Sierguéi Aleksandrovich Iessiênin




 
 
 

  A Russia do começo do século XX era um país atrasado em relação às demais nações européias, e politicamente conturbada. Foi dentro desse panorama nada animador, que nasceu Sierguéi Aleksandrovich Iessiênin.
  O poeta nasceu na zona rural, em 1895 e, ainda adolescente, foi para Moscou, onde trabalhou como tipógrafo e já em 1917, com apenas 22 anos de idade, Sierguéi participou da Revolução Russa.
  Nessa época ele já havia publicado o primeiro dos quatro únicos livros que escreveu, cujo título é tão trágico quanto foi sua curta vida: Ritual para a Morte (1916), onde o poeta retrata nostalgicamente sua infância no interior do país.
  Com sua alma sensível e como todo jovem, Sierguéi ficava perplexo diante da industrialização e acreditava nas boas novas prometidas pelo Socialismo. Captando a infância num vilarejo e a modernidade que acenava com o nascimento do novo século, Sierguéi juntava tudo isso dentro de sua alma poeta, o que mostra seus versos impregnados de imagens e emoções.
  De acordo com o filósofo chinês Lin Yutang, os poetas chineses melhores poemas escreviam quando estavam tristes. Mas no caso do nosso poeta russo não foi bem assim. Boêmio e alcoólatra, o aflito poeta teve um curto casamento com Isadora Duncan, que por causa do vício de Sierguéi, o abandonou. Em 1925 a depressão vence o poeta. Ele corta os pulsos e escreve, com o próprio sangue as duas quadras de Até logo, até logo, companheiro, e dá cabo da vida, se enforcando. Isadora Duncan morreria 2 anos depois.
  Como os nossos poetas Álvares de Azevedo e Casimiro de Abreu, mesmo com uma pequena obra e vivendo uma curta existência, Sierguéi tornou-se um dos poetas mais queridos da liteatura russa.

Pomba do Jordão

 O céu, um sino. A lua, língua
Mãe, pátria minha
Eu, bolchevique
Onde tudo é amigo, tudo lindo, rindo
Eu canto o fim do mundo antigo
Alto e bom som, retumbe na tua tumba o sino azul
Como aquela lua
Mundo de amor, é boa a espera
Ouço no ar nova era...

Até logo, até logo, companheiro
(A última poesia de Sierguéi)

Até logo, até logo, companheiro
Guardo-te no meu peito e te asseguro
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras
Não faças um sobrolho pensativo
Se morrer, nesta vida, não é novo
Tampouco há novidade em estar vivo.

 

 
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