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Amarai

Certamente, nas
décadas de 60/70, ele era a voz mais potente da música sertaneja
(ou caipira, como diz a Inezita Barroso). Seus agudos alcançavam
a potência do grande astro da música mexicana na época,
Miguel Aceves Mejia. Estamos falando de Domingos Sabino da Cunha, nascido
na cidade de Rui Barbosa, GO, divisa com o estado da Bahia...Ficou na mesma,
né? Poucos sabem quem é Domingos Sabino, mas se eu disser
que ele é o sensacional cantor Amarai, da inesquecível dupla
Belmonte e Amarai, todo mundo sabe quem é.
Amarai conheceu Belmonte
na chamada "roda de violeiros", que havia em São Paulo, no ano de
1966. As vozes se entrosaram com a de dois rouxinóis e, naquele
mesmo ano, surgia a dupla já gravando o elepê Saudade de Minha
Terra. O sucesso veio para os dois como uma pancada de chuva de verão,
que antes de dar tempo de você correr, já o pega no meio do
caminho. Assim foi o sucesso da dupla. Nem deu tempo deles recuperarem
o fôlego e o sucesso já os alavancou instantaneamente ao nível
das maiores duplas do Brasil. Dai vieram mais 5 elepês, todos de
sucesso, sendo que alguns deles chegaram a vender 600 mil cópias,
o que era um recorde na época. Dos 6 elepês gravados, entre
1966 e 1972, dois foram pela RCA Victor e quatro pela Chantecler, mais
tarde incorporada pela Warner Music.
Mas, por fatalidade
da vida, em 1972 morre o parceiro de Amarai em um acidente de automóvel,
e a dupla se acaba, definitivamente. Amarai fez alguns trabalhos solos,
gravou com outros parceiros, mas a dupla da sua vida era mesmo Belmonte
e Amarai, que faz sucesso até hoje, mesmo após 38 anos da
morte de Belmonte.
Amarai hoje tem um
programa na Rádio Ouro Verde, no estado de Minas Gerais e, por um
tempo, tentou lançar o filho Francis em dupla com o cantor Franco.
Mais tarde Amarai gravou em dupla como o próprio filho o CD Pai
e filho - Amarai e Francis, com grandes sucessos e tendo como carro chefe
a música Aurora do Mundo, por coincidência, composição
de Goiá, o mesmo de Saudade de Minha Terra.
Amarai lembra os
áureos tempos e que ele e Belmonte revolucionaram a música
dita sertaneja. Ele diz que agora tem muita apelação,
e que hoje vale mais uma carinha bonitinha, uma parafernália de
som e canhões de luz, do que a voz. "Belmonte e Amarai tinham voz,
sonoridade, belas melodias e, só para lembrar o quanto foi importante,
só o radialista Zé Betio tocou a gente por mais de 20 anos.
Se ele fez 3 mil programas em sua vida, em 2 mil programas ele tocou Belmonte
e Amarai", relembra.
A capa do elepê
acima, é de um disco solo de Amarai, ainda no começo da carreira.
O título é Romper da Aurora, e foi produzido pela gravadora
Sabiá - Col. Prof. João Vilarim
Belmiro
- Primeiro parceiro
oficial
de Belmonte
Paschoal então
achou Belmiro, um moço de Santa Maria da Serra, com uma voz linda,
aveludada, e com ele formou a primeira dupla oficial, com o horrível
nome de Belmiro e Caxambú. Eles gravaram um compacto simples de
título Verdadeiro Trono, que hoje é uma verdadeira relíquia,
já que não conheço quem tenha tal disco. E Paschoal
acabou se acertando com Belmiro e, caindo nas graças de José
Fortuna, gravaram o elepê Aquela Mulher. O disco além de lindo,
também é histórico, pois foi o primeiro e único
elepê da dupla Belmiro e Belmonte. No disco, como já contei
no livro sobre Belmonte, Geraldo Meirelles já havia mudado o terrível
nome de Caxambú para Belmonte, que foi eternizado pelos fãs
de Belmonte.
Neuza
e Clodô
Os primeiros parceiros (não
oficiais) de Belmonte
O primeiro parceiro não
oficial de Belmonte, ou seja, o amigo que começou a ensaiar os primeiros
acordes de viola e cantos com aquele que mais tarde se tornaria um dos
maiores astros da música sertaneja, chama-se Clodoaldo de Freitas,
ou Clodô, para os íntimos. Clodoaldo nasceu e vive em Barra
Bonita, no chamado Bairro do Barreirinho. Mas não foi só
ele que cantou pela primeira vez com Belmonte. Sua irmã, Maria do
Carmo Freitas, conhecida como Neuza, ninguém sabe porquê,
também arriscou uns solfejos com Belmonte.
E olha que eles, praticamente
amigos de adolescência, levaram tão a sério a dupla
(ou trio), que chegaram a se apresentar no programa de rádio do
Capitão Furtado, na década de 50, na cidade de São
Manuel-SP. Belmonte, claro, ainda era só o Paschoal Todarelli. Ele
deveria ter na época, uns 16 anos de idade e, Clodô não
se lembra, mas a dupla deve ter se apresentado como Paschoal e Clodô.
Mas o que importa é que ganharam o troféu de primeiro lugar,
uma medalha de honra ao mérito, oferecida pela Casa Melilli, do
comércio da cidade, o que animou o jovem Paschoal. A Neuza, que
acompanhou a dupla, ganhou um “corte de vestido”, como se chamava na época
o tecido para fazer roupa.
Clodô me informou,
na época em que eu levantava dados sobre Belmonte, que além
dele, outro barra-bonitense, Santo Vasquez ou Santo Libâno, formou
também uma dupla extra-oficial com Paschoal, até quando este
completou 17 anos de idade, fez as malas e foi para São Paulo, capital.
Clodô também
lembra que já naquela época, ainda um garoto, Paschoal, mais
conhecido por Lico, tentava compor suas canções e, além
de São Manuel, os dois e mais Neuza, também se apresentaram
na Rádio Jauense e em Pederneiras.
Clodô, por algum tempo,
chegou a entrar na conversa (boa) de Paschoal e os dois foram morar em
uma marcenaria em Mineiros do Tietê, cidade próxima a Barra
Bonita, onde até hoje mora a irmã de Belmonte, Cidinha.
Em 1959, segundo Clodô, Belmonte viajou para a capital para tirar
sua “carteira de músico”. Há anos ele se dedicava ao violão,
e, quando se sentiu apto, foi fazer o teste e uma semana depois voltou
com a desejada carteirinha.
“Nas idas e vindas do Lico a
São Paulo, na década de 50, ele ficava numa pensão
perto da velha rodoviária. Ele tinha uma violinha preta, a primeira
que usou, mas que acabou perdendo e nunca mais encontrando”, relembra Clodô.
Todos os domingos o trio
(Paschoal, Clodô e Neuza) ia cantar na Rádio Clube de Pederneiras.
Iam de trem, segundo Neuza, e os vagões ficavam vazios, pois todos
os passageiros se juntavam no vagão onde eles estavam, para ouví-los
cantar.
“A gente não ganhava
dinheiro, recorda Neuza, mas era divertido. Muito divertido”.
Para os dois irmãos,
o Lico, mesmo após virar Belmonte e conquistar o sucesso, jamais
deixou de visitá-los quando vinha a Barra Bonita. “Às vezes
ele vinha sozinho, às vezes com o Amarai. O Lico sempre foi assim,
alegre, boa gente, uma pessoa humilde e muito bom amigo”, conclui Clodô.
Quando o pai de Clodô
ficou doente, Belmonte escreveu uma carta de próprio punho, desejando
melhoras para ele. O irmão de Clodô guarda esta carta até
hoje, como um troféu da amizade de Belmonte com a família.
E o que chama a atenção, além da importância
histórica do documento, é que a carta foi escrita por Belmonte
em 12 de abril de 1972. Cinco meses depois, já com o pai de Clodô
são, Belmonte perdia a sua vida no acidente em Santa Cruz das Palmeiras,
SP.
Na foto acima, uma das únicas,
mostra Belmonte e Clodô numa apresentação na Radio
Clube de São Manuel
Miltinho
Rodrigues

O talento de Miltinho
Rodrigues vem do berço. Desde menino, o cantor e compositor já
demonstrava vocação para a música. Em 1958 assinou
seu primeiro contrato com a Rádio Nacional do Distrito Federal,
para cantar canções românticas e, no mesmo ano, mudou-se
para São Paulo, para formar dupla com Tibagi. Ao longo da carreira,
integrou duplas com Zé do Prado, Ninico e Palmito antes de iniciar
carreira solo, em meados dos anos 60. Em 1979, foi convidado para realizar
apresentações com o Trio Parada Dura em circos, feiras e
teatros.
Miltinho Rodrigues
nasceu em Goiânia, Goiás, e veio para São Paulo a fim
de realizar o seu sonho na carreira artística, como faz muitos artistas
nos dias de hoje. Miltinho Rodrigues ao chegar em São Paulo, conseguiu
seu primeiro trabalho em uma gravadora de discos de grande sucesso, a gravadora
Chantecler. E foi ai que Miltinho Rodrigues aprendeu tudo sobre gravações
e produções de discos. Este trabalho em estúdio lhe
serviria mais tarde.
Na primeira vez que
Miltinho esteve em São Paulo, foi apresentado a um artista muito
conhecido: o Tibagi, o qual lhe fez um convite para formar uma dupla sertanejo-romântica,
caso Miltinho viesse a morar em São Paulo. Não demorou muito
e Miltinho resolveu definitivamente mudar para a capital paulista e,
após o entendimento com o Tibagi, veio a formação
da dupla ( Tibagi & Miltinho). A estréia da dupla recém-formada,
foi na rádio Bandeirantes, no programa Serra da Mantiqueira, e após
alguns programas, foram levados por dois padrinhos, TEDY VIEIRA e
BENEDITO SIVIERO, à gravadora Chantecler, e assinaram os contratos.
E assim, trabalharam juntos durantes cinco anos. Gravaram vários
discos de sucesso na gravadora Chantecler e também em outras companhias
de discos. Com a separação da dupla, Miltinho foi convidado
pelo diretor artístico da Chantecler, Braz Biagio Bacarin,
a gravar como cantor solo. Pela sua voz afinadíssima e potente,
de timbre parecido com o grande Miguel Aceves Mejia, Miltinho ficou sendo
conhecido como o Trovador do Brasil. Ele gravou na etiqueta do galinho
Chatecler, vários discos de grande vendagem e também gravou
em outras gravadoras, como a Continental Warner, Copacabana, RCA Victor,
EMI, etc. Miltinho Rodrigues é cantor e compositor com o número
inacreditável de 587 músicas gravadas como autor individual
e com parceiros. Na década de 70, ele foi convidado a gravar
o elepê Sucessos, com Belmonte.
Zé
Maringá

Você talvez jamais
tenha ouvido sua voz, mas certamente já ouviu - e muitas vezes,
o som maravilhoso da sua sanfona (acordeon), em várias músicas
de Belmonte e Amarai. Pois é. Ele é o Zé Maringá
(José Ap. Gênova), o sanfoneiro oficial da dupla inesquecível
Belmonte e Amarai. Preste atenção, quando ouvir Saudade de
Minha Terra, Terra Querida, Morena Cheirosa e tantos outros sucesso da
dupla, que o som magistral da sanfona de Zé Maringá lá
está. Na foto, ele, ao lado de Amarai, quando estiveram em Barra
Bonita em 2001, para a inauguração da Praça Belmonte.
Zé Maringá até quanto sabemos, mora em Assis, SP,
rua Cambé, 245 - Cep 19800-000, e seu fone de contato é (18)
323.2878.
Belmonte
e Amauri

Pouco se sabe sobre
o cantor Amauri e como e quanto tempo ele chegou a formar dupla com Belmonte.
O fato é que isso aconteceu, mas, infelizmente, o registro histórico
é precário. Estamos destacando o pouco que sabemos aqui,
a pedido do fã Marcelo Gomes Alcântara, da Paraíba,
que queria saber a respeito desse que também, mesmo por pouco tempo,
chegou a desfrutar uma parceria com o inesquecível Belmonte, como
diz Zé do Rancho em sua canção. Nos desculpe, Marcelo
e também outros fãs de Belmonte, mas a partir do que formos
descobrindo a mais, certamente estaremos postando aqui no GNT.
Pirassununga
Graças
a Deus nossos leitores agora estão interagindo com o GNT, e isso
só vem a acrescentar ao site, como as colaborações
do Marcelo Gomes Alcântara, que além de mandar para o GNT
4 músicas "relíquias" (Verdadeiro Trono - Belmiro e Caxambu,
Saudade de Minha Terra - Biá e Goiá, A Fronha e Coração
de Fera - Belmonte e Pirassununga), ele também nos ajudou a reparar
uma injustiça, pois não colocamos aqui o Dino Franco (Pirassununga),
que foi parceiro de Belmonte, também. Eles gravaram apenas um compacto
simples, mas a parceria existiu, e fica registrada aqui, graças
à colaboração do Marcelo.
Das
músicas que postamos para os leitores e fãs, Coração
de Fera, é de autoria de Dino Franco (Pirassununga) e Zé
Maringá; e A Fronha, de Belmonte e Anacleto Rosas Jr.
ANDARAÍ
O
Andarai foi o derradeiro parceiro de Belmonte. Foi com ele que Belmonte
fez seu último show em Itápolis, SP. Andarai resolveu
passar a noite na cidade, e Belmonte, que tinha um compromisso familiar
em Poços de Caldas, MG, quis viajar, mesmo cansado. E a tragédia
se deu. Sobre Andaraí, pouco sabemos, a não ser que seu nome
de batismo era Getúlio e que ele era irmão do cantor Cristiano,
da dupla Carlos César e Cristiano. Andaraí, último
parceiro de Belmonte, assim como Belmiro, o primeiro parceiro, também
já faleceram, ou melhor, já se encontraram no Andar Superior
e devem ter formado um belo trio. |

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