de disco. O carnaval era o grande veículo de marketing
para estes cantores que disputavam a tapa o direito de cantar no cinema
sua novidade para o tríduo de Momo daquele ano.
Na fase pré
Hollywood, Carmem e Aurora Miranda participaram de algumas chanchadas que
entraram para a história do cinema.
Nascido e tendo
formado sua vida profissional em São Paulo, Oswaldo Massaini vislumbrou
que a indústria do cinema estava no Rio de Janeiro. E foi
para lá, produzir ao lado dos irmãos Alípio e Eurides
Ramos dois filmes de Mazzaropi, o mais paulista dos atores brasileiros:
“O noivo da girafa” e “Chico Fumaça”.
Mas tanto Massaini,
como Mazzaropi, concluíram que seu feudo era aqui mesmo em São
Paulo, e passaram a produzir filmes na Paulicéia.
Massaini fundou a
Cinedistri, que distribuiu os 62 filmes de produção própria,
mais dezenas de filmes produzidos por terceiros, que mereciam o mesmo tratamento
e respeito dos exibidores que os filmes da casa.
Começou com
“Rua sem Sol” em 1950 e terminou com “O caçador de Esmeraldas”,
em 1970, quando passou o bastão para seu filho Aníbal, que
além de um documentário sobre o Rei Pelé produziu
vários filmes de sucesso e hoje é ativo na defesa do cinema
brasileiro em atividades dos empresários do setor.
Na foto acima, Massaini,
à esquerda, e o jornalista Maurício Kus, relaxando no Rio
Grande do Sul na fazenda dos atores Tarcísio Meira e Glória
Menezes.
Lampião,
o Rei do Cangaço
Tomando
como base relatos e lendas a respeito de Lampião, Oswaldo Massaini
produziu, na década de 60, o melhor filme sobre o cangaço
jamais produzido no Brasil. Com um elenco de primeiro e tendo na direção
o experiente Carlos Coimbra, o filme traça de maneira bem séria,
sem apelar para o romanceado ou a transformação do bandido
em mocinho, muito usado antigamente pelos filmes de Hollywood, a carreira
do maior cangaçeiro da História.
Mesmo
assim, ficam muitas informações sobre o capitão Virgulino
de fora, mas contando parte da vida dele e seu encontro com Maria Bonita,
o filme cumpre seu papel e é bonito de se ver, tanto o enredo em
si, como a entrada do filme, com belíssimos desenhos de Roberto
Miller e as canções feitas por ninguém mais, ninguém
menos que Catulo de Paula. Também muito bem feita a transição
de Virgolino da Silva de pobre sitiante para a sina do cangaço,
através da simbologia do chapéu de cangaceiro (vide
clipe abaixo).
A
trilha sonora ficou a cargo do maestro Gabriel Migliori e, no elenco principal,
as presenças de Leonardo Vilar, como Lampião e Vanja Orico,
como Maria Bonita. Dionísio Azevedo faz o cangaçeiro apaixonado
por Glória Menezes e ainda a presença forte de Miltom Ribeiro.
O filme, em Eastmancolor, o grande hit da época, foi todo rodado
em Pernambuco e na Bahia.