Meu
Rincão
Belmiro e Belmonte
Que saudade do sertão
Do lugar onde nasci
Lá deixei meu coração
Desde o dia que parti
Lembro a terra abençoada
Das suas matas o verdor
Lembro a lua prateada
E a cabocla meu amor
Minha viola ficou
Lá num canto emudecida
Tanto tempo já passou
Só restou em minha
vida
A lembrança tão
querida...
Desde
que te vi
Belmonte e Amarai
Um dia de manhãzinha
Ao percorrer a fazenda
Encontrei com minha prenda
Que passeava sozinha
Eu disse, oh, minha querida
Não sabes o quanto
te quero
Eu sou um moço sincero
Que teu amor solicita
Quisera que Deus permita
Eu ser o teu amor primeiro
Desde que te vi, que te
quero
Desde que te vi, te adoro
Desde que te vi, te venero
Porque tu és o meu
tesouro
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Porque te tenho, que te
tenho que adorar
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Nem que teus pais não
queiram me ver
Não tenho muito dinheiro
Pra construir nosso ninho
Mas terás todo carinho
Do meu amor verdadeiro
Meu amor te quero tanto
Mas que tudo nesta vida
Ainda juro querida
Que a te serei sincero
Saibas que muito te quero
És o meu amor primeiro
Desde que te vi, que te
quero
Desde que te vi, te adoro
Desde que te vi, te venero
Porque tu és o meu
tesouro
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Porque te tenho, que te
tenho que adorar
Porque te tenho, que te
tenho que querer
Nem que teus pais não
queiram me ver
Menino
da Porteira
Sucesso de Teddy Vieira,
já gravado
por várias
duplas e cantores solos
Toda vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava
A figura de um menino
Que corria abrir a porteira
Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
Que é pra eu ficar
ouvindo
Quando a porteira fechava
E a poeira ia abaixando
Eu jogava uma moeda e ele
saia gritando
Obrigado, boiadeiro, que
Deus vá
Lhe acompanhando
Por este sertão à
fora, meu berrante
Ia tocando
Nos caminhos desta vida
Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo
Do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta
Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada
O menino não avistei
Apiei do meu cavalo num
ranchinho
Beira-chão, vi uma
mulher chorando
Quis saber qual a razão
Boiadeiro, veio tarde
Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
Foi um boi sem coração
Lá pras bandas de
Ouro Fino
Levando gado selvagem
Quando passo na porteira
Até vejo a sua imagem
O seu rangido tão
triste mais parece
Uma mensagem, daquele rosto
trigueiro
Desejando-me boa viagem
A cruzinha do estradão
Do pensamento não
sai
Eu já fiz um juramento,
que
Não esqueço
jamais
Nem que o meu gado estoure
E que eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão
Berrante eu não toco
mais...
Cavaleiros
do Céu
(Ghost riders in sky)
Country gravado por
Carlos
Gonzaga na década
de 60 e
regravado por Milton
Nascimento
Música tema
do filme Motoqueiro Fantasma
Vaqueiro do Arizona
Desordeiro e beberrão
Seguia em seu cavalo
Pela noite do sertão
No céu porém
a noite ficou rubra
Num clarão.
E viu passar num fogaréu
Um rebanho no céu
Ipiaê, ipiaô...Correndo
pelo céu
As rubras ferraduras punham
brasas pelo ar
E os touros com o fogo
Galopavam sem cessar
Atrás vinham os vaqueiros
Como loucos a gritar
Vermelhos a queimar também
Galopando para o além
Ipiaê, ipiaô...Correndo
pelo céu
Um dos vaqueiro ao passar
Gritou, dizendo assim
Cuidado companheiro ou virás
para onde eu vim
Se não mudas de vida,
Tu terás o mesmo
fim
Querer pegar num fogaréu
Um rebanho no céu!
Ipiaê, ipiaô...Correndo
pelo céu
Ipiaê, ipiaô...Ipiaê,
ipiaô... |
Bat
Masterson
Sucesso de 1959, gravado
por
Carlos Gonzaga
No Velho-Oeste ele nasceu
E entre bravos se criou
Seu nome em lenda se tornou
Bat Masterson, Bat Masterson
Sempre elegante e cordial
Sempre bom amigo, mais leal
Foi da justiça um
defensor
Bat Masterson, Bat Masterson
Em toda a canção
contava
sua coragem e destemor
Em toda canção
falava
De uma bengala e um grande
amor
É o mais famoso dos
heróis
Que o Velho-Oeste conheceu
Fez do seu nome uma canção
Bat Masterson, Bat Masterson
Eu
sei que te perdi
Belmonte e Amarai
Os olhos que eu adorava
Tinham maldade
Os lábios que eu
beijei
Onde estarão
A sua ausência querida
Traz a saudade
Minha alma se desespera
Na solidão
Bem sei que já te
perdi
Para toda a vida
O meu castelo de sonhos
Já foi ao chão
O dia que tu voltares
Arrependida
Talvez seja muito tarde
Para o perdão
Partistes, para longe talvez
Chorei, o nosso amor
Jamais, perdoarei outra
vez
Deixei, de ser um sonhador.
Tristeza
do Jeca
Sucesso nas vozes
de Tonico e Tinoco
Eu nasci naquela serra, num
ranchinho beira-chão
Todo cheio de buraco, onde
a lua faz clarão
Quando chega a madrugada,
lá no alto a passarada
Principia o barulhão
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade
Cada toada representa uma
saudade
Vou parar com minha viola,
já não posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta,
tem vontade de chorar
E o choro que vai caindo,
devagar vai se sumindo
Como as águas vão
pro mar
Nesta viola eu canto e gemo
de verdade
Cada toada representa uma
saudade...
Saudade
de Minha Terra
Belmonte e Amarai
De que me adianta, viver
na cidade,
Se a felicidade não
me acompanhar
Adeus paulistinha, do meu
coração
Lá pro meu sertão
eu quero voltar
Ver a madrugada, quando
a passarada
Fazendo alvorada, começa
a cantar
Com satisfação,
arreio o burrão
Cortando o estradão,
saio a galopar
E vou escutando o gado berrando
Sabiá cantando no
jequitibá
Por nossa senhora, meu sertão
querido
Vivo arrependido de ter
te deixado
Nesta nova vida, aqui na
cidade
De tanta saudade eu tenho
chorado
Aqui tem alguém,
diz que me quer bem
Mas não me convém,
eu tenho pensado
Eu digo com pena, mas esta
morena
Não sabe o sistema
que eu fui criado
Estou aqui cantando, de
longe escutando
Alguém está
chorando com o rádio ligado
Que saudade imensa, do campo
e do mato
Do manso regato que corta
as campinas
Aos domingos eu ia passear
de canoa
Nas lindas lagoas de águas
cristalinas
Que doce lembrança,
daquelas festanças
Onde tinha dança
e lindas meninas
Eu vivo hoje em dia, sem
ter alegria
O mundo judia, mas também
ensina
Estou contrariado, mas não
derrotado
Eu sou bem guiado pelas
mãos divinas
Pra minha mãezinha,
já telegrafei
Que já me cansei,
de tanto sofrer
Nesta madrugada, estarei
de partida
Pra terra querida que me
viu nascer
Já ouço sonhando,
o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A lua prateada, clareando
a estrada
A relva molhada desde o
anoitecer
Eu preciso ir pra ver tudo
ali
Foi lá que nasci,
lá quero morrer.
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