xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
O
Brasil monárquico tem fim em 15 de novembro de 1889 e, a partir
desta data, até hoje, somos uma República que reza um regime
democrático, mas não é, por completo. O primeiro presidente
e cabeça do movimento que transformou o Brasil em República,
foi o marechal Manuel Deodoro da Fonseca.
De
23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894, assumiu a presidência
o então vice-presidente, marechal Floriano Vieira Peixoto, que ficou
conhecido como “O marechal de ferro”, por enfrentar a Revolta da Armada
e a Revolução Federalista.
De
1894 a 1898, o presidente da República foi Prudente José
de Morais e Barros. Com luva de veludo de um lado e mão de ferro
do outro, pacificou o país, anistiando os envolvidos nas Revoluções
Armada e Federalista. Resolveu a questão do Território das
Missões no Sul e assegurou a posse do Brasil sobre a Ilha de Trindade,
reclamada pela Inglaterra. Sua mão pesou mais na Guerra de Canudos,
liderada por Antonio Conselheiro, do qual falamos em outra matéria
no GNT.
Manoel
Ferraz de Campos Sales foi o quarto presidente da República, governando
o país de 1898 a 1902. Campos Sales, com o apoio do grande diplomata
Barão do Rio Branco, obteve o reconhecimento dos direitos do Brasil
ao território do Amapá.
De
1902 a 1906, o presidente do Brasil foi Francisco de Paula Rodrigues Alves,
responsável pela obrigatoriedade da vacinação no Brasil,
a pedido do sanitarista Oswaldo Cruz. Ele também remodelou a Marinha
e o Exército, firmou o Tratado de Petrópolis, que anexou
o território do Acre ao Brasil, antes sob o domínio da Bolívia
e do Peru. Rodrigues Alves ainda reorganizou o Banco do Brasil.
Afonso
Augusto Moreira Pena, nosso sexto presidente, deu início à
conquista da Amazônia, celebrando tratados de navegação
fluvial com a Colômbia. Foi ele quem designou Ruy Barbosa para representar
o Brasil em Haia, na Holanda, onde foi sobremaneira elevada a imagem e
a soberania do nosso país. O presidente Afonso Pena ainda estabilizou
a moeda e o câmbio. Ele governou de 1906 a 1909, falecendo antes
de terminar seu mandato.
De
14 de junho de 1909 a 15 de novembro de 1910, o vice-presidente Nilo Procópio
Peçanha então assumiu a presidência, concluindo o mandato
de Pena. E, apesar de governar o país por apenas 16 meses, Nilo
Peçanha fez coisas notáveis, como a criação
do Serviço Nacional do Índio (SNI, hoje FUNAI), instalou
o Ministério da Agricultura e implantou o Ensino Profissional e
ainda inaugurou a iluminação elétrica no Rio de Janeiro
e a Diretoria de Saneamento.
Quando
ainda era Ministro da Guerra, designação dada antigamente
ao Ministro do Exército e Marinha, Hermes Rodrigues da Fonseca já
começara a reforma do Exército, o que concluiu depois, como
presidente da República, entre os anos de 1910 e 1914.
De
1914 a 1918, o Brasil foi governado por Venceslau Brás Pereira Gomes,
o primeiro presidente a encarar uma guerra mundial. Seu governo teve de
conter os efeitos e consequências da I Guerra Mundial sobre a Economia.
Com o bombardeio de navios brasileiros pela Alemanha, Venceslau Brás
teve sobre as costas a responsabilidade de declarar guerra aos alemães.
Delfim
Moreira da Costa Ribeiro também foi um presidente com mandato tampão,
pois teve que assumir a presidência entre 1918 e 1919, já
que Rodrigues Alves, presidente reeleito, faleceu sem tomar posse. Delfim
Moreira convocou novas eleições, mas no pouco tempo que ocupou
o cargo, contratou a Missão Militar Francesa, reformou os Correios
e Telégrafos e aprovou os códigos de Processo Civil e Penal.
Epitácio
Lindolfo da Silva Pessoa, vencedor das eleições, concluiu
o mandato de Rodrigues Alves. Assim, ele governou o Brasil de 1919 a 1922.
Epitácio Pessoa fez a Reforma Financeira, solucionou questões
de limites entre Estados e iniciou as primeiras obras contra as secas do
Nordeste. Isso acabaria depois sendo aproveitado pelos políticos
mais contemporâneos como marketing de campanha, até hoje.
E até hoje, mesmo com a criação do Bolsa Família,
o nordestino e seus animais continuam morrendo de sede (o adendo é
nosso).
De
1922 a 1926, nosso presidente foi Artur da Silva Bernardes, que governou
o país praticamente em estado de sítio, dado aos diversos
levantes ocorridos, inclusive o de 1924, no Estado de São Paulo.
Mas,
como nos conta a História, saimos do regime monárquico e
entramos para o presidencialista, que se alternava entre presidentes militares
e civis, como vimos até agora. Conquistamos a liberdade de Portugal,
mas os problemas da Nova República se intensificavam, talvez, dado
à grande extensão territorial do país, quando se resolvia
um problema no Rio Grande do Sul, por exemplo, já estava surgindo
outro no Maranhão.
De
24 de outubro de 1930 a 03 de novembro do mesmo ano, o Brasil foi governado
por uma Junta Militar, que no dia 03 de novembro empossou Getúlio
Dornelles Vargas, que instaurou um regime ditatorial, governando o país
de 1930 a 1945.
De
outubro a dezembro de 1945, outro mandato tampão, desta feita José
Augusto Linhares assumiu a direção do país como presidente
do Supremo Tribunal Federal. Ele já convocou eleições
para 2 de dezembro de 1945, ganhas pelo general Dutra. Mas o impressionante
é que como presidente apenas um mês, José Augusto Linhares
criou o Departamento Nacional de Obras e o Departamento Nacional de Portos,
Rios e Canais.
O
general Eurico Gaspar Dutra assumiu a presidência do país
em 31 de janeiro de 1946 e o governou até 31 de janeiro de 1951.
Ele promulgou uma nova Constituição, criou a Hidrelétrica
de São Francisco, construiu a usina de Paulo Afonso e as refinarias
de petróleo em Mataripe e Cubatão e ainda concluiu as obras
da rodovia Rio-Bahia e reconstruiu a Rio-São Paulo, que foi batizada
com seu nome. O homem tinha pulso e visão!
De
1951 a 1954, volta nos braços do povo à presidência
da República, Getúlio Dornelles Vargas. Mas desta vez, crises
políticas enormes o levariam ao suicídio em 24 de agosto
de 1954. Mesmo assim, enfrentando problemas e sem concluir o mandato, em
apenas 3 anos Getúlio Vargas criou o Ministério da Saúde,
a Petrobrás, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico
(BNDE), o Conselho Nacional de Pesquisas e a Comissão Nacional de
Política Agrária.
Com
a morte de Getúlio, mais um mandato tampão e mais problemas.
Assume a presidência do Brasil de 24 de agosto de 1954 a 09 de novembro
de 1955, João Fernandes Campos Café Filho, que procurou aperfeiçoar
as instituições democráticas e conter a crise política
iniciada no último governo Vargas. Mas Café Filho teve o
azar de ficar doente e, afastado para tratamento médico, quando
voltou o Congresso Nacional já havia decretado seu impedimento para
voltar ao cargo.
Carlos
Coimbra da Luz foi, em toda a História política do país,
o presidente com o menor mandato: ele ocupou o cargo de presidente por
dois dias apenas. De 09 a 11 de novembro de 1955. Como era o presidente
da Câmara dos Deputados e com o impedimento de Café Filho,
ele teve que assumir. Como a crise política continuava, ele foi
deposto pelo então Ministro da Guerra, general Teixeira Lott.
Coube
a Nereu de Oliveira Ramos terminar o mandato até às eleições,
ganhas por Juscelino, que foi empossado em 31 de janeiro de 1956. Como
presidente do Senado, Nereu já havia ocupado o cargo de presidente
na ausência do general Dutra, e assim voltou a ocupar o cargo novamente,
com a deposição de Luz.
De
1956 a 1961, o Brasil foi governado pelo médico mineiro Juscelino
Kubitscheck de Oliveira, que entrou para a História pela implantação
da indústria automobilística no país e pela construção
de Brasília, a nova capital do Brasil.
Em
1961, sob o marketing do “varre, varre vassourinha”, o professor Jânio
da Silva Quadros é eleito presidente do Brasil e, no mesmo ano,
renuncia, sem ninguém até hoje saber o verdadeiro motivo.
Fora a criação da Lei das Diretrizes e Bases da Educação,
o que Jânio fez em seus 7 meses de mandato foi reatar relações
diplomáticas com a Russia comunista e condecorar com a Ordem do
Cruzeiro do Sul, comenda máxima a ser outorgada a uma personalidade,
a Ernesto Guevara, ministro de Cuba.
E
vai mais um tampão! De 25 de agosto de 1961 a 07 de setembro do
mesmo ano, assume a presidência da República Paschoal Ranieri
Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados. O vice de Jânio,
como visto acima, estava em missão oficial na China. Mazzilli ainda
voltaria à presidência do Brasil em mais uma “tampada”, de
2 a 15 de abril de 1964, quando terá início o Governo Militar,
que se estenderá até 1985.
De
1961, após voltar da China, até 02 de abril de 1964, assume
a presidência do Brasil João Belchior Marques Goulart (Jango).
Ele criou o Ministério do Planejamento e elevou o território
do Acre à categoria de Estado. Fez voltar o regime presidencialista
e foi deposto pela chamada Revolução de 1964.
Após
a deposição de Jango, assumiu como presidente da República
o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, governando de 1964 a 1967,
quando perdeu a vida num acidente aéreo. Em seu governo foi elaborada
a nova Constituição, sistematizados a distribuição
da receita e o regime tributário e foi criado o FGTS. Castelo
Branco também promoveu a unificação da Previdência
Social.
De
1967 a 1969, o presidente da República foi o marechal Arthur da
Costa e Silva, que consolidou a revolução dando cumprimento
à Constituição de 1967. Foi adotada uma política
econômica-financeira com abertura de crédito às empresas
e instituida uma taxa flexivel de câmbio para estimular o comércio
externo. Costa e Silva ainda adotou o Plano Nacional de Comunicação,
dinamizou a política de transportes com a pavimentação
de novas estradas e iniciou as obras da ponte Rio-Niterói, que leva
seu nome.
De
outubro de 1969 a 15 de março de 1975, o presidente foi o general
Emilio Garrastazu Médici. Ele buscou equacionar a expansão
da indústria siderúrgica e implantou dois pólos petroquímicos,
sendo um em São Paulo e outro na Bahia. Criou o PIS e, infelizmente,
não foi bem sucedido na construção da rodovia Transamazônica,
que deveria ligar Santarém a Cuiabá e Perimetral Norte. A
obra foi abandonada e até hoje, 36 anos após, ainda é
criticada pelos oposicionistas do período militar.
De
1974 a 1979, o país foi governado pelo general Ernesto Geisel que
já deu início à preparação da transição,
após o governo seguinte, para o governo civil. Geisel extinguiu
o famigerado Ato Institucional Número 5 e primou seu governo para
o chamado Desenvolvimento Integrado, conjugando os planos político,
econômico e social.
O
general João Batista de Oliveira Figueiredo, o último general
a dirigir os destinos do país, veio de uma família de tradição
militar. Seu pai era o general Euclides de Oliveira Figueiredo. Após
galgar todos os postos de comando do Exército, ele foi promovido
em 1978 a general de Exército. No ano seguinte, e até 1985,
foi eleito pelo Colégio Eleitoral como presidente do Brasil.
De
1986 a 1990, com a morte de Tancredo Neves antes de assumir, quem herdou
o cargo foi o maranhense José Sarney de Araújo Costa. Buscando
contornar a crise econômica, Sarney montou uma equipe contrária
à antiga política econômica do governo militar. Esta
equipe criou o Plano Cruzado. No primeiro instante desse plano a inflação
atingiu valores negativos, o consumo aumentou e os fundos aplicados foram
lançados na economia.
De
1990 a 1994, é eleito presidente do país Fernando Affonso
Collor de Mello. A posse do novo presidente, em março de 1990, em
meio à hiperinflação, foi acompanhada de novas medidas
econômicas, organizadas pela ministra Zélia Cardoso de Mello
- o Plano Collor. O cruzeiro, que tinha mudado para cruzado, voltou
ao nome antigo. Em 1991 já emergiam sucessivos escândalos
envolvendo membros do Governo. Ainda nesse ano ganhou força a política
recessiva, ampliando o desemprego e a miséria da maioria da população.
Já no início de 1992, Collor experimentava uma crescente
impopularidade, impulsionada mais ainda pelo bloqueio da Poupança
e com uma inflação sempre superior a 20%, com sinais preocupantes
de elevação.
Em
3 de outubro de 1992, o vice Itamar Augusto Cautiero Franco assume
a presidência da República, inaugurando o primeiro mandato
tampão pós governo militar. Itamar governou o país
até 1994.
Entre
1994 e 1998, assumiu a presidência Fernando Henrique Cardoso. Ministro
da Fazenda no governo anterior, ele deu prioridade à consolidação
da estabilidade da nova moeda, evitando a todo custo a retomada das altas
taxas inflacionárias. Promoveu a reforma da Constituição
e, durante os dois primeiros anos, conseguiu manter a estabilidade econômica,
dando lugar à frase que “agora todo brasileiro pode comer frango!
De
2002 a 2006, foi eleito, pela primeira vez na História do país,
um ex-operário para presidente da República. Luís
Inácio (Lula) da Silva, após sucessivas tentativas de chegar
ao poder, finalmente conseguiu, trazendo novas esperanças ao sofrido
povo brasileiro.
Conclusão À
guisa de curiosidade, vale ressaltar aqui que, dos 33 presidentes, eleitos
ou com mandato tampão, apenas 9 foram militares. Os demais 24 são
todos civis.
NE
– Do que podemos deduzir desta suada matéria, que deu um trabalhão
de pesquisa e composição, pois é impossível,
num espaço reduzido, narrar os anos completos de governo (ou desgoverno)
de todos os nossos 33 presidentes da República. Assim, tivemos que
buscar na pesquisa os fatos que dariam maior interesse à matéria,
mas, como escrevia, existem aqui variadas deduções, mas gostaria
de chamar a atenção para uma, a qual acho que nem o mais
aprofundado antropólogo pode explicar...Na monarquia, as revoltas
não eram tantas, pois a cada revolta um ou mais pescoço iam
para a fôrca. E nós víamos nossas riquezas irem para
a Europa e assistíamos às execuções dos nossos
poucos heróis, e abaixávamos a cabeça.
Fontes:
jornais O Estado e Folha de São Paulo, Revistas Veja, Isto É
(diversas datas)
|
ESPECIAIS GRANDES MATÉRIAS MUNDO SERTANEJO NOSSOS HERÓIS OS REVOLUCIONÁRIOS ARTIGOS E CRÔNICAS CLIPES E MÚSICAS CONTOS HOME PAGE
|