A Maravilhosa Vida Selvagem

Introdução

 A biologia dividiu a vida no Planeta Terra em reinos. Assim, temos o reino vegetal, mineral e o animal. E, nessa divisão, ainda houve, no chamado reino animal, uma subdivisão, que dá lugar a uma pirâmide chamada cadeia alimentar, na qual o homem é colocado no cume desta cadeia, como ser racional que é.
 Embora eu discorde disso, já que não sou animal e sim um ser humano feito à imagem e semelhança de Deus, o criador dos céus e da terra e de tudo que neles há, biologicamente os seres viventes da Terra são enquadrados nessa cadeia, e não sou eu, entre bilhões de seres humanos, que vou contradizer a ciência...
 Pois bem, já que trataremos aqui do reino animal, falando sobre os que voam, vivem nas águas ou povoam a terra, veremos que, não por vontade de algum biólogo, mas por uma vontade bem maior, poderosa e insondável, todos do reino animal vivem um ciclo maravilhoso, exercendo sobre a terra um perfeito equilíbrio, quer sejam os predadores, quer sejam as vítimas. 
  É impressionante ver como um está interligado ao outro nesse equilíbrio. Num exemplo simples, o felino come a ave, a ave come a cobra, a cobra come o rato e o rato, segundo os desenhos animados, come queijo e atazana a vida do homem. Assim, quando o homem, que biologicamente é o predador maior, o único que promove o desequilíbrio ecológico, mata o felino, prende a ave e extermina a cobra, é claro que teremos ratos sobrando. E não estou falando de políticos, e sim de ratos mesmo, que empesteiam as cidades e causam doenças aos homens.
 Nesta série que estamos iniciando, é importante prestar atenção que nenhum animal – a não ser o homem, mata por ódio ou ambição ou mata simplesmente por matar. Na vida selvagem se mata apenas pelo instinto de sobrevivência, e o animal nunca mata mais do que ele necessita para comer. Já o homem...
 Outro fator a ser observado, é que todo animal desenvolve uma tática de ataque e defesa, tanto para garantir a subsistência como a sobrevivência dentro da vida selvagem. Um animal jamais usa de um truque sujo para apanhar sua presa. Ele não engana o outro animal, seja da sua raça ou não. Já o homem...
  Concluindo – e agora você irá entender por quê não concordo com essas divisões biológicas, é que se animal realmente fôssemos, pela nossa perversidade e hipocria, maldade e falta de amor ao próximo, nosso lugar na fictícia cadeia alimentar seria tão baixo quanto o da hiena. 
  Já pensou? Fomos criados biblicamente menores que os anjos do Céu, mas biologicamente muitos de nós nos colocamos numa posição abaixo dos sublimes animais selvagens, como os ladrões, assassinos, traficantes, pedófilos e uma vasta laia que, infelizmente, pulula sobre a face da Terra, como malditos ratos.
  Então, melhor sempre será falar dos verdadeiros animais, aqueles que tornam a vida selvagem corajosa, bela e pura. 

A vida selvagem e a maravilhosa providência divina

 Repare na incrível sinergia do mundo animal, a qual nenhuma ciência humana pode explicar. Começando esta série, apresentamos quatro espécimes do reino animal, sendo a Caravela Portuguesa, aquática, o Coleóptero da Amazônia, inseto, o Pufino, ave e o Crocodilo, réptil.
 
 



Ao lado, a Caravela. Ao alto, o Arlequim e o Pufino. E, abaixo, o Crocodilo e o Curado



 São casos curiosos de simbiose que, como já disse, cria uma espécie de "relacionamento social e pacífico" dentro da vida selvagem. 
 A boca assustadora de um crocodilo é certamente um lugar para se manter distância, mas o Curado, uma pequena ave que vive às margens dos rios da África, penetra na enorme boca do animal, sem que este lhe cause nenhum dano. O pequeno pássaro presta um relevante serviço ao crocodilo, limpando das suas presas restos de comida e sanguessugas e outros parasitas que se alojam em sua gengiva, causando-lhe desconforto. Assim o Curado se alimenta e ao mesmo tempo banca o "dentista" do crocodilo.
 No caso do Pufino, ave marinha das ilhas Karewa, Nova Zelândia, ele constrói seu ninho e o divide com o Tuatara, réptil da mesma região. Ambos são encontrados também em outras ilhas da Nova Zelândia. O Tuatara, que nem de longe tem qualquer parantesco com o Pufino, colabora com o mesmo, mantendo a limpeza do ninho, impedindo a proliferação de parasitas. Assim ela dá sua parte, em troca da "hospedagem".
 Já o Coleóptero da Amazônia (Arlequim americano), dá transporte gratuito a ninguém mais, ninguém menos, que pequenos escorpiões. Os aracnídeos se abrigam nas costas e abdomem do Arlequim e livram ele de parasitas, tais como os ácaros, que poderiam infestar seu corpo de de larvas.
 E, por último, um caso ainda mais espetacular dessa simbiose acontece entre a Caravela Portuguesa (Fisália), que é uma colonia de hidrozoários, constituida em parte por uma espécie de bexiga, de onde deriva o nome Fisália, palavra grega que quer dizer bexiga.
 A Fisália ou, mais como é conhecida, Caravela Portuguesa, tem cerca de 30 centímetros de diâmetro em sua bexiga, a qual enche-se de gás proveniente de suas glândulas, para manter-se na superfície das águas. Como ela flutua, o vento a empurra em todas as direções, o que a impede de perseguir sua presa, que são peixes.
 Dessa maneira esse estranho ser aquático já estaria extinto, não entrasse aí a providência divina, o maravilhoso arranjo de Deus para todo ser vivo sobre a face da Terra, assim como no ar e na água. Quem justamente irá fazer a simbiose com a Caravela é um peixinho chamado Nomeus.
 A Caravela, abaixo da sua bolha, tem vários e enormes tentáculos que penetram até 30 metros abaixo da supefície. E tais tentáculos liberam uma neurotoxina fatal para os peixes, que paralisados pelo contato com o tentáculo, são içados até o aparelho digestivo da Caravela e viram comida!
 Mas o pequeno Nomeus é imune a essa toxina e, além de usar os tentáculos da Caravela para se refugiar dos peixes maiores que o perseguem, também acaba atraindo-os para o banquete, alimentando a Caravela e também se alimentando dos restos que ficam nos tentáculos.


Na próxima edição vamos voltar aos primórdios da vida animal 
na face da Terra, onde enfocaremos alguns animais pré-históricos, 
para em seguida nos dedicarmos às aves de rapina. Algumas lindas,
outras, nem tanto. Mas todas igualmente necessárias.


Veja Vida Selvagem 01 - 02 - 03 - 04 - 05

 Fontes das pesquisas: Os Bichos - Ed. Abril - 1970 e Novo Conhecer 
Fratteli Fabbri Editori - Itália e Ed. Abril - Brasil - 1977


 
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