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De
Deodoro a Lula
O
Brasil monárquico tem fim em 15 de novembro de 1889 e, a partir
desta data, até hoje, somos uma República que reza um regime
democrático, mas não é, por completo. O primeiro presidente
e cabeça do movimento que transformou o Brasil em República,
foi o marechal Manuel Deodoro da Fonseca.
Pertencente
a tradicional família de militares, após a proclamação
do Brasil República, o marechal já convocou a nossa primeira
Constituinte e, através desta, foi eleito nosso primeiro presidente.
Através
do Decreto número 4, de 19 de novembro do mesmo ano, ele instituiu
e oficializou a Bandeira brasileira, nosso maior símbolo. Além
disso, o marechal Deodoro reformou o Ensino e também as finanças.
O Brasil,
finalmente, respirava a verdadeira brisa da independência de Portugal.
Mas, com apenas dois anos de mandato, o marechal renunciou à presidência.
De 23 de novembro
de 1891 a 15 de novembro de 1894, assumiu a presidência o então
vice-presidente, marechal Floriano Vieira Peixoto, que ficou conhecido
como “O marechal de ferro”, por enfrentar a Revolta da Armada e a Revolução
Federalista.
De família
humilde, o marechal Floriano iniciou seus estudos em Alagoas, sua terra
natal. Mais tarde, já no Exército, destacou-se na Campanha
do Paraguai. Teve braço forte para enfrentar vários problemas
sociais e militares que já se desenharam ao raiar da nova República,
e por isso também foi chamado de Consolidador da República.
De 1894 a 1898,
o presidente da República foi Prudente José de Morais e Barros.
Com luva de veludo de um lado e mão de ferro do outro, pacificou
o país, anistiando os envolvidos nas Revoluções Armada
e Federalista. Resolveu a questão do Território das Missões
no Sul e assegurou a posse do Brasil sobre a Ilha de Trindade, reclamada
pela Inglaterra. Sua mão pesou mais na Guerra de Canudos, liderada
por Antonio Conselheiro, do qual falamos em outra matéria no GNT.
Manoel Ferraz
de Campos Sales foi o quarto presidente da República, governando
o país de 1898 a 1902. Campos Sales, com o apoio do grande diplomata
Barão do Rio Branco, obteve o reconhecimento dos direitos do Brasil
ao território do Amapá.
Também
no seu governo providenciou a elaboração do anteprojeto do
Código Civil, incentivou a implantação de indústrias
e reabilitou o crédito e as finanças do país.
De 1902 a 1906,
o presidente do Brasil foi Francisco de Paula Rodrigues Alves, responsável
pela obrigatoriedade da vacinação no Brasil, a pedido do
sanitarista Oswaldo Cruz. Ele também remodelou a Marinha e o Exército,
firmou o Tratado de Petrópolis, que anexou o território do
Acre ao Brasil, antes sob o domínio da Bolívia e do Peru.
Rodrigues Alves ainda reorganizou o Banco do Brasil.
Afonso Augusto
Moreira Pena, nosso sexto presidente, deu início à conquista
da Amazônia, celebrando tratados de navegação fluvial
com a Colômbia. Foi ele quem designou Ruy Barbosa para representar
o Brasil em Haia, na Holanda, onde foi sobremaneira elevada a imagem e
a soberania do nosso país. O presidente Afonso Pena ainda estabilizou
a moeda e o câmbio. Ele governou de 1906 a 1909, falecendo antes
de terminar seu mandato.
De 14 de junho
de 1909 a 15 de novembro de 1910, o vice-presidente Nilo Procópio
Peçanha então assumiu a presidência, concluindo o mandato
de Pena. E, apesar de governar o país por apenas 16 meses, Nilo
Peçanha fez coisas notáveis, como a criação
do Serviço Nacional do Índio (SNI, hoje FUNAI), instalou
o Ministério da Agricultura e implantou o Ensino Profissional e
ainda inaugurou a iluminação elétrica no Rio de Janeiro
e a Diretoria de Saneamento.
Quando ainda
era Ministro da Guerra, designação dada antigamente ao Ministro
do Exército e Marinha, Hermes Rodrigues da Fonseca já começara
a reforma do Exército, o que concluiu depois, como presidente da
República, entre os anos de 1910 e 1914.
Seu governo
foi marcado por diversas crises políticas que até chegaram
a ameaçar com uma guerra civil os Estados do Rio de Janeiro, Bahia
e Amazonas. Em consequência ao feito de Santos Dumont, Hermes
da Fonseca criou a Escola de Aviação.
De 1914 a 1918,
o Brasil foi governado por Venceslau Brás Pereira Gomes, o primeiro
presidente a encarar uma guerra mundial. Seu governo teve de conter os
efeitos e consequências da I Guerra Mundial sobre a Economia. Com
o bombardeio de navios brasileiros pela Alemanha, Venceslau Brás
teve sobre as costas a responsabilidade de declarar guerra aos alemães.
Fora isso,
o presidente promulgou o Código Civil e a Reforma Eleitoral. O Código
Civil foi elaborado por Clóvis Beviláqua e vigora até
hoje.
Delfim Moreira
da Costa Ribeiro também foi um presidente com mandato tampão,
pois teve que assumir a presidência entre 1918 e 1919, já
que Rodrigues Alves, presidente reeleito, faleceu sem tomar posse. Delfim
Moreira convocou novas eleições, mas no pouco tempo que ocupou
o cargo, contratou a Missão Militar Francesa, reformou os Correios
e Telégrafos e aprovou os códigos de Processo Civil e Penal.
NE - Ao término
da guerra, o Brasil contratou, para o Exército e sua Aviação
nascente, a Missão Militar Francesa, que desenvolveu seu trabalho
de instrução dos nossos oficiais militares aqui de 1920 a
1939.
Epitácio
Lindolfo da Silva Pessoa, vencedor das eleições, concluiu
o mandato de Rodrigues Alves. Assim, ele governou o Brasil de 1919 a 1922.
Epitácio Pessoa fez a Reforma Financeira, solucionou questões
de limites entre Estados e iniciou as primeiras obras contra as secas do
Nordeste. Isso acabaria depois sendo aproveitado pelos políticos
mais contemporâneos como marketing de campanha, até hoje.
E até hoje, mesmo com a criação do Bolsa Família,
o nordestino e seus animais continuam morrendo de sede (o adendo é
nosso).
Coube a Epitácio
Pessoa a comemoração do primeiro centenário da pseudo-independência
de D. Pedro I e a inauguração do Monumento do Ipiranga, em
São Paulo, capital.
De 1922 a 1926,
nosso presidente foi Artur da Silva Bernardes, que governou o país
praticamente em estado de sítio, dado aos diversos levantes ocorridos,
inclusive o de 1924, no Estado de São Paulo.
Bernardes
também teve que ter mão de ferro para sufocar os levantes
e poder governar. Ele pacificou o Rio Grande do Sul, talvez sua maior vitória,
expandiu a radiotelegrafia com o Marechal Rondon, promulgou o primeiro
Código de Menores e instalou o Conselho Nacional do Trabalho. Buscou
também disciplinar o pagamento da dívida externa...é,
a danada já existia, desde D. Pedro II...
Mas, como nos
conta a História, saimos do regime monárquico e entramos
para o presidencialista, que se alternava entre presidentes militares e
civis, como vimos até agora. Conquistamos a liberdade de Portugal,
mas os problemas da Nova República se intensificavam, talvez, dado
à grande extensão territorial do país, quando se resolvia
um problema no Rio Grande do Sul, por exemplo, já estava surgindo
outro no Maranhão.
E a coisa
ia engrossar ainda mais a partir do governo de Washington Luís,
entre os anos de 1926 a 1930, quando já no final do seu mandato,
uma revolução encabeçada por Getúlio Vargas
o depôs.
Historiador,
Washington Luís foi o criador da frase “governar é abrir
estradas”, e foi o que ele fez. Apesar da crise econômica de 1929
e a crise política que cercou seu governo, ele inaugurou as rodovias
Rio-São Paulo e Rio-Petrópolis.
De 24 de outubro
de 1930 a 03 de novembro do mesmo ano, o Brasil foi governado por uma Junta
Militar, que no dia 03 de novembro empossou Getúlio Dornelles Vargas,
que instaurou um regime ditatorial, governando o país de 1930 a
1945.
Mesmo assim,
Vargas promulgou as Constituições de 1934 e 1937, criou os
Ministérios do Trabalho, Aeronáutica e Educação,
implantou a indústria siderúrgica, elaborou as leis trabalhistas
e instituiu a Previdência Social.
Em 1942, assim
como o presidente Venceslau Brás, teve de arcar com o peso de uma
declaração de guerra à Alemanha Nazista, que já
havia formado seu Eixo com a Itália e o Japão. Assim surgia
a gloriosa FEB (Força Expedicionária Brasileira), que lutou
ao lado dos aliados e atuou na Itália de Mussolini na Segunda Guerra
Mundial.
Mas, como
diz o ditado “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, em 29
de outubro de 1945, Getúlio, que havia assumido o poder através
de golpe militar, é deposto por outro golpe militar, e se exila
em São Borja, sua cidade natal, no Rio Grande do Sul.
De outubro
a dezembro de 1945, outro mandato tampão, desta feita José
Augusto Linhares assumiu a direção do país como presidente
do Supremo Tribunal Federal. Ele já convocou eleições
para 2 de dezembro de 1945, ganhas pelo general Dutra. Mas o impressionante
é que como presidente apenas um mês, José Augusto Linhares
criou o Departamento Nacional de Obras e o Departamento Nacional de Portos,
Rios e Canais.
O general Eurico
Gaspar Dutra assumiu a presidência do país em 31 de janeiro
de 1946 e o governou até 31 de janeiro de 1951. Ele promulgou uma
nova Constituição, criou a Hidrelétrica de São
Francisco, construiu a usina de Paulo Afonso e as refinarias de petróleo
em Mataripe e Cubatão e ainda concluiu as obras da rodovia Rio-Bahia
e reconstruiu a Rio-São Paulo, que foi batizada com seu nome. O
homem tinha pulso e visão!
De 1951 a 1954,
volta nos braços do povo à presidência da República,
Getúlio Dornelles Vargas. Mas desta vez, crises políticas
enormes o levariam ao suicídio em 24 de agosto de 1954. Mesmo assim,
enfrentando problemas e sem concluir o mandato, em apenas 3 anos Getúlio
Vargas criou o Ministério da Saúde, a Petrobrás, o
Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), o Conselho Nacional
de Pesquisas e a Comissão Nacional de Política Agrária.
É de
se chamar a atenção a atuação de Getúlio,
Dutra e outros governantes anteriores, que fizeram grandes realizações
em meio a um mar de tormentas e ainda deram o pontapé inicial em
outras obras. Há algum tempo os governantes atuais reclamam que
4 anos de mandato é MUITO POUCO para fazer qualquer coisa...Por
isso, Fernando Henrique Cardoso, que viria a ser presidente do Brasil em
1994, conseguiu aprovar a reeleição para mais um mandato,
o que deu a ele e ao atual presidente Lula, 8 anos de poder (para poder)
fazer alguma coisa...Desculpem o trocadilho. Foi irresistível.
Com a morte
de Getúlio, mais um mandato tampão e mais problemas. Assume
a presidência do Brasil de 24 de agosto de 1954 a 09 de novembro
de 1955, João Fernandes Campos Café Filho, que procurou aperfeiçoar
as instituições democráticas e conter a crise política
iniciada no último governo Vargas. Mas Café Filho teve o
azar de ficar doente e, afastado para tratamento médico, quando
voltou o Congresso Nacional já havia decretado seu impedimento para
voltar ao cargo.
Vargas e
o governo militar pós 64, foram criticados por fechar o Congresso
Nacional. Mas você sabia que o Congresso Nacional pode fechar a porta
a um mandato presidencial? A História registra tudo...
Carlos Coimbra
da Luz foi, em toda a História política do país, o
presidente com o menor mandato: ele ocupou o cargo de presidente por dois
dias apenas. De 09 a 11 de novembro de 1955. Como era o presidente da Câmara
dos Deputados e com o impedimento de Café Filho, ele teve que assumir.
Como a crise política continuava, ele foi deposto pelo então
Ministro da Guerra, general Teixeira Lott.
Coube a Nereu
de Oliveira Ramos terminar o mandato até às eleições,
ganhas por Juscelino, que foi empossado em 31 de janeiro de 1956. Como
presidente do Senado, Nereu já havia ocupado o cargo de presidente
na ausência do general Dutra, e assim voltou a ocupar o cargo novamente,
com a deposição de Luz.
De 1956 a 1961,
o Brasil foi governado pelo médico mineiro Juscelino Kubitscheck
de Oliveira, que entrou para a História pela implantação
da indústria automobilística no país e pela construção
de Brasília, a nova capital do Brasil.
Além
disso, Juscelino implantou a indústria da construção
naval, criou incentivos à industrialização e exportação
de minérios, a estrada Belém-Brasília, integrando
a Amazônia e criou o Conselho do Desenvolvimento, investindo também
em energia e transportes. Para não fugir à regra dos seus
antecessores, o presidente Juscelino ainda teve que enfrentar as sublevações
militares de 1956 e 1959, conhecidas por revoltas de Jacareacanga e Aragarças.
Em 1961, sob
o marketing do “varre, varre vassourinha”, o professor Jânio da Silva
Quadros é eleito presidente do Brasil e, no mesmo ano, renuncia,
sem ninguém até hoje saber o verdadeiro motivo. Fora a criação
da Lei das Diretrizes e Bases da Educação, o que Jânio
fez em seus 7 meses de mandato foi reatar relações diplomáticas
com a Russia comunista e condecorar com a Ordem do Cruzeiro do Sul, comenda
máxima a ser outorgada a uma personalidade, a Ernesto Guevara, ministro
de Cuba.
Fora essas
“heresias” dentro da ótica militar, Jânio ainda tinha como
vice João Goulart, que na época da sua renúncia, estava
na China comunista, não se sabe fazendo o quê...
E vai mais
um tampão! De 25 de agosto de 1961 a 07 de setembro do mesmo ano,
assume a presidência da República Paschoal Ranieri Mazzilli,
presidente da Câmara dos Deputados. O vice de Jânio, como visto
acima, estava em missão oficial na China. Mazzilli ainda voltaria
à presidência do Brasil em mais uma “tampada”, de 2 a 15 de
abril de 1964, quando terá início o Governo Militar, que
se estenderá até 1985.
Mas antes
de sair, Mazzili introduziu no Brasil o regime parlamentarista, igualzinho
na Itália de seus pais...
De 1961, após
voltar da China, até 02 de abril de 1964, assume a presidência
do Brasil João Belchior Marques Goulart (Jango). Ele criou
o Ministério do Planejamento e elevou o território do Acre
à categoria de Estado. Fez voltar o regime presidencialista e foi
deposto pela chamada Revolução de 1964.
Após
a deposição de Jango, assumiu como presidente da República
o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, governando de 1964 a 1967,
quando perdeu a vida num acidente aéreo. Em seu governo foi elaborada
a nova Constituição, sistematizados a distribuição
da receita e o regime tributário e foi criado o FGTS. Castelo
Branco também promoveu a unificação da Previdência
Social.
De 1967 a 1969,
o presidente da República foi o marechal Arthur da Costa e Silva,
que consolidou a revolução dando cumprimento à Constituição
de 1967. Foi adotada uma política econômica-financeira com
abertura de crédito às empresas e instituida uma taxa flexivel
de câmbio para estimular o comércio externo. Costa e Silva
ainda adotou o Plano Nacional de Comunicação, dinamizou a
política de transportes com a pavimentação de novas
estradas e iniciou as obras da ponte Rio-Niterói, que leva seu nome.
Vítima
de uma trombose cerebral, ele também não concluiu seu mandato,
sendo substituido até 30 de outubro de 1969 por uma Junta de Ministros
Militares.
De outubro
de 1969 a 15 de março de 1975, o presidente foi o general Emilio
Garrastazu Médici. Ele buscou equacionar a expansão da indústria
siderúrgica e implantou dois pólos petroquímicos,
sendo um em São Paulo e outro na Bahia. Criou o PIS e, infelizmente,
não foi bem sucedido na construção da rodovia Transamazônica,
que deveria ligar Santarém a Cuiabá e Perimetral Norte. A
obra foi abandonada e até hoje, 36 anos após, ainda é
criticada pelos oposicionistas do período militar.
De 1974 a 1979,
o país foi governado pelo general Ernesto Geisel que já deu
início à preparação da transição,
após o governo seguinte, para o governo civil. Geisel extinguiu
o famigerado Ato Institucional Número 5 e primou seu governo para
o chamado Desenvolvimento Integrado, conjugando os planos político,
econômico e social.
Criou o Ministério
da Previdência e Assistência Social e deu início à
construção da hidrelétrica de Itaipu. Com esta obra
e a inauguração da Barragem de Sobradinho, ele dinamizou
a política energética brasileira.
Geisel também
firmou acordo nuclear com a Alemanha, decretou a fusão dos estados
da Guanabara e Rio de Janeiro e a divisão do Mato Grosso, criando
o estado de Mato Grosso do Sul. Nessa época o Brasil já ocupava
a oitava posição no ranking da Economia Mundial.
O general João
Batista de Oliveira Figueiredo, o último general a dirigir os destinos
do país, veio de uma família de tradição militar.
Seu pai era o general Euclides de Oliveira Figueiredo. Após galgar
todos os postos de comando do Exército, ele foi promovido em 1978
a general de Exército. No ano seguinte, e até 1985, foi eleito
pelo Colégio Eleitoral como presidente do Brasil.
Em seu governo
foram elaboradas estratégias mais agressivas para combate à
crise energética e a ampliação das exportações.
Porém, seu governo foi marcado pelo início e conclusão
do processo de democratização, pela anistia e pela reforma
partidária. Em 1986 o cetro do comando do país já
se encontrava pacificamente nas mãos dos civis.
De 1986 a 1990,
com a morte de Tancredo Neves antes de assumir, quem herdou o cargo foi
o maranhense José Sarney de Araújo Costa. Buscando contornar
a crise econômica, Sarney montou uma equipe contrária à
antiga política econômica do governo militar. Esta equipe
criou o Plano Cruzado. No primeiro instante desse plano a inflação
atingiu valores negativos, o consumo aumentou e os fundos aplicados foram
lançados na economia.
Alguns meses
mais tarde, a euforia de consumo levou o plano à falência.
A estabilização forçada dos preços retraiu
os setores produtivos e acabou fazendo com que os bens de consumo desaparecessem
das prateleiras dos supermercados e das empresas. Muitos fornecedores passaram
a cobrar um ágio sob a obtenção de determinados produtos.
A fuga das
reservas motivou um processo de crise econômica marcado pela moratória,
ou seja, o não pagamento dos juros da dívida externa brasileira.
O controle dos preços foi eliminado e a inflação voltou
a disparar. Mesmo ainda tentando novos planos (Bresser, 1987; e Verão,
1989) a economia brasileira não conseguia vencer seu problema inflacionário.
No ano de 1989, a inflação anual já alcançava
1764%.
A ineficiência
do campo econômico, só não ganhou maior destaque na
época devido às movimentações políticas
em torno da Constituição de 1988. Essa nova Constituição
criou um grande problema judiciário devido à sua extensão
e quantidade de detalhes. Muitos aspectos da economia e dos poderes instituídos
foram prejudicados com o aspecto eminentemente burocrático da
nova Constituição.
De 1990 a 1994,
é eleito presidente do país Fernando Affonso Collor
de Mello. A posse do novo presidente, em março de 1990, em meio
à hiperinflação, foi acompanhada de novas medidas
econômicas, organizadas pela ministra Zélia Cardoso de Mello
- o Plano Collor. O cruzeiro, que tinha mudado para cruzado, voltou
ao nome antigo. Em 1991 já emergiam sucessivos escândalos
envolvendo membros do Governo. Ainda nesse ano ganhou força a política
recessiva, ampliando o desemprego e a miséria da maioria da população.
Já no início de 1992, Collor experimentava uma crescente
impopularidade, impulsionada mais ainda pelo bloqueio da Poupança
e com uma inflação sempre superior a 20%, com sinais preocupantes
de elevação.
Em maio de
1992, Pedro Collor, irmão do presidente, acusou o ex-caixa da campanha
presidencial, Paulo César Farias, de enriquecimento ilícito,
obtenção de vantagens no Governo e, principalmente, de profundas
ligações comerciais com o presidente. No mês seguinte
foi instalada, no Congresso Nacional, uma Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para apurar as acusações, o que acabou
na primeira cassação de um presidente no país.
Em 3 de outubro
de 1992, o vice Itamar Augusto Cautiero Franco assume a presidência
da República, inaugurando o primeiro mandato tampão pós
governo militar. Itamar governou o país até 1994.
Recessão
prolongada, inflação aguda e crônica e desemprego,
levavam os brasileiros a uma situação de descrença
geral nas instituições e de baixa auto-estima.
Itamar Franco
se concentrou em arrumar o cenário que encontrara. Procurou realizar
uma gestão transparente, algo tão almejado pela sociedade
brasileira. Para fazer uma gestão tranqüila, sem turbulências,
procurou o apoio de partidos mais à esquerda.
No governo
de Itamar foi elaborado, como aparentou, o mais bem-sucedido plano
de controle inflacionário do Brasil: o Plano Real. Montado pela
equipe do seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o plano visava
criar uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada
da moeda vigente, o cruzeiro. Desta forma, cada URV correspondia a US$
1. No governo de Fernando Henrique a URV veio a ser denominada “Real”,
a nova moeda brasileira. O Plano Real foi eficiente, já que proporcionou
o aumento do poder de compra dos brasileiros e o controle da inflação.
Entre 1994
e 1998, assumiu a presidência Fernando Henrique Cardoso. Ministro
da Fazenda no governo anterior, ele deu prioridade à consolidação
da estabilidade da nova moeda, evitando a todo custo a retomada das altas
taxas inflacionárias. Promoveu a reforma da Constituição
e, durante os dois primeiros anos, conseguiu manter a estabilidade econômica,
dando lugar à frase que “agora todo brasileiro pode comer frango!
Quanto às
outras reformas, Cardoso conseguiu que o Congresso aprovasse o fim
do monopólio estatal nos setores de telecomunicações,
de exploração e refino de petróleo e sobre a malha
ferroviária.
Ele entregou,
segundo seus oposicionistas, grandes conquistas do passado nas mãos
de empresas estrangeiras, como a telefonia, por exemplo. Acabou com o transporte
ferroviário e, para piorar, criou a famigerada CPMF, que tributava
toda movimentação financeira no país. O dinheiro dessa
arrecadação forçada “democraticamente”, deveria ser
aplicado na Saúde, mas não foi. No mais, FHC, como era chamado,
aprovou a reeleição presidencial para um segundo mandato
e, reeleito para a presidência de 1998 a 2002, acabou por sucumbir
ante a bolha inflacionária que havia contido virtualmente com o
Plano Real, provocando a maior onda de desemprego no país e grandes
perdas salariais do trabalhador, que para não perder o emprego,
teve de se submeter à vontade do patronato.
No seu segundo
governo se instalava definitivamente uma nova praga no país: o MST
(Movimento dos Sem Terra), formado por pessoas ditas trabalhadoras rurais,
e que através de invasões e depredações do
patrimônio alheio (e até do governo), lutam por terras, que
segundo a mídia, após conseguidas, são vendidas.
Ao invés
de combater o problema na raiz, FHC optou por aumentar o ITR, Imposto Territorial
Rural, sobre terras ditas improdutivas, numa tentativa de promover uma
Reforma Agrária que até hoje não saiu do papel. O
que ficou de bom, segundo o site Acorda, Brasil foi justamente a desestatização
e a Lei da Responsabilidade Fiscal.
"Nem sei como Fernando Henrique conseguiu
fazer tantas privatizações. Nem sei como conseguiu aprovar
a Lei de Responsabilidade Fiscal. Nem sei como conseguiu criar as Agências
Reguladoras. Hoje, com a incrível deterioração das
lideranças políticas, nada disso seria possível.E
estamos caminhando, a passos largos, para a volta do governo todo poderoso.
Do governo dono de tudo. Caminhamos para trás. Muito ruim". (Do
site Acorda, Brasil, do jornalista José Roberto Doubek Lopes)
De
2002 a 2006, foi eleito, pela primeira vez na História do país,
um ex-operário para presidente da República. Luís
Inácio (Lula) da Silva, após sucessivas tentativas de chegar
ao poder, finalmente conseguiu, trazendo novas esperanças ao sofrido
povo brasileiro.
Com um discurso
mais moderado que os que fazia antigamente, e um vice-presidente empresário,
e do Partido Liberal, aliado a uma proposta de governo sem assustar o mercado,
ou seja, agradando a gregos e troianos, Lula conseguiu vencer as eleições
de 2002, ganhando do neoliberalismo tucano (PSDB). Seu primeiro governo
teve como destaque o programa Bolsa Família e, como pontos negativos
os escândalos de corrupção para votação
de emendas pró-governo (escândalo do mensalão) e outros,
além dos resultados aquém das promessas de campanha. Reeleito
para um mandato de mais 4 anos (2006 a 2010), seu governo continuou o mesmo,
e os escândalos políticos também. FHC foi o primeiro
presidente pós 64 a se reeleger e Lula, o segundo. E os dois, segundo
a mídia e material nos enviado por internautas, parecem ter inaugurado
a Era do Presidente Turista, pois em seus mandatos permaneceram mais viajando
por outros países. Um dos pontos mais positivos para a sociedade
brasileira no governo Lula, é que a Polícia Federal nunca
antes teve tanto poder de ação, e realiza assim um excelente
trabalho. Mas o contraponto é o Judiciário, pois a PF prende
e ele solta...
Em 1 de janeiro deste ano de 2011, passados
121 anos desde a proclamação da República, feita pelo
marechal Deodoro em 1889, o Brasil passa a ter, pela primeira vez,
uma mulher presidente, Dilma Rousseff, que passa a ser o trigésimo
quarto presidente da República e o sétimo de Minas Gerais.
Conclusão
À guisa
de curiosidade, vale ressaltar aqui que, dos 33 presidentes, eleitos ou
com mandato tampão, apenas 9 foram militares. Os demais 24 são
todos civis.
Dos 33 presidentes,
10 pertenceram à Maçonaria. São eles: Deodoro, Nilo
Peçanha, Campos Sales, Delfim Moreira, Floriano, Hermes, Jânio,
Rodrigues Alves, Washington e Venceslau Brás.
De todos os
nossos presidentes da República,
6 são
de Minas Gerais: Afonso Pena, Venceslau Brás, Delfim Moreira,
Artur Bernardes, Carlos Luz e Juscelino Kubitschek.
6 são
do Rio Grande do Sul: Hermes da Fonseca, Getulio Vargas, João
Goulart, Costa e Silva, Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.
5 são
do Rio de Janeiro: Nilo Peçanha, Washington Luís, João
Figueiredo, Fernando Collor e Fernando Henrique.
4 são
de
São Paulo:
Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves e Ranieri Mazzilli.
2 são
de Alagoas: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
2 são
do Ceará: José Linhares e Castelo Branco.
1 é do
Maranhão: José Sarney.
1 é da
Bahia: Itamar Franco.
1 é do
Mato Grosso: Gaspar Dutra.
1 é do
Mato Grosso do Sul: Jânio Quadros.
1 é da
Paraíba: Epitácio Pessoa.
1 do Rio Grande
do Norte: Café Filho.
1 de Santa Catarina:
Nereu Ramos.
E 1, o atual,
é de Pernambuco: Luis Inácio Lula da Silva.
Obs: - Julio Prestes,
que é de São Paulo, não foi enfocado aqui, já
que não chegou a tomar posse, assim como Tancredo Neves, de Minas
Gerais, que também não assumiu e, quanto a Itamar Franco,
como ele nasceu no meio do rio, segundo contam, entre os estados da Bahia
e Minas Gerais, ele está contado como baiano, mas para o povo de
Minas Gerais, ele é mineiríssimo. E aliás, seu campo
de atuação é em Minas Gerais.
NE
– Do que podemos deduzir desta suada matéria, que deu um trabalhão
de pesquisa e composição, pois é impossível,
num espaço reduzido, narrar os anos completos de governo (ou desgoverno)
de todos os nossos 33 presidentes da República. Assim, tivemos que
buscar na pesquisa os fatos que dariam maior interesse à matéria,
mas, como escrevia, existem aqui variadas deduções, mas gostaria
de chamar a atenção para uma, a qual acho que nem o mais
aprofundado antropólogo pode explicar...Na monarquia, as revoltas
não eram tantas, pois a cada revolta um ou mais pescoço iam
para a fôrca. E nós víamos nossas riquezas irem para
a Europa e assistíamos às execuções dos nossos
poucos heróis, e abaixávamos a cabeça.
Livres
de Portugal, nasceu a República e com ela a liberdade sonhada. Mas
então as revoltas triplicaram e nós nos engalfinhávamos
com nossos irmãos e, praticamente, nenhum governante conseguiu agradar-nos,
até hoje. Na chamada Revolução de 64, por exemplo,
grupos terroristas e cantores posando de intelectuais atasanaram os governantes
até não poder mais, sendo eles mesmos os responsáveis
por uma repressão mais dura.
Após
o Regime Militar, surge um governo puramente civil e nossa política
vai se deteriorando lado a lado com o caráter de seus representantes.
Os revoltosos desapareceram, assim como os cantorzinhos intelectuais da
época, que hoje a tudo assistem das suas mansões e nada reclamam.
Aliás, um deles chegou até a ser ministro do atual sistema,
que perdura desde 1985. Talvez Freud pudesse explicar...
Fontes:
jornais O Estado e Folha de São Paulo, Revistas Veja, Isto É
(diversas datas)
e
Realidade (1969), Enciclopédia Abril-Conhecer-Brasil (1977)
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