Letras de músicas

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É ao entardecê, quando a vida parece emudecê, que o caboclo distante do seu rincão,  sente a sodade doê. E pegando na viola, a tristeza ele consola, sem mais nada a fazê... - Sergio Ferraz
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Caminheiro
Sucesso nas vozes de Liu e Léu

Caminheiro que lá vai indo
No rumo da minha terra
Por favor faça parada
Na casa branca da serra
Lá mora uma velhinha
Chorando um filho seu
Essa velha é minha mãe
E o seu filho sou eu
Oh, caminheiro, leva este recado meu.

Caminheiro diga pra mãe
Pra zelar do que é meu
Cuidar bem do meu cavalo
Que o finado pai me deu
Do meu cachorro de caça
Meu galo índio brigador
Minha velha espingarda
E o violão chorador
Oh, caminheiro, me faça este favor.

Caminheiro diga pra mãe
Para não se preocupar
Se Deus quiser este ano
Eu consigo me formar
E pegando meu diploma
Vou trazer ela pra cá
Mas se eu for mal nos estudos
Vou deixar tudo e volto pra lá
Oh, caminheiro, não esqueça de avisar

Mágoas de Boadeiro
Gravação de Pedro Bentoe Zé da Estrada

Antigamente, nem em sonho existia, tantas pontes sobre os rios
Nem asfalto nas estradas, a gente usava quatro ou cinco sinuetos
Pra trazer os pantaneiros no rodeio da boiada
Mas hoje em dia tudo é muito diferente, com o progresso nossa gente
Nem sequer faz uma idéia, que entre outros, fui peão de boiadeiro
Por este chão brasileiro, os heróis da epopéia

Tenho saudade, de rever na currutela, as mocinhas na janela
Acenando uma flor, por tudo isso, eu lamento e  confesso
Que a marcha do progresso é a minha grande dor
Cada jamanta que eu vejo carregada, transportando uma boiada
Me aperta o coração, e quando olho minha tráia pendurada
De tristeza dou risada pra não chorar de paixão
O meu cavalo, relinchando pasto à fora, que por certo também chora
Na mais triste solidão, meu par de espora, meu chapéu de aba larga
Uma bruaca de carga, o berrante e o facão, o velho basto, o sinete e o acero
O meu laço e o cargueiro, o meu lenço e o gibão, ainda resta a guaiaca sem dinheiro, deste pobre boiadeiro que perdeu a profissão

Não sou poeta, sou apenas um caipira, e o tema que me inspira
É a fibra de peão, quase chorando, imbuido desta mágoa
Rabisquei estas palavras e saiu esta canção
Canção que fala da saudade das pousadas que já fiz com a peonada
Junto ao fogo de um galpão, saudade louca de ouvir o som manhoso de um berrante preguiçoso, nos confins do meu sertão.

Sarita
Gravação de Sérgio Reis

Adeus Sarita, vou partir lá pra fronteira
Levando a minha boiada
Para vender lá na feira
Com o dinheiro desta venda, eu vou comprar
Mais uma linda fazenda, e contigo me casar

No dia do casamento
Vai ter baile a noite inteira
A sanfona vai tocar, esta rancheira
E os vaqueiros reunidos
Vão cantar para nós dois
E a nossa felicidade, virá depois...

Tristeza do Jeca
Gravação de Tonico e Tinoco

Nestes versos tão singelos, minha bela, meu amor
Pra você quero contar o meu sofrer a minha dor
Eu sou como o sabiá, que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade...

Eu nasci naquela serra, num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buraco, onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada, lá no alto a passarada
Principia o barulhão

Nesta viola...

Vou parar com minha viola, já não posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta, tem vontade de chorar
E o choro que vai saindo, bem depressa vai sumindo
Como a águas vão pro mar

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade...

Chalana
De Mario Zan
Gravação de Almir Sater

Lá vai chalana, bem longe se vai
Navegando no remanso, do rio Paraguai
Ah, chalana, sem querer
Tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas, vai levando meu amor
(repete 3 últimas linhas)

E assim ela se foi, nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo, na curva lá do rio
E se ela vai magoada, eu bem sei que tem razão
Fui ingrato e feri o seu meigo coração
Ah, chalana, sem querer
tu aumentas minha dor
Nessas águas tão serenas, vai levando meu amor

Meu Rincão 
Belmiro e Belmonte 

Que saudade do sertão 
Do lugar onde nasci 
Lá deixei meu coração 
Desde o dia que parti 
Lembro a terra abençoada 
Das suas matas o verdor 
Lembro a lua prateada 
E a cabocla meu amor 
Minha viola ficou 
Lá num canto emudecida 
Tanto tempo já passou 
Só restou em minha vida 
A lembrança tão querida... 
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Patativa
Vicente Celestino

Acorda patativa, vem cantar 
Relembra as madrugadas que lá vão 
E faz da tua janela o meu altar 
Escuta a minha eterna oração 
Eu vivo inutilmente a procurar 
alguém que compreenda o meu amor 
E vejo que é destino meu sofrer 
É padecer, não encontrar 
quem compreenda o trovador 
Eu tenho n'alma um vendaval sem fim 
e uma esperança que hás de ter por mim 
o mesmo afeto que juravas ter 
para que acabe este meu sofrer 
Eu sei que juras cruelmente em vão 
Eu sei que preso tens o coração 
Eu sei que vives tristemente a ocultar 
que a outro amas, sem querer amar 
Mulher, o teu capricho vencerá 
e um dia tua loucura findará 
A Deus, a Deus minh'alma entregarei 
E de outro fores, juro, morrerei 
Amar, que sonho lindo, encantador! 
Mais lindo por quem leal nos tem amor 
E tu vens desprezando sem razão 
a mim que choro e busco em vão 
o teu ingrato coração

Primeiro Amor
De Zé Fortuna
Gravação de Cascatinha e Inhana e Paulo Sérgio/Joana e Fagner

Saudade, palavra triste, quando se perde um grande amor
Na estrada longa da vida, eu vou chorando a minha dor
Tal qual uma borboleta, vagando triste por sobre a flor
Seu nome sempre em meus lábios, irei chamando por onde for
Você nem sequer se lembra de ouvir a voz deste sofredor
Que implora por seu carinho, só um pouquinho do seu amor

Meu primeiro amor, tão cedo acabou, só a dor deixou neste peito meu
Meu primeiro amor, foi como uma flor que desabrochou e logo morreu
Nesta solidão, sem ter alegria o que me alivia, são meus tristes ais
São prantos de dor, que dos olhos caem, é porque bem sei
Quem eu tanto amei, não verei jamais...

Boiadeiro Errante
Teddy Vieira
Gravação Liu e Léu/Carlos Cesar e Cristiano

 Eu venho vindo de uma querência distante
Sou um boiadeiro errante, que nasceu naquela serra
O meu cavalo corre mais que um pensamento
Ele vem num passo lento, porque ninguém lhe espera
Tocando  a boiada, uê, uê, uê, boi
Eu vou cortando a estrada, uê, boi
Tocando a boiada, uê, uê, uê, boi
Eu vou cortando a estrada, uê, boi

Toque o berrante, com capricho, Zé Vicente
Mostre para essa gente, o clarim das alterosas
Pegue o laço, não se entregue companheiro
Chame o cachorro campeiro, que essa rês é perigosa
Olhe na janela, uê, uê, uê, boi
Que linda donzela, vê, boi
Olhe na janela, uê, uê, uê, boi,
Que linda donzela, vê boi

Sou boaideiro, minha gente o quê que há
Deixe o meu gado passar, vou cumprir a minha sina
Lá na baixada, quero ouvir a siriema, pra lembrar de uma pequena
Que eu deixei lá em Minas
Ela é culpada, uê, uê, uê, boi
De eu viver nas estradas, uê boi
Ela é culpada, uê, uê, uê, boi
De eu viver nas estradas, uê, boi

O rio tá calmo e a boiada vai passando, veja aquele boi berrando
Chico Bento corre lá, lace o mestiço, salve ele das piranhas
Tire o gado da campanha, pra viagem continuar
Com destino a Goiás, uê, uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê, boi
Com destino a Goiás, uê, uê, uê, boi
Deixei Minas Gerais, uê boi.

Viola está chorando
De Elias Muniz
Gravação de Joel Marques

Trago no peito uma saudade tão doida, tão cruel, tão atrevida
Que eu não posso controlar
No pensamento aquela flor maravilhosa, flor morena e formosa
Que se foi pra não voltar
Lembro das noites de canções, de poesias, noite à dentro a gente ia
E eu cantava só pra ela
Meu canto é triste desde que ela foi embora
Pois até minha viola chora de saudade dela

Viola está chorando, chorando está meu coração
Meu desespero, meu sufoco, desabafo pouco a pouco
Na magia da canção (bis)

Preso nas garras dessa dor tão impulsiva, feito um barco à deriva
Vou vivendo por viver
Viver sem ela é não ter sol, não ter abrigo, é bem mais que um castigo
É pior do que morrer
Solto meu grito, meu apelo, meu lamento, vai meu canto vai com o vento
Vai até onde ela está
E pede a ela que devolva minha vida, tô num bêco sem saída
Pede a ela pra voltar.

Viola está chorando...

Bat Masterson 
Sucesso de 1959, gravado por 
Carlos Gonzaga 

No Velho-Oeste ele nasceu 
E entre bravos se criou 
Seu nome em lenda se tornou 
Bat Masterson, Bat Masterson 
Sempre elegante e cordial 
Sempre bom amigo, mais leal 
Foi da justiça um defensor 
Bat Masterson, Bat Masterson 

Em toda a canção contava 
sua coragem e destemor 
Em toda canção falava 
De uma bengala e um grande amor 
É o mais famoso dos heróis 
Que o Velho-Oeste conheceu 
Fez do seu nome uma canção 
Bat Masterson, Bat Masterson 
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