Caminheiro
Sucesso nas vozes de Liu
e Léu
Caminheiro que lá vai indo
No rumo da minha terra
Por favor faça parada
Na casa branca da serra
Lá mora uma velhinha
Chorando um filho seu
Essa velha é minha mãe
E o seu filho sou eu
Oh, caminheiro, leva este recado meu.
Caminheiro diga pra mãe
Pra zelar do que é meu
Cuidar bem do meu cavalo
Que o finado pai me deu
Do meu cachorro de caça
Meu galo índio brigador
Minha velha espingarda
E o violão chorador
Oh, caminheiro, me faça este favor.
Caminheiro diga pra mãe
Para não se preocupar
Se Deus quiser este ano
Eu consigo me formar
E pegando meu diploma
Vou trazer ela pra cá
Mas se eu for mal nos estudos
Vou deixar tudo e volto pra lá
Oh, caminheiro, não esqueça
de avisar
Mágoas
de Boadeiro
Gravação de
Pedro Bentoe Zé da Estrada
Antigamente, nem em sonho existia, tantas
pontes sobre os rios
Nem asfalto nas estradas, a gente usava
quatro ou cinco sinuetos
Pra trazer os pantaneiros no rodeio da
boiada
Mas hoje em dia tudo é muito diferente,
com o progresso nossa gente
Nem sequer faz uma idéia, que entre
outros, fui peão de boiadeiro
Por este chão brasileiro, os heróis
da epopéia
Tenho saudade, de rever na currutela, as
mocinhas na janela
Acenando uma flor, por tudo isso, eu lamento
e confesso
Que a marcha do progresso é a minha
grande dor
Cada jamanta que eu vejo carregada, transportando
uma boiada
Me aperta o coração, e quando
olho minha tráia pendurada
De tristeza dou risada pra não
chorar de paixão
O meu cavalo, relinchando pasto à
fora, que por certo também chora
Na mais triste solidão, meu par
de espora, meu chapéu de aba larga
Uma bruaca de carga, o berrante e o facão,
o velho basto, o sinete e o acero
O meu laço e o cargueiro, o meu
lenço e o gibão, ainda resta a guaiaca sem dinheiro, deste
pobre boiadeiro que perdeu a profissão
Não sou poeta, sou apenas um caipira,
e o tema que me inspira
É a fibra de peão, quase
chorando, imbuido desta mágoa
Rabisquei estas palavras e saiu esta canção
Canção que fala da saudade
das pousadas que já fiz com a peonada
Junto ao fogo de um galpão, saudade
louca de ouvir o som manhoso de um berrante preguiçoso, nos confins
do meu sertão.
Sarita
Gravação de
Sérgio Reis
Adeus Sarita, vou partir lá pra
fronteira
Levando a minha boiada
Para vender lá na feira
Com o dinheiro desta venda, eu vou comprar
Mais uma linda fazenda, e contigo me casar
No dia do casamento
Vai ter baile a noite inteira
A sanfona vai tocar, esta rancheira
E os vaqueiros reunidos
Vão cantar para nós dois
E a nossa felicidade, virá depois...
Tristeza
do Jeca
Gravação de
Tonico e Tinoco
Nestes versos tão singelos, minha
bela, meu amor
Pra você quero contar o meu sofrer
a minha dor
Eu sou como o sabiá, que quando
canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está
Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade...
Eu nasci naquela serra, num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buraco, onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada, lá no
alto a passarada
Principia o barulhão
Nesta viola...
Vou parar com minha viola, já não
posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta, tem vontade
de chorar
E o choro que vai saindo, bem depressa
vai sumindo
Como a águas vão pro mar
Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade...
Chalana
De Mario Zan
Gravação de
Almir Sater
Lá vai chalana, bem longe se vai
Navegando no remanso, do rio Paraguai
Ah, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas,
vai levando meu amor
(repete 3 últimas linhas)
E assim ela se foi, nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo, na curva lá
do rio
E se ela vai magoada, eu bem sei que tem
razão
Fui ingrato e feri o seu meigo coração
Ah, chalana, sem querer
tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas,
vai levando meu amor
Meu
Rincão
Belmiro e Belmonte
Que saudade do sertão
Do lugar onde nasci
Lá deixei meu coração
Desde o dia que parti
Lembro a terra abençoada
Das suas matas o verdor
Lembro a lua prateada
E a cabocla meu amor
Minha viola ficou
Lá num canto emudecida
Tanto tempo já passou
Só restou em minha vida
A lembrança tão querida...
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Patativa
Vicente Celestino
Acorda patativa, vem cantar
Relembra as madrugadas que lá vão
E faz da tua janela o meu altar
Escuta a minha eterna oração
Eu vivo inutilmente a procurar
alguém que compreenda o meu amor
E vejo que é destino meu sofrer
É padecer, não encontrar
quem compreenda o trovador
Eu tenho n'alma um vendaval sem fim
e uma esperança que hás
de ter por mim
o mesmo afeto que juravas ter
para que acabe este meu sofrer
Eu sei que juras cruelmente em vão
Eu sei que preso tens o coração
Eu sei que vives tristemente a ocultar
que a outro amas, sem querer amar
Mulher, o teu capricho vencerá
e um dia tua loucura findará
A Deus, a Deus minh'alma entregarei
E de outro fores, juro, morrerei
Amar, que sonho lindo, encantador!
Mais lindo por quem leal nos tem amor
E tu vens desprezando sem razão
a mim que choro e busco em vão
o teu ingrato coração
Primeiro
Amor
De Zé Fortuna
Gravação de
Cascatinha e Inhana e Paulo Sérgio/Joana e Fagner
Saudade, palavra triste, quando se perde
um grande amor
Na estrada longa da vida, eu vou chorando
a minha dor
Tal qual uma borboleta, vagando triste
por sobre a flor
Seu nome sempre em meus lábios,
irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra de ouvir
a voz deste sofredor
Que implora por seu carinho, só
um pouquinho do seu amor
Meu primeiro amor, tão cedo acabou,
só a dor deixou neste peito meu
Meu primeiro amor, foi como uma flor que
desabrochou e logo morreu
Nesta solidão, sem ter alegria
o que me alivia, são meus tristes ais
São prantos de dor, que dos olhos
caem, é porque bem sei
Quem eu tanto amei, não verei jamais...
Boiadeiro
Errante
Teddy Vieira
Gravação Liu
e Léu/Carlos Cesar e Cristiano
Eu venho vindo de uma querência
distante
Sou um boiadeiro errante, que nasceu naquela
serra
O meu cavalo corre mais que um pensamento
Ele vem num passo lento, porque ninguém
lhe espera
Tocando a boiada, uê, uê,
uê, boi
Eu vou cortando a estrada, uê, boi
Tocando a boiada, uê, uê,
uê, boi
Eu vou cortando a estrada, uê, boi
Toque o berrante, com capricho, Zé
Vicente
Mostre para essa gente, o clarim das alterosas
Pegue o laço, não se entregue
companheiro
Chame o cachorro campeiro, que essa rês
é perigosa
Olhe na janela, uê, uê, uê,
boi
Que linda donzela, vê, boi
Olhe na janela, uê, uê, uê,
boi,
Que linda donzela, vê boi
Sou boaideiro, minha gente o quê
que há
Deixe o meu gado passar, vou cumprir a
minha sina
Lá na baixada, quero ouvir a siriema,
pra lembrar de uma pequena
Que eu deixei lá em Minas
Ela é culpada, uê, uê,
uê, boi
De eu viver nas estradas, uê boi
Ela é culpada, uê, uê,
uê, boi
De eu viver nas estradas, uê, boi
O rio tá calmo e a boiada vai passando,
veja aquele boi berrando
Chico Bento corre lá, lace o mestiço,
salve ele das piranhas
Tire o gado da campanha, pra viagem continuar
Com destino a Goiás, uê,
uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê, boi
Com destino a Goiás, uê,
uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê boi.
Viola está chorando
De Elias Muniz
Gravação de
Joel Marques
Trago no peito uma saudade tão doida,
tão cruel, tão atrevida
Que eu não posso controlar
No pensamento aquela flor maravilhosa,
flor morena e formosa
Que se foi pra não voltar
Lembro das noites de canções,
de poesias, noite à dentro a gente ia
E eu cantava só pra ela
Meu canto é triste desde que ela
foi embora
Pois até minha viola chora de saudade
dela
Viola está chorando, chorando está
meu coração
Meu desespero, meu sufoco, desabafo pouco
a pouco
Na magia da canção (bis)
Preso nas garras dessa dor tão impulsiva,
feito um barco à deriva
Vou vivendo por viver
Viver sem ela é não ter
sol, não ter abrigo, é bem mais que um castigo
É pior do que morrer
Solto meu grito, meu apelo, meu lamento,
vai meu canto vai com o vento
Vai até onde ela está
E pede a ela que devolva minha vida, tô
num bêco sem saída
Pede a ela pra voltar.
Viola está chorando...
Bat
Masterson
Sucesso de 1959, gravado
por
Carlos Gonzaga
No Velho-Oeste ele nasceu
E entre bravos se criou
Seu nome em lenda se tornou
Bat Masterson, Bat Masterson
Sempre elegante e cordial
Sempre bom amigo, mais leal
Foi da justiça um defensor
Bat Masterson, Bat Masterson
Em toda a canção contava
sua coragem e destemor
Em toda canção falava
De uma bengala e um grande amor
É o mais famoso dos heróis
Que o Velho-Oeste conheceu
Fez do seu nome uma canção
Bat Masterson, Bat Masterson
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