Foto: arma
anti-aérea equipada com metralhadora Browning calibre .50
Em 1930, após um golpe
de Estado, instaura-se o governo provisório de Getúlio Dorneles
Vargas e tem início a mais longa ditadura civil da história
do século XX no Brasil. Getulio ficou no governo de 1930 a 1945.
Getúlio havia revogado a
Constituição após o golpe e os empresários
paulistas, insatisfeitos, pediam a devalorização da moeda
(na época, mil réis) e sofriam com a baixa cotação
do café e o desequilíbrio da balança comercial e,
na esfera política, São Paulo pedia o fim dos interventores
federais no Estado e também a convocação para uma
nova constituinte. Como vimos na página anterior, os combatentes
revolucionários de São Paulo foram derrotados, mas assim
mesmo conseguiram seu alvo maior, que foi a Constituição
de 1934.
Houve grande esforço dos
empresários através da Associação Comercial
de São Paulo, para evitar o confronto armado, mas foi inútil.
Em maio de 1932, a tensão torna-se insuportável, quando numa
passeata pelas ruas da cidade, cinco jovens foram mortos a tiros por partidários
do governo getulista. Os jovens eram Mario Martins de Almeida (Mario),
Euclides Bueno Miragaia (Miragaia), Dráusio Marcondes de Souza (Dráusio),
Antonio Amércio Camargo de Andrade (Camargo) e Orlando de Oliveira
Alvarenga (Alvarenga).
Com essa tragédia, formou-se
um grupo contrário a Getúlio Vargas, denominado MMDC, que
são as iniciais dos quatro jovens assassinados. Décadas depois,
fazendo justiça ao jovem Alvarenga, que não fora incluido
na sigla inicial, o grupo passou a constar na história da Revolução
Constitucionalista de 1932, como MMDCA.
No dia 09 de julho de 1932, São
Paulo finalmente pega em armas (foto acima) e se insurge de vez contra
o governo federal. Foram 3 meses de luta fratricida, até a deposição
das armas paulistas em outubro. O dia 09 de julho passou então a
ser comemorado com feriado estadual em São Paulo todos os anos.
A última
sobrevivente
Dona Dirce
Rudge Pacheco e Silva, na foto ao lado exibindo diploma recebido da Sociedade
dos Veteranos de 32, fez parte do batalhão de 70 mil mulheres arroladas
numa lista da mesma entidade, que com coragem e despreendimento, deram
sua cota de participação na Revolução, ajudando
os combatentes com roupas e alimentos. Suas armas, além do espírito
forte, eram agulhas de crochê e tricô, com as quais teciam
milhares de agasalhos, como luvas, suéteres, meias e cachecóis
para aquecer os combatentes que lutavam sob rigoroso inverno.
Dona Dirce
entrou para o "exército" de mulheres com apenas 14 anos de idade.
Hoje, aos 92 anos, ela talvez até possa ter sentimentos de solidão
ao olhar em volta e não ver mais nenhum rosto das antigas companheiras
revolucionárias, mas é possível que refugie-se nas
recordações, que enobrecem ela e suas amigas, na importante
participação na Revolução de 1932, quando São
Paulo sozinho foi às armas contra o país, ou seja, contra
o governo de Getúlio Vargas e as Forças Armadas da época!
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