Lampião - Parte 3
versos de Zabelê
Ver Lampião 1936, de Abraão Benjamin
e ainda clipe-depoimento de dona Expedita

Mantivemos os documentos em sua forma ortográfica original, 
como os encontramos na pesquisa

Para pegar Lampião
Zabelê

Para pegá Lampião, nem o ezerço e a marinha, nenhuma tropa de linha
Nem o bataião navá, nem a força  federá arrodeada a canhão
Onde anda Lampião, sordado nenhum vai lá

Para pegá Lampião, nem baiano mandiguero, nem o Rio de Janero
Com toda a gente de lá mais os navio do má
E todos seus avião. Onde canta Lampião, só pode um galo cantá

Para pegá Lampião, nem o nosso Gois Montero,que é bicho escopetero
Nem mesmo treis marechá com treis e treis pachá
Muita tropa e munição. Quem mexê cum Lampião tem que a mortáia aprontá

Para pegá Lampião, nenhum brabo ainda nasceu. Se hove argum, já morreu
Sem tê chegado a mamá. Morreu de tanto apanhá
De cascudo e bofetão. Só falá de Lampião, já é pecado mortá

Para pegá Lampião, nem o mais feroz jaguá, nem os tubarão do má
Nem a cobra sucurí, nem um bando de lião
Acabá cum Lampião é istória pra boi drumi

Para pegá Lampião, valente que nem a peste
Todas tropa do Nordeste, da Bahia ao Ceará
Não chega nem pra lhe dá os aperto dum beliscão
Quando elas vem, Lampião espia e vai se deitá

Para pegá Lampião, nem as tropa da Alemanha, nem o Armirante Sardanha
E nem o Mina Gerá. Nem cinquenta generá cum cinquenta divisão
Quem possa cum Lampião, num naceu, nem nacerá

Para pegá Lampião, caboco desassombrado, que tem o corpo fechado
Mais duro que pedra preta, que num morre de careta, nem tem medo de oração
Para pegá Lampião, só vindo doutro praneta

Para pegá Lampião, que veve de deo em deo, nem os castigo do céu
Nem veneno, nem mocó, nem o fogo corredô
Nem curisco ou zelação. Nos oio de Lampião isso tudo já passô

Para pegá Lampião, nem as arma doutro mundo, nem as astuça do imundo
Nem as treição do destino, fantasma, agoro de sino
Istoras de assombração. Na vorta de Lampião, é brinquedo de menino

Para pegá Lampião, que leva tudo na cheta, nem os podê do capeta
Do brabo, do maiorá, que dentro da taboca
Dá carta e joga de mão. Para pegá Lampião, Berzebu vai se inroscá

Para pegá Lampião, nem frade de boa vida, nem cem muié inxirida
Nem as prosas dos doutô, nem vinte gunvernadô
Nem o bamba da nação. Para pegá Lampião, só mesmo Nosso Sinhô.

Minha vó...


E Zabelê, com sua veia criativa
fazia também, no improviso, versos
brincalhões, para alegrar aquele
bando de almas perdidas sob o
abrasador sol que castigava homens
e animais em toda a Caatinga.
Os versos ao lado, sob sua
fictícia avó, é mostra de um
desses versos alegres e
descontraidos. Porém, em todos eles
dá pra se notar que Zabelê era muito
esperto, colocando sempre em seu
trabalho alguma referência ao chefe, 
à Maria Bonita ou a Corisco, braço-
direito de Lampião.
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A viola está chorando, está chorando com razão...
Últimos versos do cantador sobre Lampião

 

 

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