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É ao entardecê,
quando a vida parece emudecê, que o caboclo distante do seu rincão,
sente a sodade doê. E pegando na viola, a tristeza ele consola, sem
mais nada a fazê... - Sergio Ferraz
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Caminheiro
Sucesso nas vozes de Liu
e Léu
Caminheiro que lá
vai indo
No rumo da minha terra
Por favor faça parada
Na casa branca da serra
Lá mora uma velhinha
Chorando um filho seu
Essa velha é minha
mãe
E o seu filho sou eu
Oh, caminheiro, leva este
recado meu.
Caminheiro diga pra mãe
Pra zelar do que é
meu
Cuidar bem do meu cavalo
Que o finado pai me deu
Do meu cachorro de caça
Meu galo índio brigador
Minha velha espingarda
E o violão chorador
Oh, caminheiro, me faça
este favor.
Caminheiro diga pra mãe
Para não se preocupar
Se Deus quiser este ano
Eu consigo me formar
E pegando meu diploma
Vou trazer ela pra cá
Mas se eu for mal nos estudos
Vou deixar tudo e volto
pra lá
Oh, caminheiro, não
esqueça de avisar
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Patativa
Vicente Celestino
Acorda patativa, vem cantar
Relembra as madrugadas que
lá vão
E faz da tua janela o meu
altar
Escuta a minha eterna oração
Eu vivo inutilmente a procurar
alguém que compreenda
o meu amor
E vejo que é destino
meu sofrer
É padecer, não
encontrar
quem compreenda o trovador
Eu tenho n'alma um vendaval
sem fim
e uma esperança que
hás de ter por mim
o mesmo afeto que juravas
ter
para que acabe este meu
sofrer
Eu sei que juras cruelmente
em vão
Eu sei que preso tens o
coração
Eu sei que vives tristemente
a ocultar
que a outro amas, sem querer
amar
Mulher, o teu capricho vencerá
e um dia tua loucura findará
A Deus, a Deus minh'alma
entregarei
E de outro fores, juro,
morrerei
Amar, que sonho lindo, encantador!
Mais lindo por quem leal
nos tem amor
E tu vens desprezando sem
razão
a mim que choro e busco
em vão
o teu ingrato coração
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Mágoas
de Boadeiro
Gravação
de Pedro Bento
e Zé da Estrada
Antigamente, nem em sonho
existia, tantas pontes sobre os rios
Nem asfalto nas estradas,
a gente usava quatro ou cinco sinuetos
Pra trazer os pantaneiros
no rodeio da boiada
Mas hoje em dia tudo é
muito diferente, com o progresso nossa gente
Nem sequer faz uma idéia,
que entre outros, fui peão de boiadeiro
Por este chão brasileiro,
os heróis da epopéia
Tenho saudade, de rever na
currutela, as mocinhas na janela
Acenando uma flor, por tudo
isso, eu lamento e confesso
Que a marcha do progresso
é a minha grande dor
Cada jamanta que eu vejo
carregada, transportando uma boiada
Me aperta o coração,
e quando olho minha tráia pendurada
De tristeza dou risada pra
não chorar de paixão
O meu cavalo, relinchando
pasto à fora, que por certo também chora
Na mais triste solidão,
meu par de espora, meu chapéu de aba larga
Uma bruaca de carga, o berrante
e o facão, o velho basto, o sinete e o acero
O meu laço e o cargueiro,
o meu lenço e o gibão, ainda resta a guaiaca sem dinheiro,
deste pobre boiadeiro que perdeu a profissão
Não sou poeta, sou
apenas um caipira, e o tema que me inspira
É a fibra de peão,
quase chorando, imbuido desta mágoa
Rabisquei estas palavras
e saiu esta canção
Canção que
fala da saudade das pousadas que já fiz com a peonada
Junto ao fogo de um galpão,
saudade louca de ouvir o som manhoso de um berrante preguiçoso,
nos confins do meu sertão.
Sarita
Gravação
de Sérgio Reis
Adeus Sarita, vou partir
lá pra fronteira
Levando a minha boiada
Para vender lá na
feira
Com o dinheiro desta venda,
eu vou comprar
Mais uma linda fazenda,
e contigo me casar
No dia do casamento
Vai ter baile a noite inteira
A sanfona vai tocar, esta
rancheira
E os vaqueiros reunidos
Vão cantar para nós
dois
E a nossa felicidade, virá
depois...
Tristeza do Jeca
Gravação
de Tonico e Tinoco
Nestes versos tão
singelos, minha bela, meu amor
Pra você quero contar
o meu sofrer a minha dor
Eu sou como o sabiá,
que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade
Cada toada representa uma
saudade...
Eu nasci naquela serra, num
ranchinho beira-chão
Todo cheio de buraco, onde
a lua faz clarão
Quando chega a madrugada,
lá no alto a passarada
Principia o barulhão
Nesta viola...
Vou parar com minha viola,
já não posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta,
tem vontade de chorar
E o choro que vai saindo,
bem depressa vai sumindo
Como a águas vão
pro mar
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade
Cada toada representa uma
saudade...
Chalana
De Mario Zan
Gravação de
Almir Sater
Lá vai chalana, bem
longe se vai
Navegando no remanso, do
rio Paraguai
Ah, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão
serenas, vai levando meu amor
(repete 3 últimas
linhas)
E assim ela se foi, nem de
mim se despediu
A chalana vai sumindo, na
curva lá do rio
E se ela vai magoada, eu
bem sei que tem razão
Fui ingrato e feri o seu
meigo coração
Ah, chalana, sem querer
tu aumentas minha dor
Nessas águas tão
serenas, vai levando meu amor
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Primeiro
Amor
De Zé Fortuna
Gravação
de Cascatinha e Inhana e Paulo Sérgio/Joana e Fagner
Saudade, palavra triste,
quando se perde um grande amor
Na estrada longa da vida,
eu vou chorando a minha dor
Tal qual uma borboleta,
vagando triste por sobre a flor
Seu nome sempre em meus
lábios, irei chamando por onde for
Você nem sequer se
lembra de ouvir a voz deste sofredor
Que implora por seu carinho,
só um pouquinho do seu amor
Meu primeiro amor, tão
cedo acabou, só a dor deixou neste peito meu
Meu primeiro amor, foi como
uma flor que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão, sem
ter alegria o que me alivia, são meus tristes ais
São prantos de dor,
que dos olhos caem, é porque bem sei
Quem eu tanto amei, não
verei jamais...
Boiadeiro Errante
Teddy Vieira
Gravação Liu
e Léu/Carlos Cesar e Cristiano
Eu venho vindo de uma
querência distante
Sou um boiadeiro errante,
que nasceu naquela serra
O meu cavalo corre mais
que um pensamento
Ele vem num passo lento,
porque ninguém lhe espera
Tocando a boiada,
uê, uê, uê, boi
Eu vou cortando a estrada,
uê, boi
Tocando a boiada, uê,
uê, uê, boi
Eu vou cortando a estrada,
uê, boi
Toque o berrante, com capricho,
Zé Vicente
Mostre para essa gente,
o clarim das alterosas
Pegue o laço, não
se entregue companheiro
Chame o cachorro campeiro,
que essa rês é perigosa
Olhe na janela, uê,
uê, uê, boi
Que linda donzela, vê,
boi
Olhe na janela, uê,
uê, uê, boi,
Que linda donzela, vê
boi
Sou boaideiro, minha gente
o quê que há
Deixe o meu gado passar,
vou cumprir a minha sina
Lá na baixada, quero
ouvir a siriema, pra lembrar de uma pequena
Que eu deixei lá
em Minas
Ela é culpada, uê,
uê, uê, boi
De eu viver nas estradas,
uê boi
Ela é culpada, uê,
uê, uê, boi
De eu viver nas estradas,
uê, boi
O rio tá calmo e a
boiada vai passando, veja aquele boi berrando
Chico Bento corre lá,
lace o mestiço, salve ele das piranhas
Tire o gado da campanha,
pra viagem continuar
Com destino a Goiás,
uê, uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê,
boi
Com destino a Goiás,
uê, uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê
boi.
Viola está chorando
De Elias Muniz
Gravação de
Joel Marques
Trago no peito uma saudade
tão doida, tão cruel, tão atrevida
Que eu não posso
controlar
No pensamento aquela flor
maravilhosa, flor morena e formosa
Que se foi pra não
voltar
Lembro das noites de canções,
de poesias, noite à dentro a gente ia
E eu cantava só pra
ela
Meu canto é triste
desde que ela foi embora
Pois até minha viola
chora de saudade dela
Viola está chorando,
chorando está meu coração
Meu desespero, meu sufoco,
desabafo pouco a pouco
Na magia da canção
(bis)
Preso nas garras dessa dor
tão impulsiva, feito um barco à deriva
Vou vivendo por viver
Viver sem ela é não
ter sol, não ter abrigo, é bem mais que um castigo
É pior do que morrer
Solto meu grito, meu apelo,
meu lamento, vai meu canto vai com o vento
Vai até onde ela
está
E pede a ela que devolva
minha vida, tô num bêco sem saída
Pede a ela pra voltar.
Viola está chorando...
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Meu
Rincão
Belmiro e Belmonte
Que saudade do sertão
Do lugar onde nasci
Lá deixei meu coração
Desde o dia que parti
Lembro a terra abençoada
Das suas matas o verdor
Lembro a lua prateada
E a cabocla meu amor
Minha viola ficou
Lá num canto emudecida
Tanto tempo já passou
Só restou em minha
vida
A lembrança tão
querida...
Desde que te vi
Belmonte e Amarai
Um dia de manhãzinha
Ao percorrer a fazenda
Encontrei com minha prenda
Que passeava sozinha
Eu disse, oh, minha querida
Não sabes o quanto
te quero
Eu sou um moço sincero
Que teu amor solicita
Quisera que Deus permita
Eu ser o teu amor primeiro
Desde que te vi, que te
quero
Desde que te vi, te adoro
Desde que te vi, te venero
Porque tu és o meu
tesouro
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Porque te tenho, que te
tenho que adorar
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Nem que teus pais não
queiram me ver
Não tenho muito dinheiro
Pra construir nosso ninho
Mas terás todo carinho
Do meu amor verdadeiro
Meu amor te quero tanto
Mas que tudo nesta vida
Ainda juro querida
Que a te serei sincero
Saibas que muito te quero
És o meu amor primeiro
Desde que te vi, que te
quero
Desde que te vi, te adoro
Desde que te vi, te venero
Porque tu és o meu
tesouro
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Porque te tenho, que te
tenho que adorar
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Nem que teus pais não
queiram me ver
Menino da Porteira
Sucesso de Teddy Vieira,
já gravado
por várias
duplas e cantores solos
Toda vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava
A figura de um menino
Que corria abrir a porteira
Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
Que é pra eu ficar
ouvindo
Quando a porteira fechava
E a poeira ia abaixando
Eu jogava uma moeda e ele
saia gritando
Obrigado, boiadeiro, que
Deus vá
Lhe acompanhando
Por este sertão à
fora, meu berrante
Ia tocando
Nos caminhos desta vida
Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo
Do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta
Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada
O menino não avistei
Apiei do meu cavalo num
ranchinho
Beira-chão, vi uma
mulher chorando
Quis saber qual a razão
Boiadeiro, veio tarde
Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
Foi um boi sem coração
Lá pras bandas de
Ouro Fino
Levando gado selvagem
Quando passo na porteira
Até vejo a sua imagem
O seu rangido tão
triste mais parece
Uma mensagem, daquele rosto
trigueiro
Desejando-me boa viagem
A cruzinha do estradão
Do pensamento não
sai
Eu já fiz um juramento,
que
Não esqueço
jamais
Nem que o meu gado estoure
E que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão
Berrante eu não toco
mais...
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Bat
Masterson
Sucesso de 1959, gravado
por
Carlos Gonzaga
No Velho-Oeste ele nasceu
E entre bravos se criou
Seu nome em lenda se tornou
Bat Masterson, Bat Masterson
Sempre elegante e cordial
Sempre bom amigo, mais leal
Foi da justiça um
defensor
Bat Masterson, Bat Masterson
Em toda a canção
contava
sua coragem e destemor
Em toda canção
falava
De uma bengala e um grande
amor
É o mais famoso dos
heróis
Que o Velho-Oeste conheceu
Fez do seu nome uma canção
Bat Masterson, Bat Masterson
Eu sei que te
perdi
Belmonte e Amarai
Os olhos que eu adorava
Tinham maldade
Os lábios que eu
beijei
Onde estarão
A sua ausência querida
Traz a saudade
Minha alma se desespera
Na solidão
Bem sei que já te
perdi
Para toda a vida
O meu castelo de sonhos
Já foi ao chão
O dia que tu voltares
Arrependida
Talvez seja muito tarde
Para o perdão
Partistes, para longe talvez
Chorei, o nosso amor
Jamais, perdoarei outra
vez
Deixei, de ser um sonhador.
Saudade de Minha
Terra
Belmonte e Amarai
De que me adianta, viver
na cidade,
Se a felicidade não
me acompanhar
Adeus paulistinha, do meu
coração
Lá pro meu sertão
eu quero voltar
Ver a madrugada, quando
a passarada
Fazendo alvorada, começa
a cantar
Com satisfação,
arreio o burrão
Cortando o estradão,
saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no
jequitibá
Por nossa senhora, meu sertão
querido
Vivo arrependido de ter
te deixado
Nesta nova vida, aqui na
cidade
De tanta saudade eu tenho
chorado
Aqui tem alguém,
diz que me quer bem
Mas não me convém,
eu tenho pensado
Eu digo com pena, mas esta
morena
Não sabe o sistema
que eu fui criado
Estou aqui cantando, de
longe escutando
Alguém está
chorando com o rádio ligado
Que saudade imensa, do campo
e do mato
Do manso regato que corta
as campinas
Aos domingos eu ia passear
de canoa
Nas lindas lagoas de águas
cristalinas
Que doce lembrança,
daquelas festanças
Onde tinha dança
e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia, sem
ter alegria
O mundo judia, mas também
ensina
Estou contrariado, mas não
derrotado
Eu sou bem guiado pelas
mãos divinas
Pra minha mãezinha,
já telegrafei
Que já me cansei,
de tanto sofrer
Nesta madrugada, estarei
de partida
Pra terra querida que me
viu nascer
Já ouço sonhando,
o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada, clareando
a estrada
A relva molhada desde o
anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo
ali
Foi lá que nasci,
lá quero morrer. |
Mercedita
Belmonte e
Amarai
Recordo com saudade
Teus encantos Mercedita
Perfumada, flor bonita
Me lembro que uma vez
A conheci no campo
Muito longe numa tarde
Hoje só resta a saudade
Desse amor que se desfez
Assim nasceu nosso querer
Com ilusão, com muita
fé
Mas eu não sei porque
essa flor
Deixou-me dor e solidão
Ela se foi com outro amor
Assim me fez compreender
O que é querer, o
que é sofrer
Porque lhe dei meu coração
O tempo foi passando
As campinas verdejando
A saudade só ficando
Dentro do meu coração
Mas apesar do tempo
Já passado, Mercedita
Essa lembrança palpita
Na minha triste canção
Assim nasceu... (repete)
Lavrador
Gilberto Gil
Lança no chão
do Planeta a semente de amor. Lança e fica na espera que o bom lavrador.
Com o sol se levanta e com a lua de noite se deita. Lança que o
bom lavrador não apressa a colheita
Dança que o amor se
reveste no que cobre o véu. Dança que a vida é bela
e a semente é fiel. Deixe o vento do céu assanhar seu cabelo.
Acorda que o bom sonhador não quer mais pesadelo
Minha luta é sem trégua,
sempre estou por um fio. A correr sem parar como a água do rio,
que vence qualquer desafio e deságua no mar. Cantando às
vezes me pego, num tom que é só amargura, mas mesmo assim
não me entrego, meu bem eu me alegro e não perco a ternura...
Thunderbird
(O furacão)
Agnaldo Timóteo
Ele está só
na multidão, a fronte erguida olha o sol
Enfrenta a vida por prazer,
de lutar, vencer, vencer
O mundo é um grão
em suas mãos
Pois sabe a tudo conquistar
Conserva gelado o coração
Ao amor, é demais,
é ação
Quer lutar por que livre
quer ser
Ele diz que o amor é
escravidão
Tempos de implorar não
voltarão
Melhor não ter pra
não perder
Contra o mundo que um dia
o maltratou
Ele é um furacão!
Homem de Pedra
Trio Parada Dura
Já fui um grão
de areia, todos pisavam em mim, agora resolvi tomar uma decisão
Não sou mais grão
de areia, virei uma pedra bruta, de pedra transformei também o meu
coração
De pedra muito dura fiz pra
sempre meu destino, de aço construi minha imaginação
O pranto dos meus olhos
para sempre envenenei, pra matar seu orgulho e a sua traição
Homem de pedra, que não
tem mais coração, não tem alma, não tem nada
Nem amor, nem ilusão
E só assim silenciou
meu sofrimento
Sou agora uma estátua
sem abrigo no relento
Já fui homem de pedra,
e não penso mais em nada, foi o meu sofrimento que me fez tornar
assim. Não amo mais ninguém e nem quero ser amado, agora
desse jeito quero ver quem pisa em mim
Homem de pedra, que não
tem mais coração, não tem alma, não tem nada
Nem amor, nem ilusão.
E só assim silenciou meu sofrimento
Sou agora uma estátua
sem abrigo no relento
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No Colo
da Noite
Zé
do Rancho e Zé do Pinho
Cansado de tanto esperar
a felicidade
Saí à sua
procura no mundo sem fim
Tão depressa então
me deparei com a realidade
Vi que ela existe para todos
menos para mim.
Os amores que tive na vida
todos me deixaram
Juramentos e mais juramentos
fizeram em vão
Somente as tristes lembranças
comigo ficaram
E dos beijos fingidos agora
só recordação.
Caminhos e rumos incertos
sozinho eu sigo
Não tenho esperança
de nada pra levar comigo
O dia é meu companheiro
clareia o caminho
No colo da noite amanheço
chorando sozinho.
Terra Tombada
Chitãozinho e
Xororó
Composição:
José Fortuna
É calor no mês
de agosto, é meados de estação
Vejo sobras de queimadas
e fumaça no espigão
Lavrador tombando terra,
dá de longe a impressão
De losangos cor de sangue
desenhados pelo chão
Terra tombada é promessa
de um futuro que se espelha
No quarto verde dos campos,
a grande cama vermelha
Onde o parto das sementes
faz brotar de suas covas
O fruto da natureza cheirando
a criança nova
Terra tombada, solo sagrado,
chão quente
Esperando que a semente
venha lhe cobrir de flor. Também minha alma, ansiosa, espera confiante,
que em seu peito você plante a semente do amor.
Terra tombada é criança
deitada num berço verde
Com a boca aberta pedindo
para o céu matar-lhe a sede
Lá na fonte, ao pé
da serra, é o seio do sertão
A água é o
leite da terra que alimenta a plantação
O vermelho se faz verde,
vem o botão, vem a flor
Depois da flor, a semente,
o pão do trabalhador
Debaixo das folhas mortas,
a terra dorme segura,
Pois nos dará para
o ano
novo parto de fartura.
Dama de Vermelho
Duduca e Dalvan
Garçon, olhe no espelho
A dama de vermelho,
que vai se levantar
Note, que até a orquestra
Fica toda em festa,
quando ela sai para dançar
Esta dama, já me pertenceu
E o culpado fui eu, da separação
Hoje, choro de ciume
Ciume até do perfume,
que ela deixa no salão
Garçon amigo,
apague a luz da minha mesa
Eu não quero que
ela note,
em mim tanta tristeza
Traga mais uma garrafa,
hoje vou me embriagar
Quero dormir para não
ver,
outro homem lhe abraçar
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