Lobato: advogado,
fazendeiro, empresário, visionário e escritor de sucesso
Ele se foi aos 67 anos de idade
mas, inquieto, a estrada que caminhou jamais teve fim. Havia horizontes,
muitos horizontes para Lobato e, talvez por isso, os caminhos para ele
jamais tiveram fim...
Nascido em Taubaté, em 18
de abril de 1882, José Renato Monteiro Lobato, apesar de neto do
visconde de Tremembé, grande proprietário de terras no vale
do Paraíba, deixou de seguir os passos do nobre avô, para
se transformar no nobre escritor das crianças. Ainda criança,
fascinado por uma bengala que pertencia ao seu pai, e que sonhava herdar,
Lobato acabou mudando seu nome para José Bento Monteiro Lobato,
pois as iniciais JBML gravadas a ouro no cabo da bengala, não coincidiam
com as suas.
Essa foi uma das primeiras empreitadas de Lobato. De espírito
livre, empreendedor, sonhador e lutador, enquanto escrevia contos para
as crianças, que lhe garantiam o sustento, graças ao sucesso
das mesmas, Lobato sempre buscava novos horizontes. Escritor, desenhista,
Lobato formou-se em Direito, à força da vontade do avô,
e ainda na Faculdade, criou o jornal O Minarete, do qual foi editor, redator,
impressor e distribuidor. Mais tarde, cansado da advocacia, ele resolve
fabricar geléia em vidro.
Largou a geléia, casou com Maria Pureza Natividade
e foi alçado à posição de promotor público.
Lobato então passa a colaborar em jornais, até herdar as
terras do avô. Como fazendeiro, Lobato tenta implantar novas técnicas,
mas percebe a indolência dos caboclos na fazenda. Verificando se
tratar de subnutrição, acaba por criar o famoso Jeca Tatu.
A fazenda, cheia de dívidas, vai mal. Ele a vende e cria
sua primeira editora, a Monteiro Lobato e Cia. Em 1921 Lobato escreve o
livro A Menina do Narizinho Arrebitado, primeiro da série que se
tornaria no maior sucesso do escritor: O Sítio do Pica-Pau Amarelo.
O presidente Washington Luís envia Lobato aos EUA como adido
comercial e este volta de lá em 1931 acreditando que o progresso
do Brasil estaria no ferro e no petróleo. Ele chegou a criar uma
companhia para prospecção e exploração de petróleo.
Aos 59 anos, aborrecido com o governo de Getulio Vargas, escreve uma carta
ao ditador e é preso em 1941 por seis meses.
Um pouco mais sossegado, o grande escritor e visionário funda
ainda mais uma editora, a Brasiliense, vive a glória do sucesso
de suas obras junto às crianças do Brasil e da Argentina
e morre em julho de 1948, aos 67 anos de idade.
|