O dia 08 de março de 2011
foi, mais que a comemoração do Dia Internacional da Mulher,
uma data importantíssima para os moradores de Paulo Afonso. Muita
festa e atividades culturais e centenas e centenas de turistas diários
marcaram as festividades do centenário do nascimento de Maria Gomes
de Oliveira, ou Maria Bonita, uma das mais famosas mulheres do Brasil.
Aquela que mudaria o cenário
do cangaço nordestino, sendo a primeira mulher a entrar nele e que
acompanharia seu grande e único amor, Lampião, até
a morte, nasceu em 8 de março de 1911 no local antes chamado Fazenda
Malhada de Caiçara, distrito de Santo Antonio da Glória do
Curral dos Bois (hoje Paulo Afonso), no estado da Bahia.
Maria Bonita era filha do casal
José Gomes de Oliveira e Maria Joaquina Conceição
(dona Déia), e teve 11 irmãos: Benedita, Joana, Amália,
Francisca, Antonia, Olindina, Ozéias, José, Arlindo, Ananias
e Izaias.
Maria Bonita foi a única
da família a seguir o caminho do cangaço. De seus parentes,
uma prima, Mariquinha, também a acompanhou, passando a viver com
o cangaceiro Labareda.
Casada ainda muito jovem com um
primo, o sapateiro José Miguel da Silva (Zé de Neném),
Maria Bonita parecia seguir o cotidiano das moças nascidas no agreste
nordestino: casar jovem, se encher de filhos, envelhecer e morrer...
Mas a história da linda
morena de olhos amendoados que conseguiu aprisionar o coração
do maior cangaceiro do sertão – e que por isso seria épica,
ainda estava sendo escrita.
Separada do marido, Maria Bonita
certo dia viu aparecer na fazenda o bando de Lampião, tendo à
frente um jovem alto e moreno, longos cabelos, olhar metálico de
um guerreiro sem medo. Os olhares dos dois se cruzaram e o amor na melhor
definição shakspeareana nasceu ali, mais incandescente que
o fuzil de Lampião ao enfrentar a Volante.
Em 1929, com apenas 18 anos de
idade, Maria Bonita entrava para o bando do rei do cangaço e se
transformaria, a partir de então, na rainha do cangaço!
Em apenas 9 anos Maria Bonita viveria
uma vida intensa – e sofrida ao lado do seu amado, com muitas e espetaculares
fugas perseguidos pelas volantes, mudanças constantes, longas caminhadas
sob o sol escaldante das caatingas, mescladas com cheiro de pólvora
e morte. E, meio a tudo isso, uma gravidez e o nascimento de Expedita (oficialmente
até hoje a única filha do casal) e que talvez foi o que maior
tristeza lhe causou em sua vida marginal, já que não pode,
como uma mãe comum, nem cuidar e muito menos conviver com a filha,
que foi deixada ainda bebê com um casal amigo de Lampião.
Eles visitaram a criança
poucas vezes e talvez, mesmo nesse pouco tempo, Maria Bonita sonhasse viver
em paz ao lado do marido e da filha. Mas em 28 de julho de 1938, na Grota
de Angico, Sergipe, as balas da volante traiçoeiramente colocaram
fim ao possível sonho de Maria Bonita. Ela estava com 27 anos de
idade. Em sua curta e atribulada vida, ela deixava uma filha e o
sangrento registro da história de Lampião e Maria Bonita
e do amor escrito com balas e sangue e que sobreviveu à morte e
se tornou uma lenda que, forte e selvagem, temperado em tristeza e doçura,
ainda paira sobre o sertão nordestino...
NE – O nome Maria Bonita,
segundo alguns registros, foi lhe dado pela polícia e não
pelos cangaceiros. Estes a chamavam de Dona Maria ou Maria do Capitão
(Virgulino).
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