Plácido de Castro
O herói do Acre
Acima, desenho do herói (farda escura) e, abaixo, o símbolo do Comando de Fronteira do Acre/4o Batalhão de Infantaria de Selva "Batalhão Plácido de Castro" e estandarte do Comando da Fronteira
 

  Plácido de Castro era filho do capitão Prudente da Fonseca Castro, veterano das campanhas do Uruguai e Paraguai, e de Dona Zeferina de Oliveira Castro.
Descendente de família cristã, recebeu no seu batismo o nome do avô José Plácido de Castro, o major paulista que, após combater na Campanha Cisplatina, trocou o chão paulista pelo do Rio Grande do Sul. Um de seus bisavós, Joaquim José Domingues,foi companheiro de Borges do Canto, na conquista das Missões em 1801, quando este território foi incorporado ao território brasileiro.
 Castro ingressou na Escola Militar da então província do Rio Grande do Sul, para dedicar-se à carreira militar. Era um dos melhores alunos da turma, quando um grupo de cadetes e oficiais pediu o fechamento da escola ao presidente Floriano Peixoto para que pudessem participar com as forças legais no combate à Revolução Federalista. Plácido de Castro discordava da maioria: acreditava que Deodoro da Fonseca, o presidente anterior, não deveria ter sido substituído por Floriano Peixoto; deveria ter havido eleições diretas e não a posse - como ocorreu, do então vice-presidente.
 Em 1899 abandonou o cargo nas docas para tentar futuro melhor no norte do País. Existia no Acre, desde os tratados de 1750 e 1777 uma questão territorial de limites com a Bolívia. Plácido de Castro estava demarcando o seringal Victoria', quando ficou sabendo pelos jornais, em 1901, que a Bolívia havia arrendado o Acre a uma companhia norte-americana, notícia que acirrou os ânimos entre bolivianos e brasileiros. Plácido viu nisto uma ameaça à integridade do Brasil. Enquanto arregimentava combatentes, o governo do Brasil reconheceu os direitos bolivianos sobre o Acre. Iniciou então um movimento armado contra a Bolívia, pela posse da região.
 O governo boliviano enviou um contigente de 400 homens, comandados por Rosendo Rojas. Plácido, com 60 seringueiros, enfrentou a tropa, mas foi, fortificado em Empreza, novamente, desta vez saindo vencedor. Depois venceu guarnições bolivianas em Empreza e Porto Alonso, onde se renderam o general Ibañes e seus soldados. O presidente da Bolívia, general José Manuel Pando, decide então acabar com a revolta e, no comando das tropas, vai ao ataque de Plácido, sem sucesso.
 Plácido, tinha apenas 27 anos de idade, quando liderou uma forte revolução com mais de 30 mil homens. Ele definiu a fronteira oeste do Brasil como uma decisão na sociedade da época a favor de seu País. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, a luta foi encerrada. Em 1906, Plácido foi nomeado governador do Acre. Viajou para o Rio de Janeiro, onde lhe ofereceram os galões de coronel da Guarda Nacional, que rejeitou. Quando de seu retorno ao Acre, foi nomeado prefeito.
 Em 9 de agosto de 1908, Plácido de Castro caiu ferido numa emboscada que lhe prepararam mais de uma dezena de jagunços sob a liderança de Alexandrino José da Silva, o subdelegado. No dia 11, ardendo em febre, implorou ao irmão, Genesco, de olhos fechados, na presença de vários companheiros: "Logo que puderes, retira daqui os meus ossos. Direi como aquele general africano: 'Esta terra que tão mal pagou a liberdade que lhe dei, é indigna de possuí-los.' Ah, meus amigos, estão manchadas de lodo e de sangue as páginas da história do Acre...tanta ocasião gloriosa para eu morrer...".
 O herói rio-grandense foi covardemente assassinado aos 35 anos de idade, ficando esse crime para sempre impune. Próximo à propriedade do seu assassino, erguido pelos fiéis amigos de Plácido de Castro, há um pedaço de mármore assinalando o local da emboscada. Seus ossos, porém, foram sepultados logo à entrada de um cemitério em Porto Alegre (Cemitério da Santa Casa de Misericórdia). Na fronte do pedestal, a família fez questão de deixar gravados, um a um, nome e sobrenome dos seus catorze carrascos.
 Por ter sido um dos grandes responsáveis pela anexação do hoje estado do Acre ao Brasil, após a ação diplomática do Barão do Rio Branco no Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903, o intrépido gaúcho, reverenciado como um de seus maiores heróis, é o patrono do 4º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro - "Batalhão Plácido de Castro", sediado na capital do estado e integrante do Comando de Fronteira do Acre — e também, da Polícia Militar do Acre.
 Em 1976, foi criado um novo município a cem quilômetros de Rio Branco que recebeu o nome de Plácido de Castro, em sua homenagem. Este município, por Lei, foi considerado "cidade-irmã" de São Gabriel, cidade natal do heróico revolucionário. 
 O 4º BIS, com sede em Rio Branco, foi criado em 1993. A organização militar tem por patrono o gaúcho Plácido de Castro, bisneto, neto e filho de militares. Ele assentou praça em um quartel de Artilharia, tendo, posteriormente, ingressado na Escola Militar de Porto Alegre, de onde foi excluído, em 1893, por aderir aos revoltosos da Armada e da Revolução Federalista. Quando foi concedida anistia aos rebelados, Plácido de Castro a recusou, não retornando à Escola Militar.
 Em 1899, ele se mudou para o Acre. Ao eclodir a “Revolução Acreana”, nos anos de 1902 e 1903, Plácido de Castro, por seu passado militar, foi escolhido para comandar os seringueiros nordestinos que se fizeram soldados. Vitoriosa a Revolução e criado o “Estado Independente do Acre”, lhe foi conferido, honorariamente, o posto de “coronel”, por ter sido o grande responsável pela anexação ao Brasil,após a ação diplomática do Barão do Rio Branco no Tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903, de 152.000 km2 correspondentes ao hoje estado do Acre.
O intrépido gaúcho foi assassinado em 1908, no Acre, estado que hoje o reverencia como o seu herói maior, sendo ele também, o Patrono da Polícia Militar daquela unidade da Federação.

Estandarte histórico do Comando de Fronteira do Acre

“Forma retangular, tipo bandeira universal. Campo de verde, representativo da Arma de Infantaria. Em brocante e em abismo, um escudo peninsular português, cortado, bordadura de ouro; primeiro campo em verde, carregado com dois fuzis cruzados, distintivo da Arma de Infantaria, em ouro. Segundo campo, partido; o primeiro em azul, carregado com uma cruz vazada, símbolo de fronteira, em vermelho; o segundo em amarelo, carregado com uma estrela de cinco pontas, extraída da bandeira do estado do Acre, em vermelho. Encimando o conjunto, a denominação histórica “Batalhão Plácido de Castro”, em arco e em ouro. Franja em ouro em toda a volta do campo. Laço militar com as cores nacionais, tendo inscrito em caracteres de ouro a designação militar: CMDO FRON ACRE/4º BIS”. Desenho acima.
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